À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

O Sábio Desassossego dos Loucos… Autor: André Feiteira.

Somos nós, humanos, os responsáveis pelo desenrolar dos acontecimentos, que aqui, neste pedaço de terra, fazem com que a cada segundo exista uma mudança significativa (para bem, ou mal) no dia-a-dia de um ser ou de uma comunidade. Em diferentes épocas históricas, individualidades como por exemplo, Martin Luther King, Nelson Mandela e Gandhi, entre, felizmente, muitos outros, contribuíram para uma mudança significativa na sociedade mundial e, estes, não só nos devem inspirar como nos devem fazer actuar.

O importante é começar. O alcance pode ser só com as pessoas que convivem connosco, pode abranger uma cidade, um distrito, uma nação, até mesmo o mundo! Mas, para tal, é preciso agir! Quantos de nós não somos eternamente conformistas? Deparamo-nos uma vida inteira com o mesmo obstáculo, cruzamo-nos todos os dias com ele, e morremos, sem que tivéssemos parado para pensar que talvez era possível soluciona-lo, ao invés de nos desviarmos dele, todos os dias.

A sociedade civil, parece hoje, entorpecida, anestesiada, completamente morta…vamos lá meus amigos, transladem lá o corpo para a vertente activa. De que nos vale detectarmos e sentirmos injustiças se não as combatemos? De que nos serve termos uma brilhante ideia se não a colocamos em prática? O que nos adianta sermos eternamente descontentes se não contribuímos activamente para a mudança? De que nos vale termos voz se a língua não se solta com liberdade? Existem venenos económicos, sociais e culturais que já poderiam ter antídoto, se na devida hora, com total autonomia, em plena liberdade e com o sentimento de dever, todos nós lutássemos e fossemos persistentes na causa em que acreditamos e pela qual nos devemos mover. Por vezes, os poucos seres activos, ainda são acusados pelos inertes de criaturas sonhadoras, de loucos por quererem mudar o que não pode ser alterado, os tais contadores, crentes e activistas dos devaneios. Para mim louco é quem não age, quem coloca o medo à frente dos ideais, quem permanece estático com medo de errar, quem tem sonhos mas não faz nada para os alcançar.

Vamos fechar os olhos, vamos mergulhar em apneia, um minuto, na escuridão, mas acordados e bem conscientes, e vamos interrogar-nos: para quê desperdiçar um minuto das nossas vidas por algo em que não acreditamos, para quê desperdiça-lo a viver com medo, para quê pensar e não agir, para quê viver sem sonhos… independentemente daquilo em que acreditamos, se achamos que a causa vale a pena, não fiques paralisado, corre atrás. Agora, mas já de olhos abertos, continua a correr, não pares!…

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  • Guerra Junqueiro

    André, nada grandioso será alguma vez conseguido sem grandes homens, e os homens só se engrandecem quando estão determinados nisso. Não percas a determinação que tens, por mais que te tentem desvalorizar. Quem fizer melhor que mostre.

    Sabes, que há alturas em que nada podemos fazer para impedir a injustiça mas nunca poderá haver uma altura em que desistimos de protestar. Mantém-te firme nessa postura, pois quem não gostar que justifique o porquê das suas contrariedades.
    Nesta nossa sociedade, para que o mal triunfe basta apenas que os bons não façam nada. Junta-te aos bons, pois no mínimo, serás como eles.
    Não te preocupes com as convulsão e atritos que cries, pois até o mais pequeno dos peixes agita as profundezas do oceano. Certifica-te que lutas pela causa certa, e aqui é verdadeiramente o caso.
    A resignação é um suicídio quotidiano, não te permitas morrer de tal enfermidade, pois ser grande é ser incompreendido. Não te preocupes com quem não te compreende, o tempo é bom conselheiro e mais cedo ou mais tarde te darão razão.
    O receio paira no nosso concelho, esta gente instaurou a politica do medo, e o único inimigo real do homem é o medo. Não receies nem temas nada, agarra-te à razão, que te levará à democracia e à verdadeira liberdade. A liberdade é algo que nem Deus pode tirar aos homens.
    Fazes muito bem, em defender os teus interesses políticos, sabes bem, que o maior castigo daqueles que não se interessam por política é serem governados pelos que se interessam. Assim chegamos a esta realidade em Oliveira, que nem temos governação, nem oposição, a não ser a de um grupo em que me orgulho de pertencer.
    Não te preocupes também com os comentários depreciativos e com as criticas habituais, pois os grandes espíritos encontraram sempre uma violenta oposição por parte das mentes medíocres.
    Por fim, peço-te que continues a escrever, pois escrever é bom, porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • Um habitante da Kambra

    Muito bom Guerra Junqueiro,assim vale a pena escrever. Obrigado também ao Feiteira,por tudo quanto tem escrito.Cada vez me apercebo mais dos medíocres que por aí vão deixando a sua ignorância,ou melhor os seus fracos conhecimentos. Força

  • Rato do porão

    Os meus parabéns, gostei bastante.

  • “Zé Mário”

    De acordo com os comentários e com a peça em si. No entanto um ‘à parte’, será que o André, um dia mais tarde quem sabe, ‘subindo’ aos postos cimeiros do poder local irá continuar com este tipo de atitude/visão crítica que o caracteriza?! Infelizmente tenho a certeza absoluta que não. E porquê? Porque a política já está inventada e os ‘homens bons’ não figuram nela ou então acabam por se render às evidências do que já está instituído. Não se é eleito sozinho, são eleitos grupos/máquinas que sobrevivem graças a um ciclo vicioso de trocas de favores entre quem já é detentor de ‘poder’…, “tens de ajudar este porque te ajudou, aquele porque o pai tem isto e patrocinou, o outro porque o pai é aquilo e parece bem, etc…”. E no fim acabamos por ter novamente a ‘máquina’ montada por pessoas que na maioria dos casos nada fez para estar onde está. Uma coisa vos digo, Se o trabalho de pedreiro fosse bem remunerado e trouxesse com ele os favorecimentos que tráz o poder autárquico, teríamos a classe política toda virada para os ‘trolhas’…, pois sem dinheiro e favores não há convicção política que resista.