Novas Oportunidades podem ter os dias contados em Oliveira do Hospital

… o encerramento trará “consequências brutais em termos de educação e formação de adultos”.

O Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária de Oliveira do Hospital está em funcionamento, mas poderá ter já os dias contados. Com financiamento assegurado pelo Orçamento de Estado até 31 de agosto, o espaço que desde 2008 já certificou e validou as competências a cerca de três centenas de adultos passa, atualmente, por um momento de incertezas e não sabe o que o futuro lhe reserva.

“Não fazemos ideia do que vai acontecer aos centros”, referiu a diretora do CNO oliveirense ao correiodabeiraserra.com, contando que o centro viu o seu funcionamento ameaçado no início deste ano devido ao indeferimento que foi dada à candidatura para financiamento junto do POPH.

“Foram recusadas 130 candidaturas”, explica Cristina Borges, contando que no caso de Oliveira do Hospital, o governo decidiu reverter a situação, disponibilizando financiamento através do Orçamento de Estado, mas apenas até 31 de agosto.

Quando faltam pouco mais de cinco meses para que aquela data se esgote – o CNO conta com uma dezena de professores, tem 300 adultos a fazer o processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) e uma lista de espera com 150 inscritos –  a única certeza de Cristina Borges é de que em face de não financiamento, o único caminho a seguir é o do encerramento.

“A escola não tem condições para suportar os custos do CNO”, avisou, prevendo que o fechar de portas do CNO oliveirense venha a desencadear “consequências brutais em termos de educação e formação de adultos”.

Desde que começou a pairar no ar a ameaça de encerramento dos CNO, Cristina Borges garante ter desencadeado todos os esforços no sentido de inverter esta situação. “Fizemos o que estava ao nosso alcance, enviando ofícios e chamando a atenção para a interioridade e para o número de alunos inscritos”, referiu a responsável, que também reuniu com o presidente da Câmara Municipal sobre esta matéria e o sensibilizou para os “prejuízos” decorrentes de um possível encerramento.

Numa altura de total indefinição, Cristina Borges alerta para o facto de “o concelho ficar a descoberto nesta matéria”. “É um prejuízo tremendo para as pessoas e para a vida do concelho”, regista a diretora do CNO oliveirense, para quem o espaço tem uma importância estratégia por se situar na sede do concelho e também funcionar em “regime de itinerância” através de deslocação de professores a freguesias mais distantes do concelho.

Cristina Borges até chega a admitir que no arranque destas respostas educativas direcionadas para os adultos houve algumas “falhas”, nomeadamente no que respeito à rápida propagação deste tipo de centros por todo o país e até em matéria de facilitismo. “Mas os centros foram-se tornando mais exigentes com os procedimentos”, assegurou, notando que, no que respeita a Oliveira do Hospital, o CNO “seguia a velocidade de cruzeiro”.

Cristina Borges garante que o CNO “está em condições de funcionar e funcionar bem”. No entanto tem a lamentar que quando os procedimento se agilizam é que são interrompidos. “É sempre assim”, registou a responsável.

A instabilidade que paira sobre o CNO oliveirense chegou também à reunião da última Assembleia Municipal pela voz do presidente da Junta de Freguesia de Ervedal da Beira que chegou a ver aprovada – houve 10 abstenções – uma moção em defesa da manutenção do CNO. “É uma injustiça que no silêncio vai ganhado força por motivações políticas”, referiu Carlos Maia que criticou a “decisão política e economicista que não tem em atenção os interesses dos alunos que frequentam o CNO”.

O eleito socialista falou ainda dos “mais de 300 adultos que conseguiram melhorar as qualificações académicas” e alertou para a qualidade do CNO oliveirense “que é um dos melhores centros da região e onde os princípios orientadores são a competência e o rigor”.

Perante a ameaça de encerramento dos CNO, Carlos Maia alertou para o facto de a formação e educação de adultos ser aproveitada por empresas de formação que, recorrendo aos fundos europeus, já fazem “um serviço semelhante”.

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