O Cartão de Cidadão, a falta de rampa de acesso ao Registo Civil de Oliveira do Hospital e o martírio de António Marques

O Cartão de Cidadão, a falta de rampa de acesso ao Registo Civil de Oliveira do Hospital e o martírio de António Marques

Tirar o Cartão de Cidadão transformou-se num verdadeiro pesadelo para António Marques, um homem de 50 anos que sofre de uma doença degenerativa rara que o impede de se separar da sua cadeira eléctrica. A inexistência de uma rampa de acesso destinado a quem tem dificuldades de locomoção, como determina a lei, no Registo Civil de Oliveira do Hospital, obrigou os próprios funcionários dos serviços a prestarem a ajuda para colocar António Marques e a sua cadeira, que só por si pesa mais de 200 quilos, no interior do edifício. A última segunda-feira não será esquecida tão cedo por este homem.

10822031_866030813416844_1279804163_o (Small)“Foi muito triste, não gosto de dar nas vistas e passei por todo aquele aparato. O que devia fazer em poucos minutos levou mais de uma hora de espera. Bastava uma rampa para evitar aquilo tudo. Existe ainda uma grande falta de respeito por pessoas como nós”, conta António Marques ao CBS, que não se conforma com a forma como a lei é ignorada. “Está previsto que estes edifícios têm de ter condições de acesso, não só para casos como o meu, mas também para pessoas idosas que não podem subir escadas. Mas não parecem ligar”, refere, esperando que este alerta e o aparato que envolveu a sua entrada no Registo Civil ajude a alertar as autoridades.

“Não compreendo como o elevador da biblioteca pode estar inactivo e a autarquia responder dessa forma”

“Até a Câmara Municipal que fica logo ali e, embora não tenha responsabilidades sobre aquele edifício, tem a obrigação de zelar pelo bem-estar de todos os munícipes e poderia facilmente construir uma rampa”, continua. “O problema é que esta gente, felizmente, se calhar não tem familiares nestas condições, mas não se podem esquecer que de um momento para o outro podem passar a necessitar”, diz, recordando com alguma tristeza a forma como a autarquia respondeu recentemente ao CBS sobre o elevador que se encontra há muito tempo avariado na biblioteca municipal e que impede a circulação de deficientes entre os diversos pisos. A resposta, na altura, recorde-se, foi que “a autarquia nada tinha a dizer sobre o assunto”. E, entretanto, o elevador continua fora de serviço, como ontem verificou o Elevador da Biblioteca Municipal parado, autarquia recusa comentarCBS. “Já o utilizei uma vez e não compreendo como pode estar inactivo e a autarquia responder dessa forma”, refere António Marques.

“É a tal falta de sensibilização destas pessoas para com quem tem dificuldades. A tecnologia vem-nos ajudando a superar as nossas complicações. Os senhores que mandam, no entanto, são incapazes de suprimir pequenas barreiras”, continua António Marques que aos 10 anos de idade começou a sentir os efeitos da doença e pouco tempo depois estava confinado a uma cadeira de rodas e a quem deram uma esperança de vida de 30 anos. “Já estou cá há 20 a crédito”, sorri. Mais tarde, quando tinha 30 anos, teve a sua cadeira eléctrica e a capacidade de se movimentar por quase todo o lado. “Com estas tecnologias poderia ir a todos os lados, mas existem as barreiras físicas. Para ir a um restaurante tenho de telefonar antes, mas para ir aqui ao Posto Médico de Avô não posso, como não posso ir à Junta de Freguesia. São edifícios antigos, entendo, mas somos pessoas e também temos direito a que as leis sejam cumpridas”, remata.

“Câmara Municipal renovada por Carlos Portugal tem todas as condições e Mário Alves teve sempre atenção a esse aspecto”

O edifício dos Paços do Concelho de Oliveira do Hospital, pelo contrário, encontra-se perfeitamente adaptado às necessidades dos deficientes. “Quando foi remodelado, o Presidente da altura, Carlos Portugal, e o responsável pelo pelouro das obras, Mário Alves, fizeram questão de incluir duas rampas de acesso ao edifício e de Deputados municipais não receberam dentro dos prazos legais documentos de suporte da agenda para AM da próxima sexta-feirainstalar um elevador que serve todos os pisos”, conta uma fonte que acompanhou o processo. A mesma fonte elogia ainda a atitude do antecessor de José Carlos Alexandrino na presidência da autarquia, Mário Alves, por ter tido esse facto em atenção em boa parte das obras. “O projecto da Biblioteca Municipal assim como parte da obra foi executado durante o seu mandato e incluiu os elevadores, o mesmo aconteceu na Casa da Cultura César de Oliveira, onde, apesar da impossibilidade de se instalar uma rampa de acesso exterior, teve o cuidado de colocar no interior um elevador para que os deficientes tivessem acesso facilitado ao segundo piso, onde funcionava o espaço internet”, sublinha ainda a mesma fonte, frisando também que o estacionamento subterrâneo, bem no coração da cidade, não foi esquecido tendo sido equipado com o respectivo elevador. Esta fonte garante ainda que Mário Alves teve a preocupação de colocar o elevador junto aos lugares de estacionamento destinado a deficientes.

A responsável técnica do Lar Nossa Senhora da Assunção em Avô reconhece que ainda existem muitos entraves a quem tem dificuldades de locomoção. “Mas este caso foi o que nos chamou mais a atenção pelas dificuldades que encontrámos, já que se trata de um serviço em que a presença do próprio é absolutamente necessária e existem muitas dificuldades de acesso”, conta Anabela Veloso, esperando que estes edifícios depois de várias alertas, como este,  venham a sofrer as imprescindíveis e obrigatórias adaptações.

 

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  • Ando esquecido

    Qual foi a frase da campanha? Já não me lembro!
    Espera aí, já sei era “Tudo pelas pessoas”.
    Já nem digo tudo, mas aí mesmo à frente dos vossos olhos, façam lá uma rampita, nem que seja metálica, de tirar e por. É que há pessoas que não querem tudo, mas precisam dos mínimos.

  • Politicalex

    Afinal, o”TUDO PELAS PESSOAS” , virou em: “TUDO PARA LIXAR AS PESSOAS MAIS NECESSITADAS”.Senhor Presidente: Já reparou porque é que o seu Presidente da Assembleia Municipal bateu em retirada e disse: “VOLTA MÀRIO ALVES QUE ESTÀS PERDOADO”..? Quando é que descobre que: “TUDO PELAS PESSOAS”, é algo mais que festas e bola..?

  • Sr. Viegas

    Tudo ou nada! Em Alvôco reina o alcatrão, em Lagares e Nogueira a bola, e para umas simples rampas dizem que não? Equidade estranha…

  • PSD def.

    Como é que alguém em cadeira de rodas pode ir ao Cinema?
    É que uma fonte contou-me que queria ir jogar cartas com o Mário Alves e não conseguiu, pois o elevador que lá está é seletivo só dá para o 2.º piso e ainda por cima foi mandado construir pelo antigo Presidente!
    Essa mesma fonte também me revelou que nas psicinas interiores (projeto de Executivos PSD) não é possível o acesso a pessoas com deficiência física!
    Sugiro ao Sr. Jornalista que procure outras fontes e outras Histórias, vai ver que encontra. Assim haja interesse!

    • Fonte Nova

      Um deficiente motor, para ir ao cinema tem que ser ajudado. Brutidades do César de Oliveira que devia ter previsto essa situação, mas nem lá dentro colocou o elevador, teve que ser o MA.
      Jogar cartas na “Casa da Cultura”, essas suécadas é nos tascos, ali têm que ser jogos culturais tipo Xadrez. Tu e a tua fonte jogam é a par com os ursos.
      Não é possível o acesso ás piscinas interiores a pessoas com deficiência física? Deves estar a brincar, qual é a tua fonte afinal? Deve ser a do Ameal, por isso é que andas a pensar confundido.

      • Tontinho

        O elevador da Casa da Cultura de nada serve pois só vai para o 2.º piso, ver as exposições, é claro – mais um investimento muito bem pensado e sensato do MA;
        Como é que uma pessoa com deficiência vai para a piscina interior? Desconheço essa acessibilidade, esclareça-nos?

  • Politicalex

    Admitindo que o dito pelo “PSD def” é verdade, o que andou a fazer a atual Cãmara que, em cinco anos, ainda não corrigiu? Não foi por o MA ser descuidado e decidir “mal” que perdeu a Câmara? Ele, fez “mal”, mas fez. Corrigir é mais barato…não? Não foi para corrigir e mudar de política, que votámos em Vosselências..? Alguém lhe pediu para relvarem os Campos da Bola? Alguém lhes pediu festa rija por tudo e por nada? Porque as fazem? Se sabem dos defeitos porque não os corrigem..? E porque aumentaram, em 67%, os preços baixos da água? E porque cobram taxas para guardar as crianças na hora de almoço.O anterior executivo cobrava? Não tinha um belíssimo preço na água.O dinheiro dava para isso.Agora não porquê? Cortaram? Então porquê campos e festas..? Nem vos ofendo as mães, porque não têm culpa dos actos de quem geraram. Cambada de chico espertos, irresponsáveis…

    • Susana Brito

      Partindo do principio que, com a diversão do pessoal ganha a satisfação dos mesmos, quer isso dizer que são votos para as próximas eleições. Realmente quem viu e quem vê Oliveira do Hospital. Embora só vá de passagem duas ou três vezes por ano, vejo que o que antes não tinha (diversão, festas por tudo e por nada) na minha opinião (vale o que vale) agora tem em demasia. Quero com isto dizer que dão mais importância a festinhas (por tudo e por nada) e esquecem-se de pormenores tão importantes como este que se “discute” aqui. Subscrevo na integra o comentário do Sr. Politicalex… Acrescento só que sou natural de Oliveira do Hospital e não me arrependo nada de ter saído da cidade há 10 anos…

  • Observador

    Ponham os olhos nesta notícia e deixem-se de lavar roupa suja em assuntos de empresas e incubadoras. Só vejo pessoas a falarem de assuntos que não conhecem, mas que também não têm interesse em conhecer. É mais fácil criticar e apontar o dedo, mas quem fala e critica absurdamente são pessoas que nunca fizeram nada pela região e pessoas que não sabem o quão importante é manter Oliveira do Hospital com um espírito jovem. Abram os olhos!!

    • Guerra Junqueiro

      Lavar roupa suja?
      Como sabe que a roupa está suja?
      Por enquanto só se questionou se tinha nódoas. Ainda ninguém veio dizer que fizeram o teste do algodão, e branco mais branco não há.
      É preciso é manter Oliveira com a seriedade que lhe era habitual.

      Cumprimentos
      Guerra Junqueiro

    • Assurancetourix Das Beiras

      Observe bem, caro Observador: olhe que nem todas as críticas são absurdas. Há quem esteja atento. E cuidado com as generalizações: quem mais faz pela cidade, pelo concelho e pela região está em melhor posição de criticar. Por uma simples razão: há quem dedique anos de vida e os seus próprios recursos a tentar contribuir para o desenvolvimento de Oliveira do Hospital, e comece a fartar-se da falta de equidade e do facilíssimo e gajo-porreirismo que se vão disseminando.

      Há quem leve uma vida de trabalho, estudo e dedicação ao Concelho e às suas instituições, e veja o mérito que lhe é devido ser ignorado, em prol do pagamento de favores a”abandores de bandeiras”.

      Observe…

    • Explica para Mim

      Explica para mim, “observador”.Sabes o que estás a dizer? O que faz uma empresa de consultadoria na BLC..? Foi para esse tipo de empresas que foi criada? Ou foi para a investigação e inovação..? O tipo de “inovação” da empresa visada, viste como acabou, ao fim de meia dúzia de meses de ter nascido..?

  • Barão de Oliveira

    Seriedade habitual….
    Deve ser aquela em que os Presidentes de Junta tinham que passar o dia na Câmara para falar com o MA e depois eram atendido mediante o estado de espírito.
    Também deve ser aquela que se comiam ricas vitelas.
    Ou aquela em que o Ervedal viu serem feitas inúmeras obras da responsabilidade do MA…

  • Politicalex

    Não se andava a contar histórias. Agora, recebem-nos, muitas falinhas mas, depois, ficam a olhar para o caminho e para o rol das promessas. Naquele tempo algum se demitiu? Com tanta maravilha o de Avô foi porquê..? Naquele tempo havia quem oferecesse vitelas. Agora é o festanço pago pela Câmara, melhor, por todos nós. Quanto se gasta em castanhadas, porcadas, queijadas, expoadas? É festa por tudo e por nada. No intervalo é para a bola. Agua mais 67%, taxas nas escolas…Alguém tem que pagar a folia..Tudo o que serve o Povo, especialmente os mais necessitados, está ao abandono .Os serviços da Câmara tudo mais caro..! Agora arranjaram outro desporto…Carpir pela inocência do Sócrates…Inocente? Vai lá vai…

  • Zé Montanelas

    Tanto se escreve e nada
    se diz por aqui, a pessoa em causa é um cidadão de mobilidade reduzida convém chamar as coisas pelos nomes, não é como o fulano “Fonte Nova” que até escreve deficiente, não serás tu o deficiente mas de cabeça.
    Em OHP existem variadissimos sitios sem rampas de acesso, aliás existem construções muito recentes sem rampas, como foi possivel a vistoria ser favorável ? Edificios públicos sem acesso a todo e qualquer cidadão deveria ser fortemente penalizado. Alex e companhia de tansos, tomem lá Decreto

    Lei n.º 123/97 de 22 de Mai.
    Deixem de falar antigos presidentes alguns até falecidos, denunciem os problemas que são muitos no nosso concelho e critiquem duramente aquela que é a pior câmara desde o 25/04/1974, algo nunca visto.

    • Para espertos

      Zézinho, tu montas é tunhos.
      O Fonte Nova escreveu ‘deficiente motor’ e ‘pessoas com deficiência física’.

      Primeiro aprendes a ler, depois é que comentas.

  • Politicalex

    Já não há quem defenda ” o regime”..? Será que depois da constatação de tantos factos e tanta asneira feita, vão pedir a demissão..? Em boa verdade, só peca por tardia…

  • Politicalex

    10 anos para Duarte Lima…! E comunistas..? Sabem de algum a contas com a justiça..? De facto, não são todos iguais..! Uns roubam, outros defendem valores..!