São de alarme e preocupação os números do desemprego em Oliveira do Hospital. Quase o dobro da média nacional!

O desemprego

Está aí o grande e premente problema do concelho, a necessitar da atenção de todos. A merecer medidas do governo autárquico e a exigir colaboração da sua oposição.

Seria desejável que da próxima reunião da Câmara Municipal resultasse já uma vontade clara e objectiva de trilhar o caminho das soluções. Estou certo que assim será. Como estou certo que não teremos mais reuniões marcadas pela birra votante de uns e a sobranceria pedagógica de outros. Que todos levarão à próxima reunião propostas e soluções que ajudem o desemprego oliveirense a passar do dobro para a metade da média nacional.

Eu, por aqui, humildemente, deixo o meu contributo para essa discussão e procura de soluções. Deixo a minha colaboração cívica, que acho que, no e pelo momento, a todos é exigida e por todos é devida.

Como diria e dirá, certamente, um ex-Presidente do Município, “a Câmara Municipal não cria empresas”, que é o mesmo que dizer que a solução do desemprego não passa pelos paços do concelho. Na minha, modesta, opinião, que me desculpe o anterior Presidente do Município, nada mais errado e nada mais sem sentido pode afirmar um responsável político camarário.

O poder autárquico tem uma importância decisiva na criação de empresas e emprego pelo seguinte:

– Em primeiro lugar, pelo tipo de investimento público que promove. Claro que se fizermos um silo automóvel o único posto de trabalho que criamos é o do vigilante do parque. Agora, se apostarmos na construção, por exemplo, da primeira fase da ESTGOH, terminando com o constrangimento físico ao seu crescimento, mesmo que tal não seja responsabilidade directa do poder municipal, vamos, a prazo, trazer mais gente para o concelho e, por consequência, criar mais postos de trabalho, quer na escola e seus serviços, quer fora dela. E assim beneficiamos a escola, o concelho e todos os munícipes.

– Em segundo lugar, pela criação de espaços adequados à instalação empresarial. Sem espaço, torna-se impossível aparecerem empresas. Com espaço, elas aparecem, de certeza. Basta estarmos atentos à Zona Industrial de Vila Chã – Seia, onde criado o espaço, começaram rapidamente a germinar empresas. Agora, quando falo de espaço, falo de uma Zona Industrial condigna e não como a actual, que, para além da crónica falta de espaço, nem sequer chega a ter saneamento básico. Oliveira do Hospital precisa, para ganhar capacidade de criação de empresas e, por conseguinte, de emprego, de criar uma nova Zona Industrial na periferia da cidade, mas que seja um espaço dotado de um loteamento adequado, saneamento básico, electricidade, gás, etar e um espaço inter-empresas, de propriedade municipal, com várias valências, incluindo a incubação empresarial.

– Em terceiro lugar, o poder autárquico tem a obrigação de ser o agente canalizador do diálogo da comunidade empresarial existente com a ESTGOH. Juntar o saber e dom negocial à ciência e retirar daí vantagens competitivas para o concelho. Como tem a obrigação, pela sua importância empregadora, de dialogar e reunir as empresas têxteis do concelho, saber das suas dificuldades e auxiliá-las no que contribua para o seu revigoramento e sedimentação no concelho.

– Em quarto lugar, e aplaudo desde já o actual Presidente, fazer lobing pelas vias de acesso. Sem boas vias de acesso e transporte ficamos condenados ao isolamento. Ninguém quer instalar empresas em zonas distantes da centralidade das decisões e dos centros de consumo. Por isso é que continuamos a não ter empresas na Zona Industrial do Seixo e o Presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra, mesmo oferecendo água, luz e pavilhão às empresas que se queiram instalar no seu concelho, continua a não ter lá nenhuma.

Muito mais há a fazer e dizer. Mas, para reduzir para metade o desemprego, já bastaria que, nos próximos quatro anos, tenhamos um investimento público selectivo, que seja potenciador da criação de emprego, que construa novas instalações à ESTGOH, que rasgue uma nova Zona Industrial com um digno conjunto de valências, que saiba entrelaçar a empresa com a ciência, que saiba ouvir e dialogar com os empresários e que seja insistente e persistente junto do poder central na exigência de melhores vias de acesso para o concelho.

Luís Lagos
Vice-Presidente do CDS/PP

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