Artur Fontes

O Poder do Livro! Autor: Artur Fontes.

«A consciência da diferença deve levar-nos, (…), a um elogio do juízo crítico e não à sua supressão»

Helena Carvalhão Buescu

Helena C. Buescu, professora catedrática, da Universidade de Lisboa, é uma das grandes especialistas em Literatura Comparada. Do seu livro “Grande Angular”, (2001), retirei a sua constatação acerca da importância do “juízo crítico” (p.40). A este juízo crítico, deveremos acrescentar a necessidade da memória, isto é, da sua preservação, como elemento reflector do quanto fomos, ou do quanto escrevemos, na medida em que a escrita também ela é a amostra de como uma sociedade se pensava, agia e se caracterizava. Diz que “Não existe aliás transformação cultural sem memória e, ipso facto, sem comparação”, (p.24).

A escrita é, também, a memória das coisas. Pela leitura da escrita, nós iremos ao encontro do que desejamos saber, perceber ou aprender. Através da reflexão sobre o que lermos, da sua “digestão”, entraremos no processo da comparação do que já sabíamos, ou não, com o que acrescentámos ao nosso conhecimento!

Chegamos, assim, ao entendimento das coisas. Pela inteligência e pela razão vamo-nos aproximando lentamente à verdade. Esta procura incessante tem sido o caminho consciente do ser humano ao longo da sua existência. Das verdades que vamos recebendo do passado, pô-las à prova com o desenvolvimento contínuo das diversas áreas do saber, se vão construindo novos conhecimentos. Desta forma, se tem enfrentado a ignorância, o obscurantismo e a astúcia daqueles que sempre se opõem ao que é novo, aos que defendem um só caminho para se atingir a verdade, como valor absoluto e dogmático, portanto, sem discussão. Por isso, a intolerância não faz parte dos trilhos que nos poderão conduzir ao progresso. Progresso, que também terá que ser moral numa equação equilibrada com o desenvolvimento intelectual. Desta forma, o fanatismo, a superstição ou a imposição de ideias pela força, não terão espaço nem “chão” para se reproduzirem, na medida em que os “juízes de consciências” não terão ouvidos nem mãos para os aplaudirem!

Daí, ser importante o diálogo entre opiniões diversas, quer sejam políticas, religiosas ou culturais pois, desta conjugação ou plataformas de entendimento, surgirão novas perspectivas que poderão reforçar a tal transformação cultural de uma comunidade. Melhor preparada, mais consciente da sua independência, mais valorizada e, por isso mesmo, mais humilde por saber mais!

Tem sentido, então, fazerem-se campanhas para a necessidade da leitura: De livros ou jornais. Tem sentido a existência de bibliotecas escolares. O hábito da leitura, sobretudo, nas férias, deveria ser apreciado pelos jovens. Preenchem os tempos livres e dão “alimento” ao espírito. É uma forma de “enriquecimento”. Daí a importância das bibliotecas públicas! Estas devem aparecer aos olhos de todos como a fonte onde iremos “beber” ideias e formas novas de nos exprimir. Pela leitura seremos levados a “mundos novos”. “Viajaremos” pela estrada da escrita até ao cimo da montanha. Os nossos horizontes dilatar-se-ão. De regresso, traremos alegria e novas ferramentas para a compreensão do mundo e do outro.

O escritor e Prémio Nobel da Literatura, o colombiano, Gabriel Garcia Marquez, em 1996, num discurso a uma plateia de militares, aflorava o papel de muitas ditaduras na América do Sul, terem como caudilhos, militares. No final do seu discurso deixaria o seguinte voto: «Creio que as vidas de todos nós seriam melhores se cada um de vocês trouxesse sempre um livro na mochila» (in “Eu não venho fazer um discurso”, 2015: 109).

Como seriamos melhor se cada um de nós compreendesse o poder de um livro e o trouxesse sempre consigo!

Artur FontesAutor: Artur Fontes.

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