João Paulo Albuquerque

O Norte do desnorte. Autor: João Paulo Albuquerque

“Na vida, ao contrário do xadrez, o jogo continua após o xeque-mate”.

                                                                                                 [Isaac Asimov]

Foi arquivado esta sexta-feira o processo judicial que José Carlos Alexandrino instaurou à minha mãe. Este senhor alegou que aquela que me gerou, criou e educou, o tinha difamado num salão de cabeleireira. Arrolou como testemunhas as três clientes que aí se encontravam esperando a sua vez para serem atendidas.

Depois de algumas visitas ao posto da GNR e ao tribunal, depois de algumas centenas de euros gastos com o processo, viagens e advogado, chegou-se à conclusão que a ré nada tinha dito que difamasse o personagem em questão. Tendo tal facto, sido confirmado por duas das três testemunhas. Já a terceira testemunha, a peça chave deste puzzle, foi incoerente nas suas alegações, não tendo os juízes conseguindo perceber o que declarava.

Se José Carlos Alexandrino pensava que por ser presidente de câmara e levar como advogado o vereador João Ramalhete de Carvalho, podia desta forma perseguir politicamente aqueles que lhe pedem os esclarecimentos que não dá, tentando deste modo intimidá-los, calá-los ou anulá-los, ficou a saber que o processo não funciona. E fica desde já também a saber que se estão a estudar as melhores formas de agir em conformidade com os resultados desta contenda, pois é bom que nada fique sem resposta.

Dou os parabéns à minha mãe, que se viu metida nisto, somente porque o filho é uma pedra no sapato do Sr. presidente e que este não tendo coragem para o enfrentar, optou por intimidar a mãe. Parabéns, porque resolveu a questão prudentemente. Parabéns, porque discretamente remeteu José Carlos para o seu devido lugar. Espero que edil tenha compreendido a lição e com isto aprenda a ocupar o seu lugar.

Alexandrino só pode andar de cabeça perdida. Põe processos jurídicos tão insólitos e irracionais a pessoas que, por serem impossíveis de ganhar, podem ser usados para o gozar e humilhar na praça pública. Esperemos que estes tipos de dislates sejam pagos do bolso dele, pois usar o erário público para perseguir quem não gosta, também é crime.

O desnorte que o tomou revela-se em variadíssimos campos. Por exemplo, dos sete milhões de euros para o PEDU que se fartou de anunciar e propagandear, vieram do Portugal 2020 somente 5,7 milhões. Deu de barato, sem regatear 1,3 milhões de euros. Esta atitude é de um péssimo administrador, ou então, de alguém que está de saída.

Na reunião de câmara onde aprovou um aumento de mil euros ao subsídio mensal da BLC3, passando este ano a receberem 10 mil euros por mês, além de mais cinco mil euros/mês para pagarem o terreno que a câmara comprou, afirmou, tentando fazer passar por tolos os mais desatentos, que “sobre a BLC3 diz-se um conjunto permanente de mentiras, como por exemplo dizer-se que é o Presidente da Câmara Municipal que nomeia o Conselho de Administração e o Presidente da BLC3”. Sr. Presidente, quem foi que afirmou tais mentiras? Isso gostava o Sr. que tivessem afirmado. Mas não. Ninguém afirmou tal coisa. As pessoas ficaram admiradas por o Sr. Presidente dizer, numa reunião de câmara, que desconhecia quem trabalhava na BLC3 e que não sabia quem era o Conselho de Administração. Como era isso possível, se o Sr. era o Presidente da Assembleia Geral? Isso está tudo bem documentado num artigo que anteriormente escrevi.

Espero que já se tenha informado sobre quem lá trabalha, isto claro, para além dos corpos sociais e dos sócios que agora parecem ser mais que muitos. É que corre por aí, e aliás, foi dito por Mário Alves numa reunião de câmara, que esses cursos que por lá fazem são para os boys e girls, para os amigos e amigas. Se tal é verdade ou não, não sei. O que sei, é que encontrei na BLC3 uma doutoranda de nome Ana Rita Pontes Pereira, que em Maio de 2015 não possuía licenciatura para fazer um PEPAL na Câmara Municipal de Coimbra, no entanto, no mês seguinte já era investigadora cá na plataforma, e, em Novembro, estava, na agora Evolution, a fazer um doutoramento. Algo me diz que a probabilidade de por lá encontrarmos o Sócrates a fazer uma Pós-Graduação supervisionada pelo António Campos poderá ser grande.

Quando o Sr. Presidente relativamente aos investimentos na BLC3 afirmou nessa mesma reunião que “certamente de que haverá alguém com culpas no cartório, mas esse alguém, não somos nós”, estava a referir-se a João Nunes e a António Campos? São eles “esse alguém”? É que as interrogações judiciais não vão em “esses alguéns” querem nomes, e os oliveirenses também, pois a tal valorização de 4 milhões na BLC3, que o Sr. Presidente e o vereador Francisco Rolo quantificaram, fica muito aquém dos 12 milhões que já lá entraram. No entanto, duvido que alguém dê os tais 4 milhões que dizem valer. Vamos esperar pelos documentos que teimam em não entregar para percebermos tais valorizações.

O que se nota, é que depois de culpar “esse alguém” deixámos de ver a vereação em festas como víamos. Andam amorfos, apáticos. Andam mais discretos, mais sozinhos, sem a companhia do clã socialista. O Presidente optou agora pela companhia de CDS’s e PSD’s desintegrados. Quem diria. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança”. Muito sabia o Camões. O que Churchill teria aprendido se algum dia o tivesse lido.

Enfim, continuamos a observar “este ninho de cucos”.

João Paulo AlbuquerqueAutor: João Paulo Albuquerque

 

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  • Barandão

    Pode parecer insólito, à “primeira leitura”!
    Não sei se, neste espaço, a família deve ser protagonista – a não ser a (rentável!) maçónica.
    Daí que, seja mãe, ou pai, do ponto de vista da cidadania, é aí que deve ficar.
    Quanto a cabeleireiras, cafés, restaurantes, transportes públicos, escolas, fábricas, quintais e quintas, saídas da dominical missa,jogos de futebol, romarias, centenários e milenários, festas e festanças, mailes, telefonemas,mensagens, Face Book…isso é bufaria – ao antigo gosto da santa inquisição, da polícia do intendente Pina Manique….e , ainda em tempos não muito distantes, da PIDE/DGS: põe um bufo em cada lugar…tu serás os meus olhos e os meus ouvidos…e serás recompensado…
    Depois, convenhamos: tudo aquilo que envolve centenas de milhar, ou milhões, saídos do erário público, ou da “tia rica”, vulgo CEE/UE, e que entraram, directamente, nos bolsos de algumas famílias (políticas!) permitiram, durante mais de 30 anos, que as “famílias” se posicionassem, quer em OH, quer por esse país fora…quer na própria CEE/UE, hoje, de uma diferente forma:
    -Uma coisa é confundir gestão autárquica como, para, com efeitos pirotécnicos ludibriar o pessoal, uma grande colectividade que passa o tempo a arranjar dinheiro para manter as festas…diferença fundamental, é que o suporte financeiro vem directamente do orçamento de estado, para outros fins que não esses…;
    -Outra coisa é o devido respeito, até, por essas festas…que são centenárias, que são da raíz mais pura e culta da nossa condição de reles mortais…e cidadãos do concelho de OH;
    – Finalmente – até porque anda tudo ao mesmo – nem um cêntimo deveria ser desviado, ou gasto, sem a devida justificação.
    É “à pala desta estirpe” de gente que Portugal , hoje, está no lugar que ocupa!- com os políticos na condição em que estão; seria, apenas por isso, desejável que os autarcas de OH, como os de outros concelhos, não se deixassem envolver nestas teias de absoluta , apesar de não esclarecida, roubalheira: não de dinheiro, mas sim de identidade, de cultura e civilização de um país dos mais antigos, da Europa…e do mundo.
    Quanto a processos…
    Lamentamos que nem todos, de nós, tenham dado a devida atenção aos nossos antepassados…
    Entre outras, a obra deixada, escrita na cadeia do Limoeiro, por João Brandão! – o tal.
    Cumprimentos.

  • António Lopes

    João Albuquerque: Aprecio a tua continuada luta.Porém, tudo o que possamos dizer nunca será suficiente para que o nosso presidente perceba a diferença entre a realidade e o seu incompreensível narcisismo.

  • LM ligth

    Ronca como nunca e perde como sempre.

    • Beirasserradúvidas

      “Roncar, é próprio do burro…” – e não ressonar, claro está, que é próprio do Homem…
      Perdão: afinal, quem é que ronca?

  • oliveirense

    Assim vai Oliveira do hospital

  • oliveirense

    Gostei deste artigo. Assim podemos ir sabendo algo do município,que me parece bastante mal., e de como andam a ser geridos os nossos dinheiros,pois é de todos nós, ele só tem aquilo que nós temos mais nada. Não se julgue o dono da Câmara. O Presidente podia ser mais natural,tudo nele cheia a falso .Beijos, abraços,velhinhos,festa festanças e mais nada palpável ..Trabalhe e ponha a cabeça a pensar,mas pensar coisas com pés e cabeça.

    • Rodasnepervil

      Boa…
      Pensar??????????????????????????????????????

  • Belíssima

    Então a “Madame Coscuvilhice” para além de espalhar panfletos anónimos, acusar bancários também levanta difamações infundadas?
    Agora era a do “saco azul” da escola? Acho que a deviam obrigar a dizer o que sabe. Isto, se ela sabe alguma coisa.
    Arranjaram-lhe um lugar para o rebento e agora até beija o cu, que antigamente defecava nela. Não vele mesmo a ponta de um cigarro.

    • oliveirense

      E quando telefonava para o patrão do patrão para a empregada , da empregada para o patrão e arranjou um enredo terrível. também tem outra vertente de arranjar uns amigos coloridos a muita boa gente .E as mensagens a denunciar coisas que só numa cabeça tola se forjam, os papéis pela calada da noite. Mas que cabeça com tanta frustração que só lhe dá para o mal. O M.E. devia saber desta cabeça desta inteligência arquitectar porcarias e será prémio Nobel da loucura .

    • Modernismos

      Defecar, é na sanita…ao ar livre…no penico…ou noutro qualquer sítio…
      Ponta de cigarro, é no cinzeiro…
      Bundage?
      Afinal, de que se trata?

  • Tão amigos que nós fomos

    A fricção anda ao rubro. Foi o João que não convidou o Alex, ou foi o Alex que não quis ser convidado?
    Com o dinheiro que manda todos os meses, pensei que ia ser o padrinho de casamento.
    Coitado, lá andou ele sozinho por V. Franca, e lá marchou sozinho por Oliveira.

    • Quem disse que ia a todas?

      Não foi a essa festa? Estará doente?
      Casamento e baptizado, não vás sem ser convidado.
      Que pena! E a noiva que ia tão bonita.

      • D. Coreolano

        Casamento, é só para a “família”!…entenda-se.

    • D. Coreolano

      Carago:
      – Afinal, o presidente não é da família!
      Calhandreiros.

  • Sacrifício

    Durante muito tempo, Alexandrino foi considerado de “rural”, “provinciano”, “boçal” …etc,etc.
    Tais apreciações, algumas , até explanadas por ilustres dirigentes socialistas distritais, ao tempo, foram .
    Depois, com António Lopes e a implosão do PPD de OH, foi o que se viu.
    Num casamento destes, dada a importância dos seus noivos, é consequência natural que Alexandrino não estivesse presente. E não é necessário ir muito longe para entender, com muitos exemplos, do que é o “vaidosismo”, o “falso gente fina”, as “elites”…e aquilo em que estes embusteiros, com os banqueiros à cabeça, transformaram este país…
    Toda esta gente, que anda na “alta roda”, vive e sobrevive com embustes.
    Tudo “doutores”, académicos, políticos, governantes, embaixadores…
    A “ralé” – e, se alguma foi, foi para “enfeitar” – esteve ausente.
    Alexandrino: se lá não foste – e eu estou-me … – fizeste bem.

  • “Quem se mete com o PS”

    Atenção:
    – O casamento, este casamento – ou lá o que foi – tem que ser entendido, em primeiro lugar, pelo “timing”.
    Neste momento, ao que se sabe, há um processo em curso de esclarecimento, em via judicial, do que se passa com a BLC3 e “sus muchachos”.
    Assim, e pelo , eventual , aparato – e quem é que lá esteve? – apenas deve ser entendido com uma verdadeira manifestação de força, de tranquilidade e de “proteccionismo”…
    Sempre os mesmos….
    António Lopes bem pode pôr “As barbas de molho”…