Oliveira do Hospital “ergue a voz” contra reforma educativa

 

As escolas de Oliveira do Hospital não escapam ao clima de instabilidade que as novas medidas educativas estão a gerar por todo o país.

Esta manhã, em conferência de imprensa, o Conselho Geral da Escola Secundária de Oliveira do Hospital deu dimensão àquelas que são as preocupações do momento e que chegam a motivar uma crescente onda de solidariedade concelhia.

O aumento do número de alunos por turma surge à cabeça da lista de preocupações, também partilhada pela Associação de Pais e Encarregados de Educação das Escolas do Agrupamento Brás Garcia de Mascarenhas e Escola Secundária, que já colocou um manifesto em circulação pelo concelho destinado a colher o maior número de assinaturas.

Em causa está um pacote de medidas que, no entender, do Conselho Geral da ESOH, presidido por Paulo Albernaz, afeta a qualidade pedagógica dos alunos que “são os principais afetados” com, por exemplo, a redução da oferta formativa e a própria heterogeneidade das turmas. Um cenário que em matéria de consequências nefastas é transversal à classe docente por conduzir à diminuição do número de turmas em cada escola e à consequente perda de horários de docentes. Um facto que, decorrente da aplicação das novas medidas entretanto sujeitas a “vários remendos”, já ditou a extinção de horário letivo a um terço dos professores do quadro da Secundária oliveirense, num total de 22 docentes.

“É gente com 10, 20 e 30 anos de serviço, não são caloiros do ensino, são gente com provas dadas”, referiu Albernaz, com respeito pelos professores recém licenciados. A par dos docentes do quadro da escola, também os contratados não escapam à “limpeza” que o ministério da educação está a fazer nas escolas públicas. Uma situação que assume contornos mais graves se se tomar em linha de conta que o governo mantém professores em regime de contrato há várias décadas. António Mota, docente da ESOH, é disso exemplo. “Já tenho 21 contratos com o ministério da Educação”, frisou o professor que não entende o motivo pelo qual nunca passou a fazer parte do quadro da Escola.

“Temos que fazer ver que não somos inferiores aos médicos e aos controladores aéreos”

“Solidário com os professores” numa luta que também lhe pertence, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital lamentou a “passividade” da classe em relação às medidas que vêm sendo impostas pelo governo e, disse ser hora de os professores mostrarem o seu desagrado. “Acho que devemos erguer a nossa voz”, afirmou José Carlos Alexandrino, entendendo que tal como os médicos e os controladores aéreos, também os professores se devem opor ao conjunto de medidas que “prejudicam alunos e professores com carreira”.

“A culpa disto também é nossa, porque nos calamos aos ataques que nos vão sendo feitos”, continuou o presidente da Câmara oliveirense incitando a classe docente a “fazer ver que não somos inferiores aos médicos e aos controladores aéreos”.

José Carlos Alexandrino reagia assim ao “processo desgastante” que tem vindo a afetar a classe docente de que também faz parte. “Tem alguma lógica que um professor com 20 anos de carreira seja empurrado para horário zero, que tenha que fazer concurso e seja deslocalizado?”, questionou o presidente, que também não vê com bons olhos os “remendos” que o governo tem vindo aplicar no conjunto de medidas.

“Um fato remendado com muitos remendos, nunca se torna um fato novo”, comparou o autarca que já encontra algum “dramatismo” numa situação, para a qual se exige “o bom senso” do governo.

“Escandalosa” é a forma como a sub diretora da escola avalia o processo por que estão a passar os professores e em particular os contratados que, permanecem há décadas sem qualquer vínculo. “O Estado é a primeira instituição a dar o mau exemplo”, notou Cristina Borges que fala de uma “situação dramática e de insegurança nas escolas” que afeta professores e alunos. A par desta, surge também a indefinição em torno do Centro Novas Oportunidades que, em caso de encerramento, lança seis docentes e quatro auxiliares para o desemprego e deixa a meio vários processos de certificação de competências.

A não atribuição de carga letiva não se fica pelos cerca de 30 professores da Secundária Oliveirense. No conjunto dos restantes agrupamentos escolares concelhios, os designados horários zero deverão afetar perto de quatro dezenas de outros docentes.

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