À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

O país da Maria, do Manuel, das cunhas e dos tachos! Autor: André Duarte Feiteira

Que bonito é Portugal! Um país à beira mar plantado, com um clima afortunado e com pessoas bafejadas pela alegria, não estivesse a tristeza presente nas letras de fado e até poderia ter sido um país retirado dos livros de fantasia!

Depois de uma apresentação tão lisonjeira sobre o nosso país, devem estar a interrogar-se: o que estará a fazer um título tão “negro” neste texto? Pois bem, passo, já de seguida, a explicar.

Para a maioria de vós, que vivem diariamente por cá, nem será uma explicação, apenas uma viagem literária sobre o vosso dia-a-dia.

Somos o que somos, estamos como estamos, e só não vamos mais à frente, porque não nos deixam.

Não é estranho para vós que o povo português seja bem recebido em qualquer parte do mundo? Não é estranho que sejamos vistos como seres trabalhadores, empenhados, dedicados e pouco conflituosos e que fazendo jus a estes atributos, fizemos e fazemos crescer muitas das grandes potencias mundiais? Mas porque não o fazemos cá, pela própria pátria? Porque vivemos no país da Maria, do Manuel, das cunhas e dos tachos!

A maioria da classe trabalhadora deste país é esforçada e empenhada no desenvolvimento das suas funções, muitos dedicam mais tempo à sua área profissional do que à própria família. Passam anos a gerar riqueza a empresas em que, na maioria das vezes, nem conhecem o rosto do proprietário, nem o proprietário, o rosto dos funcionários. Como qualquer trabalhador dedicado e ambicioso, lá espera que um dia o esforço e as horas em prol da empresa possam trazer a merecida promoção, mas há sempre a Maria, que apesar de não perceber nada do assunto, é prima afastada do chefe, e coitada, é a única da família que ainda não tem colocação…. anos mais tarde vai haver sempre o Manuel, que embora também não perceba nada do oficio, lá casou com a Maria…

Vivemos num país em que as entidades patronais desmotivam um povo que teve o dom de nascer motivado. Um país que deixa de lado o mérito e o esforço de um trabalhador e que sem dó nem piedade coloca uma cunha e abre um tacho para alguém que não tem qualquer tipo de provas dadas. Não consigo vislumbrar qualquer tipo de motivação para um trabalhador que vê tanta Maria e tanto Manuel pela vida fora, assim como também não consigo perceber qual a personalidade e falta de ética de quem os lá coloca. A Maria e o Manuel, podem adjectiva-lo de “porreirismo”, mas o todo, que é e deve ser quem realmente interessa, vai apelida-lo de saloio, o tão conhecido chico-espertismo popular.

Assim como no sector privado, esta é a cara do sector público português, não se contracta por mérito nem por provas dadas, apenas porque há sempre uma Maria ou um Manuel! E enquanto for a nossa Maria ou o nosso Manuel, lá vamos fechando os olhos, tentando enganar o que já não engana ninguém, pois o tempo já provou que é impossível fazer crescer um país que vive enganado!

 

À Boleia Autor: André Duarte FeiteiraAutor: André Duarte Feiteira

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