“O contributo que Paulo Rocha dará ao concelho merece o apoio e confiança do presidente da Assembleia Municipal”

 

Uma postura que assume enquanto presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital.

António Lopes, um dos responsáveis pela candidatura de José Carlos Alexandrino à presidência da Câmara Municipal e por isso, determinante na mudança da liderança autárquica ocorrida nas eleições de outubro de 2009, vê de bom grado a anunciada admissão de Paulo Rocha no seio da equipa socialista.

Uma postura que – esclarece – decorre da sua condição de presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital e daquilo que são “os interesses do concelho”.

“Eu considero que uma solução maioritária serve de suporte às decisões da Câmara Municipal, por isso, não poderia ter outra postura”, refere António Lopes ao correiodabeiraserra.com assegurando não estar, porém, disponível para alterar a sua postura enquanto proprietário do jornal Correio da Beira Serra, onde – assegura – continuará a vigorar “um debate sério e construtivo e de livre arbítrio dos leitores”.

Ultrapassado que está um processo contencioso em que estava envolvido o então deputado António Lopes e presidente da ADEPTOLIVA por alegadas difamações proferidas pelo primeiro relativamente ao funcionamento da escola profissional – o atual executivo colocou fim ao processo com Paulo Rocha a mostrar-se contra por ali verificar favorecimento político – ambos os protagonistas políticos se mantêm envolvidos num outro processo judicial por tratamento considerado ofensivo na secção de comentários na edição digital do Correio da Beira Serra.

“O António Lopes é o António Lopes e o presidente da Assembleia Municipal é o presidente da Assembleia Municial”, esclarece o homem que para sempre vai estar ligado à queda do reinado de Mário Alves que, no último mandato autárquico contou com Paulo Rocha como seu braço direito.

Em causa estava uma gestão autárquica que muitos reparos mereceu e que teve no então deputado municipal António Lopes um dos principais opositores.

Uma situação que, agora, não deixou de pesar na tomada de posição de António Lopes, mas que acabou por resultar num voto de confiança ao novo elemento do executivo em permanência.

“Pessoalmente posso ter algumas reservas quanto à gestão anterior, mas não responsabilizo Paulo Rocha, porque não era ele o líder do executivo”, sublinha António Lopes reconhecendo no vereador – no final de setembro desfiliou-se do partido que o elegeu, o PSD, tornando-se independente – “qualidades que podem de alguma forma trazer a maioria democrática que o método de Hondt permite”.

O presidente da Assembleia Municipal lembra que, numa primeira fase, o executivo de Alexandrino tentou alcançar, sem sucesso, a maioria junto dos independentes “Oliveira do Hospital Sempre” e que agora não desperdiçou a oportunidade de chamar até si o independente Paulo Rocha.

“Penso que José Carlos Alexandrino esteve bem ao convidá-lo e que Paulo Rocha esteve bem em termos políticos e dos interesses do próprio concelho”. Por dentro de todo o processo – “há cerca de dois ou três meses o presidente da Câmara consultou-me acerca desta situação”, contou – António Lopes valoriza ainda a postura de Paulo Rocha que “também está a correr riscos políticos”.

Neste domínio, Lopes chega a verificar uma certa semelhança com um percurso que também ele já se viu obrigado a percorrer. “Dou-lhe o meu aplauso por, tal como eu, em situações adversas abdicar de certos valores a bem do concelho”, argumenta valorizando a cedência política e o “diálogo democrático pela melhor gestão dos destinos do concelho no momento em que a vida nacional obriga a que se esqueça o que nos divide, em prol daquilo que nos possa unir”.

Neste domínio volta porém a clarificar que “aquilo que divide Paulo Rocha de António Lopes e do Correio da Beira Serra não tem nada a ver com a posição política tomada”. “As divergências são pessoais e fico disponível para continuar a tomar as decisões que entender”, continua, garantindo, porém, que “o contributo que Paulo Rocha dará ao concelho merece o apoio e confiança do presidente da Assembleia Municipal”.

“Paulo Rocha é PSD convicto, como eu sou comunista convicto”

Na hora de antecipar cenários paras as próximas eleições autárquicas, António Lopes recusa-se a acreditar numa possível união entre Alexandrino e Rocha no âmbito de uma possível candidatura à Câmara Municipal.

“Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Quero acreditar que ele é PSD convicto, como eu sou comunista convicto”, refere, recorrendo também ao lugar comum de que o “futuro a Deus pertence”. No que respeita ao seu próprio caminho autárquico, António Lopes disse não ter intenções de se recandidatar à Assembleia Municipal, ainda que – como contou – o presidente do partido já lhe tenha demonstrado interesse para que continue.

“Dei o meu contributo numa altura em que era preciso alterar o rumo do concelho e já cumpri a minha missão”, refere, assegurando que “na altura própria” fará as suas análises e tomará a decisão sobre o caminho a seguir.

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