Nova cadeira melhora mobilidade de bombeiro acidentado há 19 anos

Revelou-se positivo o pedido de ajuda que “Tó Guilherme” lançou aos oliveirenses para a compra de uma nova cadeira de rodas. O novo equipamento chegou no mesmo dia em que, há 19 anos, o então bombeiro da corporação de Oliveira do Hospital sofreu um grave acidente que o deixou tetraplégico.

Conhecido por todos pela habitual presença em vários espaços da cidade, Tó Guilherme tem agora mais razões para sair à rua e conviver com os demais oliveirenses. No passado dia 20 de setembro, recebeu a nova cadeira de rodas elétrica por que tanto esperava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma prenda para a qual contribuiu o próprio, muitos oliveirenses, por via da venda de rifas, bem como outras entidades como empresas e associações e que já possibilitou liquidar pelo menos metade do valor da nova cadeira que se situa nos 11.700 Euros. Certo que ainda está da ajuda da Câmara Municipal e de outras entidades às quais apelou à solidariedade, Tó Guilherme vê melhorada em muito a sua mobilidade, já que a antiga cadeira padecia de vários problemas.

É que apesar de tetraplégico, Tó Guilherme não se resigna à condição em que ficou na sequência do grave acidente em que esteve envolvido há 19 anos, quando juntamente com mais cinco colegas da corporação de bombeiros da cidade se dirigia à zona Norte do concelho para apagar um fogo. Uma viajem que foi interrompida na conhecida Ponte Cobral, onde o carro (na foto em cima) em que seguiam capotou, vitimando à morte um companheiro e deixando Tó Guilherme tetraplégico. “Eram 14h20, quando dávamos a curva, o pneu da frente, do lado direito rebentou e o carro capotou”, recordou o bombeiro acidentado exatamente no dia (20 de setembro) em que fazia 19 anos desde o trágico acidente. Desde aí, recorda, foi um “um processo muito difícil”.

A recuperação de Tó Guilherme teve início nos HUC onde deu logo entrada após o acidente e onde permaneceu “um mês e 17 dias”. Daí, o jovem bombeiro – à data tinha 31 anos – iniciou uma nova etapa em Alcoitão . “Só em Lisboa é que me disseram ia ficar tetraplégico e que a minha vida ia mudar totalmente”, recorda emocionado. E de facto mudou. O primeiro passo, conta, foi o de “assumir a nova condição”, sendo os seguintes o de tentar todas as soluções que a medicina lhe podia disponibilizar para minimizar o mais possível os impactos da tetraplegia. O número de intervenções a que já foi sujeito já lhe perdeu a conta, mas lembra aquela a que foi sujeito pela mão do cirurgião Abel Nascimento. Uma cirurgia pioneira que consistiu na colocação de implantes na mão esquerda, com o objetivo de ganhar sensibilidade e a poder mexer. “Mas acabei por rejeitar o implante”, conta Tó Guilherme que, fruto de muitas terapias consegue mexer , ainda que ligeiramente, ambas as mãos.

Neste percurso de 19 anos, Tó Guilherme regista o apoio que desde sempre lhe foi dado pela corporação de bombeiros – “o falecido comandante Serra foi um pai para mim e o atual comandante também”, refere – e pela Liga de Bombeiros. Do lado da Câmara Municipal, Tó Guilherme garante também receber toda a atenção e compreensão, quer na organização de iniciativas como as provas de perícia e corridas de cadeiras de rodas, quer também na eliminação de barreiras físicas que possam existir na cidade.

Fundador da Associação de Deficientes de Oliveira do Hospital e proprietário de uma coleçaõ de canetas e isqueiros composta por mais de 50 mil peças, Tó Guilherme vai para sempre ser recordado como bombeiro. Foi naquela condição que ficou tetraplégico e é assim que, volvidos 19 anos, se continua a sentir. “Quando toca sirene, parece que sai tudo cá para fora”, confidencia, contando que, logo que pode, se desloca para o quartel para estar a par do que se passa e ajudar no que estiver ao seu alcance. Tó Guilherme tem agora 50 anos e reside no lar da Fundação Aurélio Amaro Diniz, em Oliveira do Hospital.

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