“O KIKAS” está de portas fechadas

A fazer parte, desde há alguns meses, do domínio público oliveirense, o caso “KIkas” teve hoje o seu epílogo.

A instituição que prestava serviço educativo a cerca de 90 crianças, distribuídas por várias valências e até ensino do 1º ciclo privado, e que teve a sua génese a partir da Casa da 1ª Infância, encerrou hoje as suas portas.

Com um passivo na ordem dos 300 mil Euros – só o proprietário do edifício é credor em 70 mil Euros – a instituição foi declarada insolvente e colocou no desemprego mais de uma dezena de profissionais educativos, que também acumulavam salários em atraso.

Em causa está uma situação de insustentabilidade financeira, já assumida a este diário digital pela própria responsável do espaço, que também admitiu uma prática de “má gestão” associada à instituição de cariz privado.

Este desfecho já esperado foi, contudo, precedido por vários episódios, dos quais se destacam o pedido de apoio que os próprios encarregados de educação dirigiram à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, há cerca de um ano.

Desde então, “O KIKAS” entrou definitivamente no domínio público, chegando até a instituição a ver negado um subsídio de 50 mil Euros, que apesar de proposto pelo presidente da Câmara não colheu aval da maioria do executivo.

Foi contudo o pedido de insolvência, recentemente apresentado pelo proprietário do imóvel no tribunal de Oliveira do Hospital que, agora, colocou termo à atividade da Associação de Solidariedade Social “o KIKAS” e  “Casa da 1ª Infância”.

“Acredito que, segunda-feira, possamos abrir o KIKAS com a FAAD”

A par de todo o processo, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital já lamentou o fecho da instituição, porque “durante mais de 10 anos prestou serviço de qualidade”.

No entanto, José Carlos Alexandrino reconhece que, em que face de uma situação de perda de “sustentação financeira”, a instituição “não poderia continua a existir”.

O autarca, que chegou a mover esforços no sentido de impedir “O KIKAS” de atingir a atual situação, lembrou esta manhã que, já por ocasião da apresentação da proposta de subsídio de 50 mil euros, tinha noção do estado débil em que a associação se encontrava, e que aquele montante visava sobretudo garantir o funcionamento da instituição até ao final do ano letivo.

“O subsídio teria servido para não criar desigualdades entre os funcionários”, afirmou o presidente, que não se poupa nos elogios à capacidade de resistência dos funcionários que, segundo disse, têm cinco salários em atraso e “nunca se queixaram”.

“Eles são um exemplo de trabalhar sem dinheiro e por amor às crianças”, afirmou, confiante de que os funcionários possam vir a ser tidos em conta, na solução que venha a ser desenhada.

De acordo com José Carlos Alexandrino, a solução imediata do KIKAS deverá passar pela Fundação Aurélio Amaro Diniz, instituição que desde há largos meses tem estado ligada àquela associação, como possível gestora do espaço.

“Acredito que, segunda-feira, possamos abrir o KIKAS com a FAAD”, revelou o autarca que já esta manhã esteve reunido com o dono do imóvel e que, até ao final da semana, espera que se atinjam alguns acordos financeiros em algumas áreas.

Certo é que, em caso de reabertura pela mão da FAAD, o KIKAS irá dar continuidade a cada uma das valências, incluindo o ensino privado do primeiro ciclo.O espaço deverá, no entanto, reabrir com um número mais reduzido de crianças, visto que algumas já foram integradas em outras instituições do concelho.

Confiante no bom desfecho deste processo, que chega a manchar o arranque do ano letivo no concelho oliveirense, José Carlos Alexandrino lamenta que a instituição tenha chegado a estes pontos e esteja a “causar prejuízos a várias pessoas e fornecedores”.

Sem nunca colocar em causa a qualidade pedagógica da instituição, o autarca vê-se contudo obrigado a concordar com Elisabete Santos, quando admite que a raiz do problema está numa prática de “má gestão” e, a constatar que “este encerramento está atrasado um ano”.

Este diário digital tentou contactar a proprietária da instituição, mas até ao momento ainda não foi possível conhecer a posição de Elisabete Santos acerca deste desfecho.

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