Oliveira do Hospital não tinha registo de desaparecidos

 

Os trabalhadores rurais de Oliveira do Hospital, que foram resgatados em Espanha, no âmbito de uma investigação relativa ao tráfico de pessoas entre Portugal e o país vizinho, com fins de exploração laboral, nunca foram dados como desaparecidos junto da GNR de Oliveira do Hospital.

A garantia foi dada ao correiodabeiraserra.com por fonte daquela força de segurança, que tomando por base os anos de 2007 e 2008 – datas em que ocorreram os primeiros casos de desaparecimentos nos concelhos de onde são oriundas as vítimas – assegura a inexistência de qualquer registo de desaparecimento a nível concelhio.

Numa altura em que é desconhecido o número de oliveirenses resgatados, bem como as localidades de onde são naturais, tudo aponta para que os indivíduos terão aceite o convite para trabalhar em Espanha e, junto das respetivas famílias nunca tenha chegado qualquer sinal de exploração laboral.

De acordo com a Polícia Judiciária, na operação que contou com a colaboração direta da Guardia Civil Espanhola foram resgatadas 15 vítimas, “todas do sexo masculino, residentes em zonas rurais dos concelhos de Tábua, Oliveira do Hospital, Seia, Nelas e Mangualde”.

Em comum têm a particularidade de ser “socialmente vulneráveis, psicologicamente frágeis, dependentes do álcool ou de drogas e, consequentemente influenciáveis”.

A operação culminou ainda com a detenção de sete arguidos portugueses, duas mulheres e cinco homens, naturais da Beira Interior e com residência habitual em Espanha. Constituídos arguidos, os sete elementos de uma mesma família aguardam julgamento, sujeitos a termo de identidade e residência.

Fonte da diretoria do Centro da Polícia Judiciária adiantou ainda ao correiodabeiraserra.com que a operação realizada resultou da ocorrência, em 2007 e 2008, de um conjunto de casos de desaparecimento de pessoas, alguns deles reportados por instituições.

“Nalguns sítios havia referências a carrinhas e a pessoas que faziam perguntas em cafés e tascas e percebeu-se que o fluxo se dirigia para Espanha”, adiantou aquela fonte,

De acordo com a Polícia Judiciária, a exploração laboral não se esgotou nas 15 vítimas resgatadas. “Outras vítimas já tinham escapado e já foram identificadas”, frisou fonte da PJ. Em território nacional, o grupo apenas angariava os trabalhadores rurais.

“Todo o crime ocorre lá fora”, sublinha aquela força de segurança que incidiu a sua ação num conjunto de buscas realizadas em diferentes quintas nas zonas de Salamanca, Valladolid e Burgos, locais onde as “vítimas desempenhavam tarefas agrícolas diversas e eram obrigadas a trabalhar em condições degradantes, desumanas, sem receberem qualquer salário, sendo coagidas e ameaçadas quando manifestavam o desejo de regressar a casa”.

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