O Homem sonha, a obra nasce…

…  outro velho sonho: constituir uma associação de damas e xadrez – a “oito por oito” .

Colocado numa cadeira de rodas desde os 19 anos, por sofrer da grave doença de “Ataxia de Friedrich”, Rui Bernardino já foi notícia nas páginas deste jornal quando decidiu falar sobre o seu quotidiano centrado na pacata vila de Lagares da Beira, num bar de que é proprietário há 11 anos.

Apesar da doença e dos preconceitos que hostilizam muitas pessoas portadoras de deficiência, Rui, com 30 anos, não se deixou vencer e, no dia 15 de Junho deste ano, alcançou aquele que era o seu principal sonho: o casamento.

“Pensei que nunca me ia casar, mas isso já está ultrapassado. Eu já tinha este sonho arrumado, mas a Michelly (a actual esposa) veio tirá-lo do fundo do poço”, desabafou na altura o jovem lagarense ao Correio da Beira Serra.

Talvez inspirado na velha máxima de Pessoa, quando “alertava” que “Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce”, Rui acaba no entanto de conquistar outro velho sonho: constituir uma associação de damas e xadrez – a “oito por oito”.

O projecto já era antigo, mas começou a ganhar forma quando Rui se apercebeu da imensidão de cibernautas que utilizavam a Internet para jogar um dos jogos mais populares do mundo.

Num “tabuleiro online”, partillhou muitos jogos com cidadãos de todo o mundo. Mas, num fim-de-semana de Agosto, nos dias 16 e 17, nada melhor do que jogar ao vivo naquele que era o primeiro torneio da “oito por oito”.

O resultado não poderia ser mais positivo, já que contou a participação de cerca de 30 jogadores de damas e xadrez. Alguns, vieram dos concelhos vizinhos de Seia e Tábua.

“Com bastante apoio da Junta de Freguesia de Lagares da Beira e de vários amigos”, Rui, que é agora o presidente da associação já formalizada no papel, conta que um dos seus principais objectivos “é ensinar os miúdos das escolas a aprenderem a jogar xadrez e damas”. “É bom para lhes estimular a mente e até os ajuda a aprender Matemática mais facilmente”, sublinha o agora dirigente associativo.

Lembrando que foi no tempo em que estudava em Oliveira do Hospital que aprendeu a gostar e a jogar às damas e ao xadrez, Rui ainda se recorda de na altura existirem “muitos tabuleiros” na escola.

Hoje, lamenta, “há escolas que não têm um único tabuleiro de damas ou de xadrez”. Portador da mesma doença, o tio, António Abreu, também foi decisivo “aí há 20 anos atrás” para que o Rui ganhasse apetência pelos jogos de tabuleiro.

Quanto ao futuro, Rui Bernardino pretende para já angariar sócios, entrar nas escolas e convencer a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Oliveira do hospital, Fátima Antunes, a ceder um espaço à “Oito por Oito” na Biblioteca/Ludoteca de Lagares da beira, com vista à dinamização das damas e do xadrez .

“Estamos à espera de uma reunião, porque sem um espaço é difícil organizar torneios”, afirmou ao CBS online o autor de uma iniciativa pioneira no concelho de Oliveira do Hospital”

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