Oliveira do Hospital assinala o 25 de Abril com diversas iniciativas

O Município de Oliveira do Hospital vai assinalar o 44.º aniversário do 25 de Abril de 1974 com uma sessão solene evocativa esta quarta-feira, a partir das 10H30 nos Paços do Município. A cerimónia é antecedida por arruada, nas ruas da cidade, pela Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, e pelo hastear da bandeira com interpretação do Hino Nacional pela voz do Coral de Sant’Ana, com participação da Fanfarra e da Escolinha da corporação de bombeiros da cidade.

Nesse mesmo dia, em que pode ser vista a exposição da história infantil sobre a revolução, “O Tesouro” de Manuel António Pina, as Filarmónicas do concelho voltam a juntar-se para o IV Encontro Concelhio, durante a tarde, no Jardim Oliveira Mano a partir das 14H30, momento em que serão distribuídos os cravos de papel com mensagens de abril executados pelos utentes das IPSS concelhias.

No final da tarde, há um ‘Convívio Desportivo da Liberdade’ no complexo desportivo de Lagares da Beira. O programa ainda engloba diversas actividades que convidam à participação ativa de todos os oliveirenses, como exposições, concertos, apresentação de livros e encontros intergeracionais. De destacar, na noite de 24 de abril, o concerto com a Escola de Música Linc e (d)O Fundo do Poço no Jardim Oliveira Mano. Bem como o conjunto de exposições de abril patentes, até ao final do mês, em diversos espaços do concelho como a Casa da Cultura César Oliveira, Museu Municipal Dr. António Simões Saraiva, Bibliotecas Escolares.

Nos Paços do Município está a Exposição Colectiva de Artes Plásticas – inaugurada este domingo e que ficará patente até 30 de Maio –, bem como uma a exposição fotográfica sobre os dias da revolução com imagens Alfredo Cunha e legendas de Adelino Gomes,  que apresenta o conjunto de fotografias realizadas pelo jornalista no dia da Revolução dos Cravos.

Foto: Alfredo Cunha

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  • António Lopes

    E pronto, chegou ao fim a comemoração de mais um 25 de Abril. “Os donos ” da festa, genericamente e salvo honrosas exceções, que ainda foram muitas,”com razão”,foram os que a começaram a organizar, logo após a morte de Salazar.Com a morte do ditador, lá fora e cá dentro,era para todos por demais evidente, que um tal regime não poderia continuar.

    E, como organizadamente e com capacidade para substituir o regime, apenas aquele que sempre o tinha combatido, o PCP, as “democracias” Europeias e Mundiais, não se podiam dar a tais “luxos”. Além do mais, o tratado de Yalta existia..! Como se sabe, a “divisão” feita naquele tratado, deixava Portugal na influência “democrática” .leia-se Ocidental, leia -se NATO…

    Sendo evidente-para todos, o inevitável ruir do Estado Novo, fosse lá isso o que fosse, havia que evitar que o País caísse em “más mãos. E lá se começaram a procurar os “aguerridos” opositores “democráticos” à caquética situação.

    25 de Abril sim, mas “com maneiras” ..! Leia-se com “democracia”, “organizadinho”, como dantes, deixando a imprensa dizer umas coisas, até porque, seriam eles a controlá-la, como controlam, dar umas vestes mais modernas, no fundo, aquilo que hoje temos.

    Sim há que dar a mão à palmatória.Projetaram e construíram, o 25 de Abril, deles..!

    O 25 de Abril com que sonharam e sonham,os verdadeiros democratas, aquele com que sonho em que tantos, como eu, acreditaram até Novembro de 75, esse, o Povo , os verdadeiros amigos e defensores da liberdade- que chegou a desflorar com o 25 de Abril, esse , está por fazer.

    E urge que se faça, o quanto antes.De preferência pela via eleitoral, sabendo como sei dessa quase impossibilidade, se mais não for pelo garrote chamado União Europeia, reforçada pela estrondosa dívida criada..!Isso nos exigem os filhos, netos e demais vindouros.Difícil mas, não impossível..!

    Este 25 de Abril, por mais cravos que lhe juntem e mais farpelas que lhe vistam, nada tem a ver com aquele porque morreram nas masmorras da PIDE, nas estradas, nos campos e nas fábricas deste País, centenas de patriotas.

    Para os ideólogos deste 25 de Abril, era necessário combater os “totalitários”. Definitivamente, havia que se encontrar outra via.E foi disso que se andou a tratar durante ,pelo menos uns seis anos, através da conhecia “Amiga Alemã” a Senhora Elka Sabiel representante da Fundação Friedrich Elbert, e não só.Os mesmo que cviriam a finabciar o jornal a Luta a UGT e umas tantas “alavancas deste projeto de Abril”.

    Juntaram-se uma centena dos mais ousados, quase todos advogados, a maioria reconhecidamente gente de bem, onde saliento os nossos Fernando Vale e António Campos mas,até pelas suas origens, pouco dados a grandes “correrias” e sacrifícios, e lá acabaram, a pedido e com todos os apoios, por formar uma pseudo oposição partidária,através, ao tempo, de um pseudo partido o PS,que se tinha auto extinguido,em 1933, tendo a humildade de manter durante muitos anos, no seu sitio: “por não aguentar as agruras da ditadura” ou coisa parecida..! De reserva e do mesmo grupo de cidadãos ficaram um conjunto de personalidades , que mais tarde viriam a fundar o PSD.Uns e outros, os principais, irmãos de culto maçon.

    E foi por ser assim- com esta génese e histórico e por este 25 de Abril, que cedo começaram as tentativas para corrigir os “desvarios totalitários” que o Povo impunha nas ruas.

    E foi por ser assim e por este 25 de Abril, que tivemos os “verões quentes” os golpes e as intentonas, as Fontes Luminosas , até ao 25 de Novembro, leia-se até o Povo perceber, pela força das armas, que liberdade sim, democracia, também, mas a deles..!

    O terrível Partido Comunista, como as urnas vieram a demonstrar, não eram mais que 14%..! E foi por esse 25 de Abril que com Spinola na frente, e outras personagens depois-e os “projetistas” sempre- por detrás, se bateram.Pese que, ao tempo, com uma linguagem “mais revolucionária que a revolução, o que empolgou , no melhor das suas intenções, a grande maioria deste Povo que, então pouco politizado, como sempre, se resignou à sua sortes sujugando-se docilmente, a quem tanto o maltrata.

    No crepúsculo deste dia e nestas datas, e porque não foi a este 25 de Abril que aderi, desde a primeira hora, e porque este 25 de Abril já pouco me diz, tirei para aprofundar, um pouco mais, o conhecimento.

    E para que se não façam juízos errados, deixo , abaixo, apenas dois exemplos que me impulsionaram ao que tenho estado a escrever: Diga-se o que se quiser, o Estado Novo sabia bem e com quem, se devia preocupar, e quem lhe dava muito jeito que fosse “oposição”.

    Que ia haver um qualquer 25 de Abril, era uma certeza para todos.E não foi por acaso que os tais “democratas”, tentaram cozinhar uma “saída democrática” com Marcelo. O outro.O padrinho. No fundo o que era, e é preciso, é trazer o “Povinho” convencido que sim.Que é ele que manda e decide..! Que há sempre quem se preocupe com o melhor para ele-Povo..!

    Alguma coisa cederam.Só que, dentro da mesma linha. Com o continuo desacreditar das instituições democráticas. Sempre a mesma estratégia.

    Hoje,de Abril, sobra o poder local mas, este, cada vez mais nas mãos de “paus mandados”, suportados por “porta bandeiras e cabos eleitorais”, necessariamente ainda mais amorfos e impreparados que os superiores diretos, para que tudo funcione-aparentemente bem.

    E foi esse 25 de Abril que hoje tivemos e comemorá-mos, salvo as tais honrosas exceções.!

    Nestas “deambulações, e para ilustrar tudo o atrás dito, deparei-me com uma resposta do Dr.Mário Soares, dada a …. a um jornalista do “i” que a publicou no dia da sua morte e que suscitou este escrito, e à qual respondeu:

    “Lembra-se de como soube que o seu pai tinha morrido?”

    “Os meus filhos e o meu sobrinho vinham de carro de Portugal passar as férias comigo. Souberam, por telefone, pela minha mulher, que o avô tinha morrido. Foram eles que me deram a notícia. Nesse mesmo dia meti-me no avião e vim para Portugal, sabendo que podia ser preso. Mas não fui. Julguei mesmo que seria preso. Quando cheguei ao aeroporto disseram-me: “O doutor entra e ninguém lhe vai tocar, mas não diga nada”. “Eu digo o que quero, sempre.” “É melhor não dizer”, aconselharam. “Seja o que for”, respondi. Fui ver o meu pai. No dia seguinte fui ao enterro nas Cortes, por decisão dele, de onde era e tinha uma casa.”

    Certa vez ouvi o Dr.José Hermano Saraiva contar este episódio:

    “Salazar era assim…Sempre fui muito chegado ao meu irmão António. Quando o nosso pai morreu, eu, era ministro. Pedi a Salazar para autorizar o meu irmão a vir ao funeral. Ele respondeu-me – “Sabe, por mim tudo bem, mas sabe como são este tipos da PIDE”..!

    Não veio..! António Saraiva era, ao tempo, militante exilado, do PCP, e residia em Paris.

    Mas pronto.De António Saraiva, que não teve direito a despedir-se do pai apesar de pedido de ministro, poucos se lembram. De Mário Soares, que até se apresentou (à papo seco), no aeroporto, tendo o regime a espera-lo, que apenas lhe pediu para ser discreto..! não obstante, é promovido a “Pai da Democracia”… Desta, obviamente.!

    E dizia Mário Soares, no 1º de Maio de 74: “Que raio de regime era aquele..” Sim, que raio de regime era aquele e os que se lhe opunham, para haver tratamentos tão diferenciados..? Como soube o regime que vinha ao funeral? Porque tinha à espera quem lhe fizesse as tais recomendações? Porquê um tal tratamento..?

    E eu o pergunto também: que raio de democracia é esta, que tem a presidir ao 25 de Abril um filho de ministro do regime deposto e ex -deputado da Câmara Corporativa, desse mesmo regime..?

    Como e porquê estamos todos (ou quase), “moldados” a este tipo de “democracia”, de resto a que se “vende” e quase única nesta Europa “das grandes liberdades”, para não dizer do Mundo?

    Aconselho os leitores a vasculharem um pouco a internet e a ler, nomeadamente, os artigos : “A Amiga Alemã do PS” e : “As Origens Maçónicas do PS e PSD”. Pode ser que, depois de uma leitura atenta, se compreenda melhor a profusão de cravos vermelhos em certas lapelas. Pode ser que se compreenda melhor o porque dos nossos inconformismos. e as respostas às minhas questões. Ontem, pagava a Alemanha os States e seus aliados.Hoje, pagamos todos nós.para este abcesso de “democracia”…

    É que, a mim, já me custa ouvir tanto encher a boca com liberdade e democracia, ao mesmo tempo que assisto a um contínuo de aproveitamento da coisa publica-em proveito pessoal, sempre em prejuízo do Povo humilde e trabalhador que, ontem como hoje, luta com as mesmas, e às vezes mais, dificuldades que as que tinha antigamente.

    Para a banca aprece de imediato.Para ICs, médicos, incêndios. conversa, conversa, outra vez conversa.Papeis , papeis, novos papeis.Ditadura do déficite.

    Justiça e combate à corrupção, um dia… virá.!

    É que, independentemente da política, a tecnologia avança. O mundo não é estático. O continuo progresso e produção de bens de riqueza e bem estar, também são uma constante. Só que,ontem como hoje, chegam onde chegam..! A esta pseudo liberdade, não condiz a contínua melhoria da condição de vida.

    Grave é que temos políticos que apresentam como um sucesso deles, aquilo que é o normal desenvolvimento da economia.

    Liberdade é fundamental.Mas, liberdade com a barriga vazia, a “apodrecer” sem medicamentos nem dinheiro para os comprar, com dificuldades de acesso à educação, é liberdade?

    Será este o 25 de Abril que todos queremos e desejamos? O que falta para que se concretize..? Não seremos, mesmo, capazes de fazer melhor..?

  • João Dinis, Jano

    E se Abril ficar distante, desta Terra, deste Povo, a nossa força é bastante, pra fazer um Abril novo !” – salvé grande Ary dos Santos, poeta da Revolução !

    Pois não se pode ficar na “nostalgia” de um esperança perdida. As Revoluções são um complicado processo que normalmente andam mais depressa para trás – há a contra-revolução – do que andaram para a frente…

    Por exemplo, o anterior (des)governo PSD e CDS/PP tentou um traiçoeiro ajuste de contas – total – com o 25 de Abril mas foi mandado para o lixo, como muito justificou, quando já se preparava para voltar à carga pois ainda temos uma Constituição da República com ADN do 25 de Abril e da Revolução. E lá, na Constituição da República Portuguesa, têm muitos desses “artistas” partido a dentuça de tanto (nos) morderem !…

    Agora, e sempre, a luta continua ! É difícil sim senhor. Mas também se fosse fácil não era para Nós !

    João Dinis, Jano