Lagar a Bobadela

O lagar da Bobadela, a alegada poluição e as queixas dos vizinhos

Um lagar de azeite na Freguesia da Bobadela, concelho de Oliveira do Hospital, está a deixar dois proprietários de terrenos próximos com os nervos em franja. Os vizinhos alegam que aquela unidade de produção está a poluir ano após ano as terras circundantes com “águas ruças” e que a própria lagoa, ao ar livre, onde ficam armazenados aqueles resíduos, não lhes parece capaz de suportar todos os afluentes, sem que existam descargas pelo meio. 100_5479 (Small)Acreditam mesmo que está mesmo a poluir a Ribeira de Cavalos e os lençóis freáticos. Para comprovar as suas teorias mostram fotografias dos terrenos afectados. O proprietário do lagar, porém, nega. Confrontado com as fotos do local, reconhece, contudo, que estas reflectem o resultado de um incidente que ocorreu este ano, quando cortou um dos tubos que leva os detritos do lagar para a lagoa, enquanto lavrava, provocando derramamento de detritos. Assegura, porém, que o problema foi sanado logo que deu conta. Quanto às restantes acusações diz deverem-se à má-fé dois ou três vizinhos.

100_5468 (Small)A argumentação não convence os proprietários dos terrenos vizinhos do lagar. José Dias, por exemplo, garante ser “todos os anos a mesma coisa”. “É recorrente. A lagoa está ao ar livre, faz descargas que depois vão ter à Ribeira de Cavalos. Por onde passa aquela ‘água ruça’ fica tudo amarelo, tudo queimado e infiltra-se, contaminando muito provavelmente os lençóis de água. O cheiro, então, é insuportável”, conta ao CBS, contrariando a versão de acidente pontual apresentada pelo proprietário do lagar. E faz questão de mostrar mais fotografias que diz terem sido tiradas no ano passado e que demonstram um cenário idêntico. “Acontece todos os anos a mesma coisa, há muito tempo”, frisa, sublinhando que já alertou várias vezes as autoridades, mas nunca obteve qualquer resposta. “Isto está à vista de todos. É um crime contra o ambiente. Não entendo como é que as autoridades não actuam”, conta, acusando ainda o empresário de utilizar um caminho público para fazer passar tubos e cabos.Lagar a Bobadela

Alfredo Ferreira também não esconde o seu desânimo quando olha para o terreno do irmão manchado pelos resíduos do lagar. Na quinta são visíveis as marcas deixadas pelo funcionamento daquela unidade industrial. “Como é que isto é possível? Não se entende. A ideia que tenho é que existe um compadrio muito forte para esta situação se manter”, conta ao CBS, enquanto recolhe fotografias para enviar para o irmão em Lisboa, as quais devem servir para suportar mais uma queixa às autoridades. “Ainda gostaria que me explicassem como é que a lagoa com milhares de litros de água de repente fica vazia”, frisa. “Essa água não se evapora, estou convencido que muita vai parar à Ribeira de Cavalos”, afirma, mostrando-se igualmente preocupado por não haver uma intervenção firme das entidades responsáveis que já foram várias vezes chamadas ao local.

100_5497 (Small)“Não encontram porque está tudo legal. Isto é tudo má-fé. É o preço que pago por ser bom demais e por praticar o bem”, defende-se o empresário António Dias, reconhecendo que este ano existiu um problema. “Enquanto andava a lavrar rebentei uma mangueira e isso libertou alguns detritos. Mas logo que dei conta reparei o problema. Não foi por mal. Foi um acidente”, explica, garantindo que tem toda a documentação em dia para a laboração, incluindo uma licença que lhe permite espalhar pelos seus terrenos as águas que ao longo do período de funcionamento do lagar se vão acumulando na lagoa. “Isso acontece a partir de Março. Tudo legal, estou de consciência tranquila”, conta, sublinhando que já foi alvo de várias fiscalizações por parte das autoridades e que nunca foi detectado nada de anormal. Quanto ao cheiro confessa que não pode fazer nada. Nega ainda qualquer descarga da lagoa fora daquilo que está legalmente estipulado.100_5484 (Small)

O proprietário do terreno vizinho, Joaquim Ferreira, é que não acredita nestas explicações.  Diz que a “poluição do largar” já o fez desistir de um investimento de turismo rural que tinha previsto para os seus terrenos. “Estava apostado em construir lá uma unidade de turismo rural, onde ia aplicar cerca de 400 mil euros. Mas assim é impossível”, conta. Este ano munido novamente de fotografias vai apresentar nova queixa às autoridades. “O que se passa ali é uma vergonh100_5481 (Small)a e tenho esperança de que algo seja feito. Toda a gente se queixa, mas ninguém faz nada”, diz. Já José Dias, como forma de protesto, promete colocar um placar na árvore de Natal da Bobadela a pedir ao “Senhor que livre aquela zona da poluição”.

LEIA TAMBÉM

O ódio à escola. Autor: Renato Nunes

7h00. O despertador toca e Mauro enrola-se nos cobertores, assim que consegue silenciar o maldito …

Quem compra pássaros? Autor: Renato Nunes.

Todos os sábados, quando ainda mal amanhece, saio de casa em direcção ao mercado semanal. …

  • antonio cardoso

    gosto em particular, porque tudo o que é atentado contra a natureza nos afeta, temos de alertar para que as autoridades competentes ajam. Mas muitas vezes esquecemos que vila nova de oliveirinha ainda não esgotos e que isso causa uma poluição bastante grande para toda a comunidade. Vejo pouca gente interessada nessa luta principalmente associações…. já quando temos um terreno próximo da industria dita poluente movemos esforços com um meio de comunicação social para denunciar

  • bobadelense

    Só inveja de quem trabalha…