"Quem pode, resiste. Quem não pode, esconde-se".
Desde criança, quando ia ...

O bolo e a faca

… à missa com meus avós sempre achei que Poncio Pilatos era um pouco injustiçado. Continuo a achar. Afinal, Pilatos, governador da Judeia durante uma década, deu ao povo a opção de salvar Jesus: bastaria escolhê-lo para que fosse amnistiado. O povo escolheu Barrabás. Deu no que deu. O povo errou ao escolher o “seu” ungido. Foi o povo, e não Pilatos, o responsável directo pela morte de Cristo.

Hoje, não tenho a opção de salvar Jesus, mas a minha indigente perspectiva, intangível, mas sentida, pode condenar outros Barrabás, fazendo com isso, um pouco de justiça.

Julgo que muitos compreenderão que uma pessoa como eu, não se reduza, na dimensão pública de si, a qualquer caricatura infame com que a queiram emporcalhar. Por isto, e uma vez ultrapassados os limites que impus a mim própria. A farsa chega hoje ao fim. Vou dizer com o mesmo tom acerbo, que usei institucionalmente, todas as razões porque saí da Comissão Política de Secção do PSD. Permito-me fazê-lo, porque uma espécie de gente – demasiado agarotada – e piores que Pilatos, não se abstiveram simplesmente, depois da minha saída.

Foram convenientemente cobardes fora, fazendo-se de justos lá dentro. Por isso. Constatando, que sobre mim pende na mesquinhez das mesas de café, uma factualidade que considero demasiado grave, que não repudia a falácia, o bem falar mentiroso, que trapaceia a minha humanidade impiedosa e rigor moral. A hora por isso mesmo, não pode ser de contrição pungente.

Considero que a mancha como recurso de ataque pessoal, usada por uma penada de garotos, com quem colaborei politicamente no PSD, leva-me a concluir, que só pervertidos podem cogitar assim. São eles, que estão agora a cair na sua própria urdidura. Porque quando se recorre à infâmia, para encobrir incapacidades políticas, estão eles a exteriorizar toda a sua perfídia. Quem não deve não teme, diz o sabedor povo. Que o povo dê uma lição a quejandas figuras. Bem precisam.

Posto isto. Devo afirmar, ter muita tranquilidade, sobre as razões que me levaram a sair da CPS. Ao ponto de afirmar, que se tiver de me arrepender de alguma coisa, foi de ter cedido antes aos apelos da minha sensibilidade para ficar. Apesar de ter sido um dilema sofrido durante muito tempo, sobre em que momento ia deitar a toalha ao chão e dizer, desisti. Saí da Comissão Politica de Secção do PSD, porque coisas há, na vida, que têm de obedecer a uma lógica. E continuar do lado de dentro, deixou de ter lógica para mim, a partir da noite de 15 de Julho.

Saí farta de levar com o ressabiamento da larga maioria da CPS. Pelo facto de ter assumido em debate interno, que nas eleições directas, a minha preferência recaía pela militante Manuela Ferreira Leite. Entendi, no momento da minha saída, que também lá dentro, podia brincar-se várias vezes ao ressabiamento, mas não sempre. E a sua vitória, devia comprovar a todos, que não se deve fazer recair sobre cenários políticos, juízos de valor e atribuições valorativas sobre pessoas: tenham ou não sido, as ministras da nossa classe profissional! Em política, as banalidades, não devem prevalecer, em desfavor de juízos de convicção e juízos de probabilidade. Pessoalmente, tinha a opinião, modesta, que onde estivessem os dividendos daqueles que havíamos derrotado tão proximamente nas eleições internas, era onde devíamos estar, por antecipação. Era isto e só isto, que devia – na minha opinião – definir a linha e a substância política, de líderes e liderados dentro da CPS.

Saí despeitada, por um Vogal da Comissão Política, que de modo desrespeitoso, despropositado e desproporcional, me afrontou pessoalmente. E não houve ninguém dentro daquela CPS, que tivesse achado que perante um ataque seboso, a minha pessoa merecesse ser defendida, diria mesmo salvaguardada. É a única mágoa que tenho a quem é líder, honestamente. Porque nunca estive tão perto de uma situação, caracterizadora de que os loucos podem, de facto, tomar conta do hospício.

Saí porque como liderada de José Carlos Mendes, não podia nem devia admitir, que não existissem consequências, ante as afirmações de um dos dois Vice-presidentes. Aquelas afirmações públicas, deixaram a quem tem vergonha na cara, o consequente embaraço. E não só mataram a CPS, como fizeram capitular o indeclinável crédito junto dos militantes. Para mim era clara e necessária, a sua demissão. Porque nunca me permiti a ser capacho de ninguém. Limitei-me a dizer o que pensava. Porquanto, em momento algum, me tornaria quota-parte dos capachos, que externamente, parecem querer urdir a estratégia do PSD.

Saí porque estive na CPS para partilhar. Coisa diferente de ter de assumir ter estado para trabalhar, coisa que efectivamente aconteceu. Porque não concebo a funcionalização daquela concelhia, não quis continuar a trabalhar para primas donas, que estão nos arrabaldes daquela CPS, para alcançarem cargos de responsabilidade, sem que para isso tenham dado quaisquer provas de merecimento ou sustentabilidade, enquanto outras numa postura histérica, reclamam do lado de dentro direitos e portam-se como baratas tontas.

Saí porque existia uma incompatibilização de fundo, entre a minha pessoa, e a generalidade das pessoas da CPS que não escolhi e que para surpresa minha, há muito cederam aos moldes de um bloco central de interesses, que os arrume numa lista de independentes.

Saí numa altura em que tudo ficou por fazer! Mas saí. Fi-lo sobretudo por aqueles, que não se furtaram a admitir mais tarde, que contra mim, foi feita uma encenação, com o objectivo, não de provocar a saída de dois vogais, mas de calar uma voz – a minha – que soprava sempre para o lado do vento, estivesse este virado para que lado fosse.

Saí. Mas mantenho a enorme simpatia pessoal por aquele de quem fui liderada alguns meses, em relação aos qual mantive uma postura de total lealdade e de disponibilidade responsável. José Carlos Mendes, é um homem de uma autenticidade irrepreensível. É alguém de quem se gosta facilmente, e acredito seriamente, que detenha uma fundada vontade de fazer alguma coisa pelo concelho. Mas José Carlos, tem um defeito político comportamental: não sabe bater o punho na mesa, e a sua enorme simplicidade, pode ser confundida com falta de inteireza ao nível político. E o PSD precisa do que o próprio país precisa. De um projecto, um rumo, um político competente, trabalhador, forte, corajoso, capaz de liderar políticas difíceis, que busque a razão, mais que o consenso.

Posto isto. Não contem comigo para atacar gratuitamente ninguém. Isto só vem a público, porque nem aos meus que estimo muitíssimo, admito, juras sobre a Bíblia, para logo a seguir me trapacearem. Quanto mais aqueles que não conheço de parte nenhuma. Para quem na prática, a teoria é outra…

Escolhi os meus Barrabás. Porque não troquei a decência por outras moedas, moedas que Judas teve, ao menos, a decência de desprezar.

Lusitana Fonseca

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