Oliveira do Hospital declara ‘sentença de morte” à lei de agregação de freguesias

… à lei de “desunião das freguesias”.

Nem o mau tempo desmobilizou a ação de protesto contra a lei de agregação de freguesias que, no concelho de Oliveira do Hospital, dita a extinção das freguesias de Vila Franca da Beira, Lajeosa, S. Paio de Gramaços, S. Sebastião da Feira e Vila Pouca da Beira.



Autarcas e muitos populares participaram na “marcha lenta” que partiu de Vila Franca da Beira, passou pelas várias freguesias sinalizadas e teve o seu momento alto na freguesia de Lajeosa onde foi declarada a ‘sentença de morte” da lei 21/2012 de reorganização administrativa do território.

De forma simbólica, a freguesia da Lajeosa surpreendeu ao apresentar um caixão, com coelhos brancos no seu interior, manifestando assim a clara intenção de “enterrar” uma lei que o governo “a bem ou mal” pretende levar por diante.

“Não admito a ninguém que queira extinguir a minha freguesia”, assegurou o presidente da Junta de Freguesia de Lajeosa, dando conta da sua indisponibilidade para permitir que o governo continue a “roubar tudo o que existe de bom na freguesia”. “Garanto que vamos ganhar esta luta”, disse confiante Paulo Sérgio, avisando porém que a urna com que, hoje, enterra simbolicamente a lei estará disponível para, em caso de aprovação da lei, receber os senhores que visitem a localidade na altura de campanha eleitoral. “A gente enterra-os”, avisa o jovem autarca, garantindo que o povo da Lajeosa é “forte” e não vai baixar a cabeça.

“Vamos enterrar a lei”, reforçou o presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira, que louvando a solidariedade que tem existido no concelho e capacidade de o município não aceder à “chantagem das troikas e dos seus capatazes”, manifestou a sua total disponibilidade, não para ser coveiro da freguesia, mas antes “coveiro da lei”. “Somos freguesia de pleno direito e com portugueses de primeira”, sublinha João Dinis, avisando que esta é apenas uma primeira face da luta. “Estamos prontos para ir a Lisboa lutar contra a lei”, garante o autarca, que espera ver o posicionamento dos deputados na hora de votação da lei.

“Chamam-lhe união, mas os primeiros sintomas são de desunião”

 



 

“Um por todos e todos por um”, foi a forma como o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital descreveu o posicionamento concelhio acerca da lei de agregação das freguesias, que no seu entender não tem nada de união. “Chamam-lhe união de freguesias, mas os primeiros sintomas são de desunião”, alerta José Carlos Alexandrino preocupado que está com o “mal estar” que já é evidente entre as populações das freguesias agregadoras e as freguesia a agregar. Um mau ambiente que no entender do autarca, era perfeitamente escusado por não encontrar qualquer vantagem na aplicação de “uma lei que é um nojo”.

“Se os problemas do país se resolvessem por aqui, estaríamos de acordo”, sublinha José Carlos Alexandrino defendendo antes uma reorganização a sério e que comece na Assembleia da República. Avisando que o seu posicionamento seria o mesmo caso a lei fosse imposta por um governo socialista – “o meu compromisso é com as pessoas” – o autarca oliveirense criticou os “homens do PSD de Oliveira do Hospital” que “sempre foram a favor” da lei e que, “agora dizem que com pronúncia só seriam extintas três freguesias”, mas que nunca disseram quais as freguesias a extinguir.

“Eles vão ter muita dificuldade em dar a cara por um símbolo que extinguiu as freguesias e se tiverem vergonha não aparecem cá”, argumentou ainda José Carlos Alexandrino, avisando que a marcha foi uma primeira manifestação de luta, falando até da possibilidade de a autarquia avançar com uma providência cautelar contra a proposta de abate de cinco freguesias no concelho.

Assegurando que a Assembleia Municipal cumpriu as “regras da democracia” ao ouvir as freguesias – “todas disseram que não queriam agregação”, referiu – e ao levar por diante aquela vontade, António Lopes reiterou a sua posição contra a lei de agregação das freguesias e não deixou de questionar a forma como o PSD local chegou ao resultado final de três freguesias a extinguir. “A minha máquina de calcular não chega às três freguesias”, informou o presidente da Assembleia Municipal.

Ao mesmo nível do ministro Miguel Relvas – “eu tenho a quarta classe e nada me impede de ser presidente da Assembleia Municipal”, frisou – António Lopes não perdeu a oportunidade para fazer uso de uma expressão do governante e avisar: “como temos cursos parecidos, a «bem ou a mal», mais depressa vai embora o governo do que as freguesias”. “Há freguesias que têm foral desde 1187 e, já nessa altura, viram da necessidade das freguesias e agora estes iluminados não conseguem perceber essa necessidade”, continuou o autarca, questionando os que defendem a aplicação da lei se querem “uma nova Patuleia e uma nova Maria da Fonte”.

Contudo, avisa: “hoje o povo está mais esclarecido e não vai ser como naquele tempo”.

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