“O demitido”. Autor: António Lopes.

Ao longo da nossa história, no conflito de interesses que a vida política sempre protagonizou e que, no fundo, é a sua essência, tivemos alguns destronados. De repente, estou a lembrar-me de D.Sancho II e D. Afonso VI., no absolutismo, D.Miguel I nos alvores do liberalismo e por legalidade controversa.

À cadeira em que se sentavam, quando em cerimónias oficiais, normalmente colocadas num plano elevado, chamava-se trono. Daí “Destronados”.
Nos nossos tempos a cadeira, normalmente, já não se coloca em plano elevado, embora quase sempre, tenha algo que a distinga. No caso da “minha”, as costas mais altas. Talvez por isso: “O demitido”.
Vem este “intróito” a propósito de uma notícia da Rádio Boa Nova, que me distingue como “o político do Ano”,

“António Lopes O demitido”:

Agradecendo a atenção e o título, aproveito o ensejo para endereçar as Boas Festas e os votos de Ano Novo aos profissionais e colaboradores daquela rádio. Não podendo comentar lá e para não deixar o reparo para o ano que vem, deixo aqui, algumas considerações.

“Rainha de Inglaterra”: Talvez pegando nesta minha expressão (presunção minha) o ex-Procurador Geral-Pinto Monteiro, utilizou a mesma expressão, que se usa quando se tem um cargo onde se decide (manda) pouco ou nada. Porque não me debruçava, tanto quanto o faço hoje, sobre os poderes e importância do cargo de Presidente de Assembleia Municipal, efectivamente, assim pensava. Aliás, várias vezes expliquei o sentido da frase. De facto, a Rainha de Inglaterra é a soberana de 15 Países e líder de uma comunidade de cerca de 50! Mas têm-se a ideia que é um cargo meramente representativo.

“O Demitido”: Em bom rigor, jamais poderei ser “demitido”. Numa democracia madura, como se pretende seja a nossa, a soberania está no Povo. Ao Povo disseram quem era o candidato ao cargo. O Povo, na sua soberana decisão escolheu. Por mais voltas que se dê ao texto, por mais leis que se invoquem e nós conhecemo-las, esta é uma verdade de Lá Pallisse. Que a possibilidade existe, existe, e por isso foi usada. Mal, digo eu. Mal irá quando as leis se sobrepuserem à vontade do Povo: A isso chama-se: Ditadura!!!

Até que os tribunais demonstrem o contrário, e mesmo que o mostrem não invalidam o atrás dito, serei, quando muito: “O Suspenso”.

Até lá, e como diz a notícia, já protagonizámos vários inéditos e, cremos pensar, se o Criador não nos acertar as contas antes do que prevemos, que mais uns tantos ainda havemos de protagonizar. Somos dos que pensam: “só é vencido quem desiste de lutar”. Também somos dos que acreditamos no chavão: “a razão, mesmo vencida não deixa de ser razão”.
Alguém alguma vez imaginou ver um comunista sentado na “cadeira da costa alta” em Oliveira do Hospital? E o comunista alguma vez escondeu que o era? Alguma vez enganou alguém? O Comunista, desde que se envolveu nesta caminhada, não defendeu sempre, os mesmos valores ideais e princípios? O que era um “Case Study” para o então director do CBS, e “uma força da Natureza e um homem com um coração do tamanho das 21 freguesias” para o então líder do PS e “merecedor de uma estátua” como dizia o actual presidente da Câmara, mudou alguma coisa? O que era bom para combater o então presidente da Câmara, nas mesmas condições e desvios, não é bom hoje? Porquê? Foi “O demitido” que mudou, ou foram os que o demitiram? Mudaram da oposição para o poder. Mudaram da crítica para o erro acrescentado. Hoje, afirmo e provo, a gestão pública tem menos rigor e piores opções. O pretenso diálogo é só aparente e de fachada. Aí daquele que contrarie…!(Como se prova). A descriminação, acentua-se a vários níveis. O proteccionismo partidário confrange. A gestão da comunicação social, envergonha.
Carrego com prazer e alguma felicidade o epiteto de “Demitido”. Não quero é carregar o de traidor.
Traidor, não à bandeira por que dizem fui eleito, que não traí, porque fui independente, e porque nunca lhe jurei fidelidade. Antes pelo contrário.
Não quero ser traidor aos compromissos que, pessoalmente, em nome da candidatura, assumi de: “TUDO PELAS PESSOAS”. É a única lealdade a que me sinto vinculado e tudo farei para não desmerecer: “Tudo pelas pessoas”- todas”. Não por e para algumas pessoas.
A CADA, já deu um ar da graça. Esperemos calma e serenamente pelos desenvolvimentos. O Inverno começou há dias. Muita água vai passar debaixo das pontes. Muitos “inéditos” temos para presenciar.
Da minha parte, pelo Concelho, tudo.
Um BOM ANO NOVO a todos os Oliveirenses

18358_104921412866749_2458428_nAutor: António Lopes

 

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  • Guerra Junqueiro

    Bom Ano Novo para si também, caro “Suspenso”.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • João Paulo Albuquerque

    Sr António Lopes;

    Parabéns por ter sido a personalidade política concelhia de 2014 e, acreditando que vai voltar a ser em 2015, deixo-lhe este trecho notável de Agostinho da Silva:

    “Todo o ambiente é favorável ao forte; de um modo ou de outro ele o ajuda a cumprir a missão que se impôs e a conseguir ir porventura mais além das barreiras marcadas. A derrota deve mais atribuir-se à invalidez do impulso interior do que aos obstáculos que lhe ponham diante, mais à alma incapaz de se bater com vigor e tenazmente do que às resistências, às invejas e às dificuldades que o mundo possa levantar perante Hércules que luta.”

    Com mais ou menos dinheiro, com mais ou menos lucidez mas com a mesma força lutadora, desejo-lhe um feliz 2015.

    Abraço
    João Paulo Albuquerque

  • Guerra Junqueiro

    Têm é que admitir que demitido não admite tantas admissões.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro