O abandono a que a nossa região está entregue já não se resolve no mero debate político partidário. Autor: Luís Lagos

Às vezes, fruto da existência de algumas mentes menos iluminadas, desorientadas ou travadas pela ignorância, existem esclarecimentos que se impõem. Felizmente, na nossa terra, essas mentes são minoritárias. Felizmente! Também está aí a nobreza do nosso povo.

Quero tranquilizar alguns, poucos, que perante a maior tragédia de sempre, de todos os tempos, da nossa gente, continuam a ver política em tudo. A ler todos os acontecimentos debaixo da bandeira partidária. A ver tacticismo e estratégia em tudo. Tranquilos! No final só ficamos a perceber o carácter de cada um pelo julgamento antecipado que faz do outro.

A Associação que ajudo a erguer com um conjunto de homens e mulheres de enorme coragem é gente que sofreu dano, que perdeu bens, que viu familiares a partir, que exige respeito. Que merece respeito. São pessoas que por mais milhões que lhe cheguem, como alguns na sua menoridade intelectual já apregoam, nunca terão a justa recompensa do que perderam. Pergunto mesmo: como se compensa a perda de uma vida humana? Respeito, por favor.

É uma Associação completamente apartidária. Não podia ser de outra forma. A questão de abandono a que a nossa região está entregue já não se resolve, infelizmente, no mero debate político partidário. Já todos percebemos que todos os partidos, todos os governos, todos os responsáveis nos vão alegremente ignorando ao longo do tempo. Que nos continuam a deixar entregues à nossa sorte. Basta!!! Precisamos, de facto, de um levantamento cívico para que isso acabe de vez. Precisamos de voz. De palco que nos ofereça capacidade de exigir aquilo a que temos direito. Precisamos de mais civismo e menos política.

Sou eu que tenho dado a cara pela Associação. Continuarei a fazê-lo enquanto aquele grupo de homens e mulheres me continuarem a pedir que lhes dê voz e exponha o seu sentimento. Só me calarei quando sentir que não tenho ninguém atrás de mim. Mas, feliz e infelizmente, são muitos. Somos muitos, de vários concelhos, com grandes problemas, com enormes dificuldades. Não nos calamos!

Também quero dizer, afirmar e oferecer essa certeza: não serei candidato a nenhum cargo partidário nos próximos anos. Não serei candidato à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital nas próximas eleições. Não serei candidato a deputado nas próximas eleições. Não serei candidato a nada. Como já disse, só tenho uma preocupação. Só uma. Que a minha terra volte a recuperar o verde, a alegria e a esperança. Não decidi aqui nascer, mas já fui eu que aqui decidi viver. Amo incondicionalmente a nossa região. O nosso modo de vida. As nossas tradições. A nossa riqueza. E nesta emergência regional, neste desastre enorme, recuso-me a ficar parado a assistir. Basta de abandono! Basta! Não me calo, por mais que ameacem, por mais que partam para a calúnia, por mais que insultem. Não me calo!

Quem vê na minha acção qualquer tipo de aproveitamento político, penso que fica esclarecido com este post, pois, não serei candidato a nada. Não espero que tenham a dignidade de pedir desculpa. São demasiado pequenos para isso.

Para que fique claro. É importante que fique claro. Quero, também, aqui deixar um elogio ao Prof. José Carlos Alexandrino. Ele, ao contrário de outros, mas de forma igual a mim, está preocupado com as empresas e a sua destruição, com as pessoas que estão sem casa, com os familiares de quem perdeu a vida. Ele, como eu, percebe que a nossa região precisa de ter voz e, assim, capacidade de exigência. Ele como eu está concentrado no essencial. Obrigado, Presidente. Sabe que pode contar comigo para ajudarmos a nossa terra e é só nisso que temos, todos, de estar concentrados. E nós estamos porque se o Presidente já não se pode recandidatar eu já acabei de dizer que não sou candidato a coisa nenhuma.

Todos, somos poucos. Eu só sou um e estarei, enquanto tiver forças, ao lado da minha terra da forma em que entenda que a posso servir melhor.

Autor: Luís Lagos

 

 

 

 

Foto: Virgílio Salvador

LEIA TAMBÉM

IP reforça meios de prevenção e limpeza de gelo e neve nas estradas da Serra da Estrela com novo Silo de Sal-gema na Guarda

A Infra-estruturas de Portugal (IP) instalou na Guarda, um novo silo de sal-gema com capacidade …

Incêndios causaram mais de 10 milhões de euros de prejuízos em Seia

Os prejuízos financeiros causados pelos incêndios dos dias 15, 16 e 17 de Outubro no …

  • João Paulo Albuquerque

    Quais são os estatutos da associação, quais são os corpos gerentes, enfim, quem é quem?
    Quem sofreu, fomos todos, e de si, Dr. Lagos, não esperava nada mais do que isto.
    Olhe, porque não funciona a ADI, a ADESA, a BLC3 que já estão formadas e preparadas para tratar destas situações?
    Arranjei vários camiões de ajuda, e ninguém me viu andar a mostrar tal feito. Descrição acima de tudo.
    Depois das ajudas, temos é devemos responsabilizar os irresponsáveis, pois não podemos viver sempre numa república das bananas e de bananas.

  • João Dinis, Jano

    OK Luís Lagos.

    Pois eu cá continuarei a ser candidato ao que entender vir a ser e sem nenhum problema.

    Aliás, a minha maior pena é não poder vir a ser candidato …daqui a 50 anos…pelo menos enquanto tantos destes problemas crónicos – por exemplo com a natureza e o desordenamento da Floresta – não forem resolvidos. Problemas que, no mais profundo das suas maiores causas, têm as políticas agro-florestais “incendiárias” levadas a cabo – “remember ?” – pela União Europeia e por sucessivos (des)governos ao longo já de umas três décadas seguidas!…

    Quanto ao presente e ao futuro, e perante a tragédia e o desastre, eu acredito que Luís Lagos esteja a ser sincero e não premeditadamente calculista. Afirmo até que Luís Lagos tem mérito ao tomar a iniciativa que tomou. Será mais difícil, agora, vir a obter bons resultados pelo que o mais avisado será manter unidade e apartidarismo a todo o custo – não, não estou dizer que sejam “apolíticos” que isso simplesmente não existe neste mundo – .

    Entretanto, há um ou outro companheiro “de route” que não servem por demasiado “chamuscados” pela própria situação da Floresta em que evoluíram estes Incêndios na nossa Região. Luís Lagos conhece-o(s) “de ginjeira”, digamos assim…

    Mas, já agora, sempre dizemos que também registamos esta declaração (supra) escrita por Luís Lagos. Em breve se verá se este escrito é mesmo uma “escritura”…

    Haja saúde !

    João Dinis, Jano