Oliveira do Hospital perde competitividade empresarial

Enquanto que em matéria de desenvolvimento industrial o município de Oliveira do Hospital continua verdadeiramente estagnado, e com uma perigosa dependência da indústria de confecções, na região começam a aparecer novos investimentos empresariais com grande capacidade empregadora.

No vizinho concelho de Tábua, em Sinde, a nova unidade empresarial do grupo Aquinos (na imagem de cima) está praticamente concluída e deverá iniciar a laboração a muito curto prazo.

Em causa está um projecto de reconhecido interesse supramunicipal, que prevê a criação de 400 postos de trabalho directos mais 200 indirectos.

A empresa, que instalou a sua nova unidade num terreno cedido pela autarquia local, tem um acordo com a multinacional IKEA por um período de 20 anos, e vai trabalhar – no fabrico de sofás – quase que exclusivamente para a exportação.

A nova fábrica dos irmãos Aquinos, deverá ter que recorrer a mão-de-obra nos concelhos da região, e tem a vantagem de ter o IC6 – já em construção – a passar-lhe à porta.

 

Indústrias verdes

Em Arganil, na zona industrial do Sarzedo, também está para breve o arranque de uma nova indústria, ligada ao Grupo Visabeira, que vai empregar cerca de 30 pessoas.

A “PINEWELLS” (Em baixo, na imagem) é uma industria verde, que pretende aproveitar o potencial da fileira florestal da região para se dedicar à produção de combustível vegetal.

Fazendo o aproveitamento dos resíduos florestais para produção de “wood-pellets”, a criação da “PINEWELLS” comporta vários benefícios de natureza económica, como por exemplo a redução da factura energética, promoção de actividades capazes de gerar riqueza local, de natureza social, como a criação de emprego, a fixação das populações, o combate à desertificação, e de natureza estratégica e ambiental, com a consequente diminuição da dependência energética e promoção dos recursos energéticos endógenos.

 

 Call Center da EDP criou 250 postos de trabalho em Seia

Já em Seia, onde é esperado o lanlançamento de um mega-projecto na área do turismo, o empenhamento da autarquia local – conforme frisou o presidente da EDP, António Mexia, no acto inaugural da empresa –, foi decisivo para a instalação do Contact Center da EDP, que recentemente comemorou um ano com cerca de 250 postos de trabalho. A cidade de Seia tem também atraído, nos últimos anos, várias instituições de serviços públicos.

A indústria da velhice

Tido em tempos idos como um dos principais municípios do distrito de Coimbra, ao nível de uma vasta panóplia de indicadores de desenvolvimento, Oliveira do Hospital tem estado a perder muita competitividade para os municípios vizinhos, e já há muitíssimos anos que não consegue captar qualquer investimento empresarial de relevo.

Com o presidente da câmara a argumentar que “não consegue fabricar empresários”, Oliveira do Hospital não tem neste momento soluções para atrair novos investimentos.

No parque industrial da cidade não existem terrenos disponíveis, e no famigerado Pólo Industrial da Cordinha/Seixo da Beira, a câmara municipal, que vem sendo acusada de não ter uma política empresarial, enterrou naquele espaço muito dinheiro em infra-estruturas, mas o pólo continua devotado ao abandono há cerca de dezasseis anos.

Estando a atravessar um dos piores ciclos da sua história – o encerramento de várias indústrias de confecções tem lançado centenas de pessoas no desemprego –, Oliveira do Hospital está também recesosa do futuro no sector que mais mão-de-obra absorve.

Só nos últimos cinco anos, a falência de 5 empresas de confecção, levou para o desemprego mais de 600 pessoas. Como sem emprego não há riqueza, os fenómenos de desertificação começam a acentuar-se e o concelho, que tem hoje a câmara municipal como um dos seus maiores empregadores, já não consegue garantir empregabilidade à população mais jovem, que acaba por partir à procura de melhores dias.

Face à crise instalada, o comércio local começa também a entrar em asfixia e a dar sinais de colapso.
Nos últimos anos – são os sinais dos tempos –, Oliveira do Hospital tem no entanto assistido ao florescimento de um tipo de indústria, que já detém algum peso na pirâmide da distribuição do emprego. São os chamados lares de idosos, centros de dia e outras instituições de solidariedade social, que têm aparecido quase como que cogumelos um pouco por todo o concelho.

Esta conjuntura, que poderá agravar-se em consequência da crise que está a assolar o mundo, não augura nada de bom. E um dos principais desafios que se vai colocar ao futuro executivo camarário, que entrará em funções na alvorada de uma nova década, é precisamente a criação de emprego e a diversificação do tecido industrial.

Henrique Barreto

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