Quando faltam precisamente cinco dias para o arranque oficial do novo ano lectivo, a delegada de Saúde Pública do concelho de Oliveira do Hospital, Guiomar Sarmento, revela-se “muito preocupada”...

“O que mais me preocupa é ver que temos uma população infantil e adolescente obesa”

…com os sinais de obesidade que já afectam a população infantil e juvenil.

Numa entrevista ao correiodabeiraserra.com – será publicada na íntegra neste diário digital e na edição impressa no próximo dia 16 de Setembro – Sarmento chegou até a confessar que, neste momento, este é o problema que mais a inquieta ao nível da saúde pública, por verificar que “os bons hábitos de alimentação se estão a perder”.

“Os pais, infelizmente, com o ritmo de vida que têm ainda não se aperceberam de que a comida dos avós é que é a boa e, então, deixam os miúdos com dinheiro no bolso para irem comer porcarias aos bares e aos supermercados”, sustentou aquela responsável de saúde pública, ao mesmo tempo que constatou que “os miúdos gostam de comida rápida porque está na moda”.

Guiomar Sarmento alerta os pais para a “epidemia” que está a afectar sobretudo os mais novos, ao mesmo tempo que os aconselha a apostarem em bons hábitos alimentares e a privilegiarem a “a sopa de feijão feita pela avó e os legumes a acompanhar a carne e o peixe”.

Embora sem dados concretos quanto à incidência da obesidade na população mais jovem do concelho, Sarmento não tem dúvidas de que o problema é grave e que, para além dos pais, cabe também às escolas proporcionarem aos mais novos bons hábitos alimentares. Também ela mãe de dois menores, a delegada de saúde pública local não deixou de contar ao correiodabeiraserra.com o que acontece com a própria filha, já que na escola que frequenta, é “gozada pelas amigas por ir almoçar à cantina, porque elas comem umas sandes no bar com maionese”.

Tem consciência de que o assunto tem merecido a atenção da Câmara Municipal – lembrou a palestra realizada sobre o tema – bem como das escolas, embora na sua opinião não seja o suficiente. “Trabalhei na Figueira da Foz onde existia uma campanha junto da Escola Secundária em que retiraram todas as batatas fritas, hambúrgueres, salsichas e passaram a fazer sandes com pão de mistura, tomate, alface, fiambre magro e queijo com pouca gordura e só tinham disponíveis iogurtes, sumos com pouco açúcar ou naturais, águas, frutas e sandes mistas”, exemplificou Sarmento, contando que “nos primeiros tempos foi reduzida a procura, mas como os miúdos não queriam ir comer à cantina, viram-se obrigados a recorrer aos produtos saudáveis do bar, muito mais pelo convívio”.

Para a delegada de Saúde Pública, a solução passa por retirar das escolas tudo o que faz mal, porque “se os jovens não tiverem outras alternativas, eles acabam por consumir os alimentos saudáveis”. Mas, constata que em Oliveira do Hospital o problema reside no facto de os alunos poderem sair da escola e, de a escassos metros encontrarem um supermercado onde podem comprar tudo o que lhes apetece.

Enquanto coordenadora de saúde escolar, Sarmento sossega os pais com a garantia de que “as ementas das cantinas estão correctíssimas”. Mas volta a avisar: “nós estamos a ficar com uma população obesa e não nos adianta nada ter miúdos com 15 e 16 de anos com diabetes tipo dois como os avós”. “Ter uma população jovem que está a diminuir drasticamente e, já por si doente, é como não ter nada, porque quando os jovens tiverem 40 anos vão ter graves problemas”, sustentou.

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