O sabor, não ocupa lugar (queijo da serra)

O sabor não ocupa lugar… Autor André Duarte Feiteira

Nos dias que correm, é do conhecimento geral que não é fácil proporcionar um agradável desenvolvimento económico, social e cultural em Concelhos como o nosso, situados no profundo interior de Portugal. Contudo, acredito que existem algumas medidas/estratégias que, a serem tomadas, poderiam contribuir para um maior e melhor desenvolvimento da nossa região, valorizando as potencialidades naturais, empresariais e humanas do nosso Concelho.

A primeira medida, que na minha óptica seria uma brilhante “jogada estratégica”, passaria pela construção do Museu do Queijo. Este Museu (a ser erguido), não só impulsionaria os produtores locais, como iria colocar Oliveira do Hospital, definitivamente, na rota do turismo da Serra da Estrela. Este projecto captaria durante todo o ano visitantes que, certamente, desenvolveriam e alavancariam tanto o sector turístico como o comercial.

Outra medida que deveria ser adoptada pelo Executivo Municipal, em parceria com a restauração local, passaria pela criação/escolha de um prato típico Oliveirense. Vamos a Mirando do Corvo para saborear a Chanfana, a Penacova para degustarmos a Lampreia, e desviamos até à Mealhada para nos deliciarmos com Leitão…Não serão estes bons exemplos em que o turismo também se pode “conquistar pela boca”? Facilmente pensarão “mas em Oliveira do Hospital não há nenhum prato típico”, ao qual respondo com a tradicional gíria popular “não há, inventa-se”! O que não nos falta são produtores de produtos regionais, os quais poderiam ser utilizados para a criação e confecção de um prato gastronómico que nos identificasse e que atraísse turistas para o saborear.

A nível cultural, podemos, pela primeira vez, colocar Oliveira do Hospital no mapa nacional e internacional. Para isso, não devemos organizar eventos à pressa, em grande número (mas desprovidos de qualidade, e de débil selecção) e, principalmente, deixarmos que esses eventos sejam suportados, na íntegra, pelos contribuintes. Pelo contrário, devemos apostar nos jovens empreendedores do concelho e, se necessário, ajudar a financiar eventos que, a curto prazo, poderão trazer milhares de pessoas ao nosso Concelho. Tomo como exemplo o Refresh – Arts & Music Festival, festival realizado no nosso concelho que, sem contar com muito público local, arrastou centenas de pessoas vindas de toda a parte do país, e até do estrangeiro. É preferível apoiar este tipo de iniciativa que realmente traz consigo “sangue novo” a Oliveira do Hospital e que a publicitam, e divulgam por esse mundo fora. É fundamental apoiar estas iniciativas, pois, caso isso não aconteça, serão oportunidades perdidas que não voltarão tão cedo às nossas terras.

Last but not least, é a importância que a Câmara Municipal deve dar a todos os empresários, que se fixam no nosso Concelho, e que, no actual contexto socioeconómico do País, são verdadeiros heróis, por acreditarem e ajudarem na criação de riqueza económica local. Daí não compreender os entraves colocados nos empreendimentos quer das Caldas de São Paulo quer da Ponte das Três Entradas! Afinal, a riqueza do nosso Concelho é também a nossa riqueza, e essa deve permanecer alheia a qualquer manobra política.

Autor:

André Duarte Feiteira

 

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  • Guerra Junqueiro

    Muito bem André Feiteira.

    Apetece-me deixa-lo com um texto do filosofo da beira alta, Josué Pinharanda Gomes, que é para mim uma das mais notáveis figuras intelectuais portuguesas vivas. Repara no que ele escreve:

    Do sabor se tira um íntima relação para o saber. Sábio é o que sabe, mas, uma forma adjetiva como sápido, ou sípido, se aplicará por igual modo ao que sabe em si mesmo, ou que tem sabor. O que sabe, ou nos sabe bem, ou mal, está muito próximo da axiomática daquele que sabe muito, ou sabe pouco, que, ou é sábio, ou ignorante, por não dispor de saber e, logo, da possibilidade de tomar o sabor ao saber. Pelo primeiro nos decidimos à educação; pelo segundo nos dispomos à nutrição. Saber e sabor, ambos ocupam, e não ocupam, lugar. Plenos, após muito estudar ou muito comer, a fase da digestão e de assimilação passada, é como se não houvéramos comido, como se não houvéramos aprendido. O comer e o saber não ocupam lugar. Transforma-se, o primeiro, na corrente aquosa do sangue vital; adere, o segundo, à torrente cristalina do
    espírito.
    Saborear o fruto é o mesmo que sabê-lo – apreendê-lo na qualidade de valor nutriente e na virtualidade de objeto, redutível à imagem particular (um fruto), bem como à ideia universal (a fruta). Do geral se tira o sabor para o saber do universal.
    Aluno é o que é alimentado (alumnus), aquele a quem, noutra instância, o mestre educa e alimenta a alma pelo saber – scire, quo uno animus alitur, segundo Cícero – que é próprio da alma. Alere, qual outro alar, alimentar, flutua na metáfora do educar, de maneira que, onde dizemos da necessidade de dar pão, se prevê a liberdade de exercitar a razão, de transitar da imagem nutritiva para o conceito educativo. Der Mensch est isst – o homem é o que come e, pois, o homem é o que aprende.

    (Josué Pinharanda Gomes)

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • enverganhado

    envergonhado
    Mais uma Sr. Presidente,aprenda,leia.O Sr. e outros tantos pedagogos da nossa praça até com cargos na educação foram e serão sempre uns burrinhos.Falam,falam…Pensam que estão a falar caro e são uns analfabetos,em relação a outros que têm de facto uma cultura geral,que ultrapassa em tudo estes oradores de trazer por casa.

  • Arroz de grelos

    Um prato típico cá da região? Não conhecem?
    Nem o famoso arroz de grelos?
    Todos ajudam na confecção, e é normal ouvir-se; “Ó Maria prepara lá o grelo, que eu já te dou o arroz”.
    Também temos o “arroz d’aldeia”, mas este é mais abrangente.

  • Essa Não

    Não, ao que me consta, é mais um exclusivo para clientes especiais!