De onde vem tanta violência? Porquê tanta revolta, tanta vontade de destruir? Haverá um gene da violência, que faz com que uns o sejam mais do que os outros?

Onde Mora o Perigo?

O que poderemos fazer para parar tanta destruição? Imagino que estas, e outras, questões passem pela cabeça da maioria das pessoas quando ouvem e vêem as notícias, de comportamentos violentos das mais variadas formas, na comunicação social.

Em primeiro lugar, é importante que possamos distinguir comportamentos delinquentes de comportamentos pré-delinquentes e, estes, de comportamentos de alguma oposição e rebeldia, próprios de quem está a crescer e à procura da sua autonomia e identidade.

Comportamentos de alguma oposição, de desafio e teste às regras e à autoridade, vontade de experimentar “tudo o que a vida tem para dar”, ensaiar papéis e, mesmo, relações amorosas, na ânsia de encontrar o amor certo, a profissão certa, podem ser considerados, quando vividos com conta, peso e medida, comportamentos saudáveis – sem esquecermos que, apesar da importância do respeito pelo crescimento e autonomia dos jovens, este nunca deverá estar livre do olhar atento de pais e adultos responsáveis, que consigam manter os limites essenciais ao saudável crescimento e, sem os quais, se cai numa espécie de “abandono” em nada benéfico.

Por outro lado, o desafio constante e abusivo de todas as regras, fazendo parecer que querem viver sem limites, o consumo de substâncias ilícitas de forma recorrente, os comportamentos agressivos e violentos constantes, já serão, certamente, um sinal de alerta. Quando estes comportamentos são ignorados e, consequentemente, se mantêm os abandonos, desamparos e maus tratos (por actos e/ou omissões) então, estão criadas todas as condições para que, de sofrimento em sofrimento, estes jovens resvalem para um comportamento delinquente, instalado e generalizado.

Quando uma criança ou jovem age, atacando tudo e todos à sua volta ou, não menos preocupante, parece demasiado sossegada e, muitas vezes, atenta contra si em silêncio, estamos perante uma criança ou jovem em perigo.

A violência, que estes jovens praticam, não é solitária. Ela vem acompanhada, dentro de si, de todo um conjunto de episódios e relações que, por actos ou omissões, os foram maltratando. Ninguém se torna violento sem ter sido exposto a uma violência, muitas vezes, sem limites.

Nestes casos, é fundamental não só a acção das entidades competentes – Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em perigo, GNR, Tribunais – mas, acredito que, acima de tudo, poderá ser o contributo de cada um nós a fazer a diferença, nos pequenos actos de violência quotidianos.

Apelo à responsabilidade civil na sinalização destas situações, às referidas entidades, desde cedo, de modo a prevenir crescimentos desajustados. Quando tivermos pessoas a defender pessoas e percebermos que, muitas vezes, o perigo mora mesmo ali ao lado, então, talvez, a percentagem de comportamentos violentos possa diminuir.

Carolina Veiga
Psicóloga [email protected]

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