Oliveira do Hospital é o segundo concelho com maior índice de criminalidade

…é o segundo com maior índice de criminalidade na área de intervenção do Agrupamento Territorial da GNR da Lousã.

Homens, com idades acima dos 30 anos, trabalhadores por conta de outrem e pertencentes à classe média-baixa. Este é o perfil do vulgar autor de crimes contra as pessoas – difamação, injúrias e ofensas à integridade física – e contra o património – furto e dano – normalmente praticados no concelho de Oliveira do Hospital. Nas situações de difamação e injúrias há ainda uma tendência para a prevalência do sexo feminino.

A informação foi avançada pelo Destacamento Territorial da GNR da Lousã que nos últimos cinco anos tem registado uma média anual de 440 crimes praticados no concelho, notando que os índices de criminalidade tendem a “manter uma certa estabilidade”. Note-se, por exemplo, que no ano de 2006 se registou um acréscimo de 48 crimes, enquanto que em 2007 se assistiu a uma descida de 30 crimes. Dados relativos ao primeiro semestre deste ano – 181 crimes cometidos – levam a GNR a constatar um “ligeiro abaixamento comparativamente ao ano anterior”.

Praticados individualmente contra as pessoas e em grupo contra o património, os crimes são mais frequentes no período de Verão e de férias, justificados pelo aumento de pessoas no concelho, quer se trate de visitantes, quer de naturais do concelho, não havendo contudo uma tendência para ocorrerem num momento particular do dia. Pese embora a incidência de crimes em Oliveira do Hospital, o Destacamento Territorial da GNR da Lousã recusa tratar-se de um “surto”, não negando contudo a ocorrência de algum tipo de criminalidade com uma frequência fora do normal.

Dos sete municípios que integram a área de intervenção do Destacamento, Oliveira do Hospital surge no lugar imediatamente a seguir à Lousã que lidera a tabela em matéria de criminalidade. Esta posição é justificada com o facto de o concelho oliveirense ser o segundo com maior concentração populacional urbana, pelo que, também por isso – garante aquela força de segurança – Oliveira do Hospital “é sempre alvo de uma atenção especial” e as situações de criminalidade mais graves são referenciadas como “casos pontuais”.

Assaltos a espaços comerciais e até a obras de construção civil têm sido, na realidade, as ocorrências mais registadas em Oliveira do Hospital, invertendo-se assim aquela que era a tendência ocorrida no meio do século passado, altura em que predominavam os crimes entre vizinhos e até familiares por razões de partilhas e passagens de água para regadio. Num concelho que continua a ostentar as marcas da interioridade é também visível uma espécie de barreira que, até agora, tem impedido a incidência de crimes violentos como o “carjacking”, os homicídios e os assaltos armados a bancos, postos de combustível e farmácias que, nos grandes centros urbanos, aumentou no primeiro semestre deste ano.

“A pobreza é mais preocupante do que o crime”

Para Manuel Gandarez, conhecido advogado de Oliveira do Hospital, a incidência de situações de crime no concelho não o assusta, por constatar que por cá “não abunda o crime organizado que por norma inquieta a comunidade”. Confessa-se mais preocupado com os sinais de pobreza e de dificuldades económicas, por perceber a existência de uma conexão com a ocorrência de crimes como o furto e até a prática da prostituição.

“Temos crimes e vamos ter cada vez mais, mas não são alarmantes”, referiu o advogado, considerando que muita da promiscuidade detectada deriva das situações de perturbação e desespero ligadas à falta de emprego no concelho. Gandarez chega até a responsabilizar a Câmara Municipal pela falta de desenvolvimento empresarial e por consequência pela ocorrência de situações de crime.

Convidado por este jornal a avaliar a evolução do crime no concelho, o advogado oliveirense nota que o que mais prevalece são as ofensas corporais simples, ficando para trás as injúrias e difamações. Explicou que as taxas judiciais elevadas têm vindo a inibir os particulares ofendidos de avançar com as queixas para tribunal devido aos parcos recursos económicos.

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