"O Planeamento é a organização da esperança".
Tenho para mim que quem saiba corporizar um sentimento de frustração difuso que existe no concelho, ganha as eleições internas no PSD. E o partido político que souber explorar bem este filão, que já existe na vida política concelhia, ganha as próximas eleições autárquicas.

O Princípio de Paulo

Não tenho qualquer dúvida, que o militante e o eleitor do concelho, têm a noção exacta, que há um modelo de conquista do voto, em ambos os patamares – aliás comum a PSD e PS – que tem inviabilizado, que as pessoas estejam dispostas a dar o seu nome, o seu empenho, e o seu contributo, para partidos que se entrincheiram em sectores de eleitorado sociologicamente escolhidos a dedo.

Julgo mesmo, que esta situação, está perfeitamente arregimentada nas estruturas partidárias do concelho, mas há uma miríade de factos seguramente decisivos para algo importante, como seja ganhar eleições, e fundamentais na percepção daquilo a que chamo: Embeber a participação cívica. Por motivos que o futuro oferecerá à consideração do leitor, tenho acompanhado de perto, a campanha para as eleições da concelhia social-democrata. E tenho encontrado por aí coisas verdadeiramente anedóticas, quando se ouve falar da vontade de ganhar a concelhia e depois a câmara. Apesar de perfeitamente legítimo, que as pessoas escolham as suas estratégias eleitorais.

Dizia-me, há dias uma militante septuagenária do Partido: “Paulo Rocha, parece apenas querer lambuzar-se em poder”. Por isso: “José Carlos Mendes, não pode comportar-se como se fossemos eleitores e não militantes”. Caso contrário é o martírio de um, contra a insónia do outro, adiantaria eu! Sendo certo, que não existirá uma receita quimicamente pura, para fazer uma campanha eleitoral. E quando sabemos que estar calado é a virtude política indiscutível de Rocha e a base dialogante a maior deixa de José Carlos Mendes. Impõe-se que nesta campanha interna, não haja (apenas) coelhos a sair das covas, correndo à frente do furão da mera oportunidade política. Mas para isso não acontecer, a militância cívica social-democrata, tem de estar comprometida, solidária e madura.

A única forma e decisiva, para que um partido lance desafios aos eleitores, é oferecer aos seus militantes a responsabilização permanente. A clausura verbal de Rocha, tem sido, verdade se diga, um bom profiláctico contra o palavreado e as trapalhadas de tempos recentes. Mas se o homem não fala aos militantes, não conversa com eles, e parece que não tem nada para dizer, ou então está à espera de ver o que os outros dizem para reagir. Peço! Que os militantes não percam a inclinação de, pelo menos, ouvirem com os olhos. Não se ganham eleições só com personalidades. Não se podem chamar raposas, renegando as uvas! Com certeza que as personalidades ajudam na liderança, com a capacidade agregadora, mas têm de ter ideias.

É verdade que as pessoas querem um discurso prévio, mas antes de mais nada, querem que os candidatos, tomem a quietude como condição para fazer política. Oliveira do Hospital é, e tem de ser, muito mais. Tem de ser modernidade, iniciativa e projecto. Para isso a Câmara Municipal, não pode continuar a ser uma junta de freguesia em tamanho grande. Reparação de caminhos, limpeza de bermas, manutenção de alguns espaços verdes, parecem, a muita boa gente, tarefas que um bom cantoneiro pode dinamizar… Claro que esta afirmação é contundente. Mas uma Câmara Municipal, tem de estruturalmente, ter condições onde explique de forma objectiva, a estratégia dos próximos 5-10 anos para o município que serve.

Tem de disponibilizar informação pertinente, que permita situar futuros investidores em matéria de recursos e projectos de desenvolvimento numa escala regional. Futuramente, a questão dos impostos entra finalmente na agenda política municipal. Por isso os políticos municipais, não podem limitar-se a prometer investimentos, têm também de justificar as receitas. Um dos efeitos positivos da nova lei das finanças locais, tão infundadamente criticada na altura, foi alargar as receitas e os poderes fiscais dos municípios, permitindo-lhes inclusive dispor de 5% do IRS dos seus residentes, podendo porém devolver esse dinheiro aos próprios contribuintes. É verdade que a Câmara de Oliveira do Hospital, não fez uso desta prorrogativa. Mas o combate à desertificação do interior do país, a criação de empregos em número capaz de ir contrariando a actual situação de desemprego, o incentivo à fixação das populações que ainda não emigraram ou se deslocaram para o litoral e o esforço do equilíbrio das assimetrias sociais e económicas à escala do distrito, passa forçosamente, por uma nova filosofia de vida e por um novo comportamento político: a participação integral do cidadão nos programas de desenvolvimento local.

No espectro eleitoral e político em que o PSD vive, existirão seguramente, destrambelhados em ambos os lados. Mas nem por isso, se pode permitir, que haja gente 30 furos abaixo de cão, em nenhum dos flancos. O PSD não é nenhum alguidar. Nem a autarquia pode funcionar para o partido, como aquele leão para o desgraçado que lhe serviu de presa. Sem matéria não há vícios. Se numa hierarquia empresarial tende-se a subir até atingir o seu nível de incompetência. É o Princípio de Peter. Na política, a situação é mais branda. Sobe-se até se atingir o nível de incompetência e, se não houver prudência, continua-se o percurso, errado, até se atingir o nível do descrédito. É o Princípio de Paulo. Impõe-se que diga isto. Porque com aquele estilo meio brujesso meio emproado, Rocha ainda está convencido que o povo inteiro, continua a ser objecto moldável pela esquizofrenia de uma ultra-minoria de validos, que julga o munícipe: passivo, obediente e reverente.

As pessoas neste concelho, querem cada vez mais saber, quem pode marcar a diferença quanto à orientação da coisa pública. Ter a noção disto, é ficarmos a saber onde está a doer e quem está a tocar na ferida.

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