Poderá estar a chegar ao fim o “marialvismo”. E com um aspecto curiosíssimo: é o próprio PSD que, substituindo-se à oposição, faz um pré-aviso de final de linha ao autarca social-democrata. Mário Américo Franco Alves “jamais”. É um deserto de ideias e é necessária uma nova ponte política feita “com os mesmos recursos” mas que provoque mais desenvolvimento.

O Monólogo

Esta é – por outras palavras mas com sentido idêntico – a posição pública do reeleito presidente do PSD, que para além de se auto-proclamar como candidato do partido às eleições autárquicas de 2009, já disse que há uma pessoa com quem não conta, transformando assim Mário Alves numa espécie de cadáver político.

Existem algumas opiniões no sentido de que o PSD nacional e distrital possam vir a intervir no processo, reclamando que não é legítimo – nem politicamente correcto – excluir um autarca que venceu as duas últimas eleições autárquicas com maioria absoluta. Há aliás declarações de Luís Filipe Menezes produzidas à imprensa, num contexto nacional, que podem ser interpretadas nesse sentido.

Pessoalmente, sem querer armar-me numa espécie de Zandinga da política local, não creio nesse último cenário e acredito que o partido também não vai querer arriscar um confronto aberto com os órgãos políticos locais. Portanto, julgo que ao anunciar-se – de forma repetida – como candidato do PSD, José Carlos Mendes terá garantias de que o processo de escolha do candidato vai ser confiado à comissão política de secção a que preside.

Mas enquanto a questão não se esclarece, vai ser penoso, até sob o ponto de vista de questões ligadas ao desenvolvimento do concelho, assistir novamente a mais uma novela política entre a comissão política e a Câmara Municipal.

Vai ser um período de nojo que não interessa ao concelho, sobretudo quando está em cima da mesa uma grande oportunidade de recuperar tempo perdido através do novo quadro comunitário de apoio – o QREN.

É óbvio que José Carlos Mendes – conforme o próprio referiu na noite das eleições aos jornalistas – vai novamente tentar chegar à via do diálogo. Mas, ou muito me engano ou teremos um novo e longo monólogo.

 

                                                                                                                                                   Henrique Barreto

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