Odete Santos veio a Oliveira do Hospital colocar em causa a existência de democracia em Portugal

Fortemente aplaudida pela comunidade educativa da Escola Secundária de Oliveira do Hospital, Odete Santos questionou há instantes a existência de democracia em Portugal.

Numa postura crítica, Odete Santos chamou à atenção para os número do desemprego – “22 por cento dos jovens até aos 35 anos estão desempregados, 27 por cento dos jovens licenciados estão desempregados”, referiu – e para a situação precária em que se encontram um milhão e 200 mil trabalhadores, para constatar a progressiva perda de direitos por parte dos jovens.

Uma realidade que, no entender da emblemática figura do Partido Comunista Português não está em vias de ser alterada – “no orçamento nem se fala em crescimento económico”, observou – e que a leva a afirmar que “este país hoje não é uma democracia”.

“As pessoas estão a ser asfixiadas pela falta de perspetiva e de crescimento económico”, considerou Odete Santos que, num debate alusivo à “Política e os Jovens de Hoje”, incentivou à participação da juventude porque “o país precisa dos jovens”. “De facto é preciso trazer sangue novo ao 25 de abril que, coitado, tão maltratado tem sido ultimamente”, continuou, criticando a alteração “ilegal” à legislação laboral.

“Acho que tudo isto nos faz perguntar se é este o país que nós queremos”, considerou.

E foi, de facto, o convite a uma maior participação dos jovens na política que resultou da iniciativa promovida pela turma do 11ºH do curso técnico profissional de Restauração, no âmbito da disciplina de Português de que é responsável Isaura Maria Oliveira.

Uma ação que mereceu o elogio do vice presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que encarou o encontro como “um grito contra a indiferença”.

Recordando os primeiros passos que o próprio deu no mundo da política e da vida autárquica, José Francisco Rolo desafiou os jovens estudantes ao envolvimento na própria comunidade e na vida política.

Por conseguinte, o responsável convidou os alunos, com idade para tal, a votarem e a nunca abdicarem da condição de cidadão ativos. “Têm o direito de fazer ouvir a vossa voz”, lembrou.

A substituir Acácio Pinto do PS – Pedro Sales do BE também faltou – Carlos Maia valorizou o direito à liberdade conquistado pelo 25 de abril e não deixou sem resposta Odete Santos, considerando que “Portugal é uma democracia”.

Ainda assim, o socialista não deixou de ressalvar que, tal como em outros países, a democracia está ser comandada pelo fenómeno da “globalização”, em particular na concentração das fortunas nos chamados “senhores do dinheiro e da especulação”.

Uma realidade que, segundo Maia, não foi travada pelos governos dos países e espera que venha a ser limitada por “uma classe política mundial que se indigne e diga basta a esses senhores”. Neste domínio, o também autarca de Ervedal da Beira convidou os jovens à participação na vida política, desafiando-os até a inscreverem-se nos partidos políticos. “Trabalhem e colaborem”, referiu.

Do PSD, o deputado na Assembleia da República Maurício Marques pegou no seu próprio exemplo, para sugerir um primeiro olhar sobre o que os jovens podem fazer pela política, antes de quererem ver o que é que a política pode fazer por eles.

“O país está como está, porque reclamamos os nossos direitos e não fomos muitas vezes capazes de cumprir com os nossos deveres”, alertou Maurício Marques que, ao mesmo tempo, convidou os jovens a não abdicarem do seu direito à indignação, desde que “para melhorar o que está mal”. “Só podemos reclamar se tivermos a capacidade de fazer melhor do que os outros”, afirmou.

Numa sessão direcionada à juventude oliveirense, que esperava obter respostas às suas “inquietudes académicas e profissionais”, o presidente da JSD, Duarte Marques lançou o desafio da participação – “não temos o direito de ser indiferentes ao mundo em que vivemos”, frisou – e incentivou à excelência enquanto via para um maior sucesso pessoal e profissional.

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