O relatório preliminar do Plano de Desenvolvimento do Município de Oliveira do Hospital – um estudo encomendado pela Câmara Municipal à Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI) e que já foi apresentado por aquela empresa em assembleia municipal – identifica várias áreas de constrangimento ao desenvolvimento municipal que o município oliveirense deverá tentar inverter nos próximos anos.

Oliveira do Hospital é um município com “fraca visibilidade externa”, conclui estudo da SPI

 

Imagem vazia padrãoEste estudo – muito exaustivo –, começa por considerar que um dos principais pontos fracos de Oliveira do Hospital é precisamente a “mobilidade e acessibilidades intra-regionais”, uma vez que “a debilidade dos acessos e da rede de transporte intra-regionais põe em causa a coesão socioeconómica e a competitividade territorial”.

No sector da educação, o estudo é muito céptico quanto ao “baixo nível de escolarização dos recursos humanos, nomeadamente ao nível técnico e superior”. Fazendo referência à “elevada taxa de analfabetismo (12,3 %), ao abandono escolar e à debilidade dos sistemas de ensino e de formação”, os autores do trabalho sustentam que estes factores, associados à “dificuldade em atrair recursos humanos qualificados”, “fragilizam o concelho e comprometem fortemente o seu desenvolvimento económico e social”.

 

 Um concelho demograficamente deprimido

 

Outras grandes preocupações são o facto de o concelho estar envelhecido, com perda de população e a taxa de natalidade a decrescer. São características de “um território deprimido”, aponta o estudo.

O índice de envelhecimento (relação entre a população com 65 ou mais anos e o grupo dos que têm 14 ou menos anos), acaba por se reflectir no índice de dependência de idosos (IDI), o que na opinião dos investigadores “poderá ser um constrangimento ao desenvolvimento e ao equilíbrio socioeconómico”.

De acordo com os dados do último Censo de 2001, o IDI é um problema que está mais patente sobretudo nas zonas do Vale do Alva e da Cordinha. As cinco freguesias com maior IDI são, respectivamente, Aldeia das Dez (70,4), Vila Franca da Beira (57,7), S. Sebastião da Feira, Alvôco das Várzeas (55) e Ervedal da Beira (50).

 

Reduzida articulação institucional

 

Na área empresarial, a SPI fala em “debilidades nos serviços de apoio às empresas” e conclui que a “inexistência de serviços estruturados no concelho a este nível dificulta o acesso aos canais de informação, o conhecimento do contexto económico e de novas oportunidades”.

Realçando o facto de o tecido empresarial local “ser marcado por uma cultura empreendedora” – Oliveira do Hospital esteve no passado entre os três concelhos com maior actividade económica no seio do distrito de Coimbra –, a SPI refere no entanto que “a cultura associativa e o cooperativismo são débeis”. “Não existem hábitos consolidados de colaboração dentro do concelho”, chega a referir o estudo, que também detectou que no meio empresarial “a abordagem às Tecnologias de Informação e Comunicação é ainda incipiente”.

Por outro lado – sublinha a SPI – a “alocação de recursos por parte das empresas a actividades de Investigação e Desenvolvimento e Inovação é quase inexistente”. Apesar de reconhecer a existência de “esforços recentes”, este estudo – liderado pelos professores universitários Augusto Medina e Pedro Saraiva –, fala também de uma “quase inexistente articulação institucional, nomeadamente entre a administração local, o tecido empresarial e os agentes ligados ao Ensino e Formação Profissional”, situação que na opinião da equipa da SPI “dificulta a existência de uma estratégia concertada e focalizada nos vectores chave de afirmação de Oliveira do Hospital”.

 

Oliveira do Hospital com “fraca visibilidade externa”

 

A terminar – neste capítulo das áreas de melhoria defendidas pela SPI –, o estudo coloca o dedo na ferida ao sentenciar que Oliveira do Hospital é um município com “fraca visibilidade externa” e isso “dificulta a atracção de públicos-alvo (residentes, turistas, empresas).

Para inverter um problema que “induz à diminuição da capacidade competitiva”, só há um caminho: “São necessárias estratégias que promovam a competitividade local, procurando a diferenciação para atrair a procura e responder à forte concorrência inter-regional”, adverte a empresa autora do estudo.

Sobre este relatório preliminar do Plano de Desenvolvimento do Município de Oliveira do Hospital – um estudo que surge 18 anos depois do “Estudo de Desenvolvimento Sócio-Económico”, publicado, em 1990, pela Câmara de Oliveira do Hospital, através do Centro Interdisciplinar de Estudos Económicos –, o correiodabeiraserra.com tem previsto fazer algumas abordagens jornalísticas às matérias mais importantes daquele plano.

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