“Oliveira do Hospital não ficará eternamente sem reorganização da rede escolar”

 

O concelho de Oliveira do Hospital está hoje centrado no “Projeto Educativo Local” que ao longo do dia vai ser objeto de análise pela comunidade educativa, num atlier alusivo aquele nome, e que está a decorrer na Casa da Cultura César Oliveira. Uma iniciativa que está integrada nas jornadas da Educação e que tem uma segunda edição marcada para o dia 11 de setembro.

Em cima da mesa estão os projetos educativos de cada um dos agrupamentos e exemplos de projetos de concelhos vizinhos com o objetivo de Oliveira do Hospital partir para um “Projeto Educativo Local” que venha a servir de indicador para uma solução que se quer “pioneira”, no que respeita a reorganização da rede escolar.

Uma pretensão que ao início da manhã de hoje voltou a ser reiterada pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que apesar de, neste ano, ter conseguido travar a constituição de mega agrupamentos no concelho, disse ter noção de que “Oliveira do Hospital não ficará eternamente sem reorganização”.

“Oliveira do Hospital não será um oásis”, avisou José Carlos Alexandrino, notando também que o concelho oliveirense terá que se “adaptar aos tempos”, ainda que tendo em conta aquilo que são as suas características próprias.

“Não podemos ser contra as mudanças só por ser”, esclareceu o autarca, notando que na recente discussão em torno desta matéria, Oliveira do Hospital pediu um ano ao secretário de Estado da Educação para poder preparar um projeto educativo conducente à solução ideal para o concelho. “O secretário de Estado percebeu que podemos ter um projeto diferente”, realçou José Carlos Alexandrino que, ao longo deste ano, espera reunir o contributo de toda a comunidade educativa, com vista a também poder avançar para a renovação da Carta Educativa que “está desfasada”.

O autarca, defende por isso, uma solução numa “perspectiva de 20 anos” e que seja reflexo “do sentir dos parceiros educativos” e que permita ao concelho “reinventar uma nova educação”. Para o efeito, José Carlos Alexandrino quer um projeto educativo “que se construa de baixo para cima” e que possa passar pelo reforço da vertente profissional “a favor de uma nova reorganização”.

Perante uma plateia educativa, José Carlos Alexandrino, docente de formação, não deixou de se revelar solidário para com os professores do concelho que, nos últimos tempos, não têm sido tratados com a devida dignidade. Reportando-se ainda ao anterior governo, Alexandrino condenou o processo de avaliação dos professores, por entender que “nenhuma avaliação deve ser feita no sentido de as escolas serem focos de problemas”.

Na abertura do atelier por onde, hoje, vão passar vários especialistas na área educativa, Assumpta Coimbra, do Centro de Formação da Associação de Escolas Coimbra Interior, falou da importância da formação contínua dos docentes. “É um meio privilegiado para ajudar a repensar a nossa conduta e os nossos papéis em face nas mudanças na profissão”, considerou.

António Gomes Ferreira, da Universidade de Coimbra aplaudiu o “bom senso” do presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital por não “fechar os olhos” à reorganização da rede escolar e entender que “deve ser pensada”. “Ao longo do ano podemos ajudar para que essa reorganização seja mais consequente”, sublinhou, avisando porém que esta será sempre uma matéria “controversa”.

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