Deputado independente deixou autarca de Vila Franca em verdadeiro estado de nervos

Proferida a título pessoal, a afirmação do independente fez exaltar o autarca vilafranquense, que acabou por abandonar a Assembleia Municipal quando se discutia a lei da reforma administrativa autárquica.

O Salão Nobre da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital foi, ontem, palco de uma amostra do que poderá vir a ser a verdadeira discussão em matéria de reforma administrativa das autarquias.

No uso da palavra para dar conta da posição do grupo independente “Oliveira do Hospital Sempre” em defesa da pronúncia, José Vasco Campos acabou por aceder ao desafio que lhe foi sendo lançado por deputados socialistas e emitiu o que disse ser a sua opinião acerca das freguesias a cair.

“Acho que é preferível escolhermos as freguesias”, disse o independente, defendendo a extinção de S. Sebastião da Feira em vez de S. Gião, e de Vila Franca da Beira em vez de Alvôco de Várzeas. Uma opinião que o deputado não teve oportunidade de concluir, com a voz do presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira a entoar do fundo da Salão Nobre contra o que acabara de ouvir.

“Isso é que é era bom. Alguém te passou carta de alforria. Tem mas é juízo na cabeça”, vociferou João Dinis visivelmente exaltado. “Mas quem és tu?”, perguntou, ao mesmo tempo que o deputado independente lhe pedia respeito. “Tenho respeito por quem me respeita”, continuou o autarca Vilafranquense, que desafiou o independente a ir a Vila Franca da Beira dizer o que acabara de proferir naquele órgão. “Hás-de lá ir e se fores corrido à pedra não te admires”, continuou o exaltado autarca., que acabou por abandonar os trabalhos, continuando porém a dar conta da sua indignação no exterior do Salão Nobre.

“Se calhar é melhor chamarmos a GNR para levar aquele senhor”, disse em tom de brincadeira o presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, António Lopes, que apelou a uma “discussão serena” sobre o tema.

“Assistimos aqui ao que a lei traz”, constatou mais adiante o presidente da Câmara Municipal, que reiterando a sua “oposição séria” à lei que determina a extinção de freguesias, desafiou os defensores da pronúncia a apresentarem uma proposta para ser colocada à votação. José Carlos Alexandrino dirigia-se em concreto à bancada social-democrata, desafiando a atual Comissão Política do PSD para não se cingir à “opinião” e avançar com uma proposta. “Se eu estivesse no PSD tinha vergonha”, referiu o autarca, repudiando que aquele partido defenda que “alguém faça o trabalho sujo para lhe salvar a face”.

Numa assembleia onde foi evidente a unanimidade entre os presidentes de junta de freguesia contra a pronúncia e ficou clara a posição das bancadas social-democrata e independente a favor da mesma, o presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital – iniciou aquela reunião a questionar qual PSD é que a mesa deve levar em linha de conta – desafiou os grupos favoráveis à pronúncia para que avancem com propostas, para colocação à votação na reunião prevista para setembro.

Uma matéria sobre a qual, António Lopes diz também ter opinião – “tenho aqui três ou quatro mapas”, referiu – mas que não pretende partilhar, dada que é a sua posição pela não pronúncia.

“Tenham coragem de dizer e assumam as consequências daí advindas”

Na discussão daquele que foi o último ponto da ordem de trabalhos numa reunião que iniciou às 17h00 e terminou depois das 23h00, o presidente da Junta de Freguesia de Ervedal da Beira foi o primeiro a reiterar a sua oposição à lei e à não pronúncia. Carlos Maia não deixou porém de desafiar os que defendem a pronúncia a avançar com os nomes das freguesias a extinguir.

“Tenham coragem de dizer e assumam as consequências daí advindas”, referiu o ervedalense, falando da importância das pessoas saberem que são os verdadeiros coveiros das suas freguesias.

“O coveiro é o governo que fez a lei”, referiu o social-democrata João Esteves que apesar de “não gostar” da lei, encara a pronúncia como uma forma de se “minimizarem os prejuízos”.

Na discussão de uma lei que chega a levantar dúvidas em matéria da sua aplicabilidade – o o independente José Vasco Campos, o presidente da Assembleia Municipal e o social-democrata Madeira Dias duvidam da sua aplicação – o presidente da Junta de Freguesia de S. Gião fez também questão de se demarcar da posição da Comissão Política do PSD acerca desta matéria. “Eu não passei atestados a ninguém. O senhor presidente da CPS do PSD não está mandatado por mim para vir aqui dizer que defende a pronúncia”, frisou o autarca que chega a considerar aquela atitude como “uma traição à nossa deliberação”.

De fora do grupo dos autarcas que na reunião da Assembleia realizada em Abril subscreveu um documento contra a extinção de freguesias, o presidente da Junta de Freguesia de Penalva de Alva encara a pronúncia como uma forma de “minimizar estragos”. Rui Coelho revelou-se, porém disponível para juntamente com os 20 presidentes de junta colocar o lugar à disposição. “Devemos ser incisivos e atacar a lei como ela nos atacou”, referiu o autarca, que à semelhança do que aconteceu com a falada proposta sugerida pelo presidente da Câmara para pronúncia pela extinção das 21 freguesias, não chegou a convencer os deputados. Do lado do PSD, Rui Abrantes esclareceu que “a lei não quer por autarcas contra autarcas”, pelo que encara a pronúncia como forma de “minimizar danos causados pela lei”.

“Nogueira do Cravo nunca cairá”

A matéria em torno de Nogueira do Cravo também esteve em cima da mesa, com o presidente da Câmara Municipal a dar conta das diligências feitas para que a freguesia seja desclassificada a rural. “Nogueira do Cravo nunca cairá como freguesia”, garantiu Alexandrino numa Assembleia que voltou a contar com a intervenção do advogado Nuno Freixinho em representação da autarquia, que voltou a não ser bem interpretada pela mesa da Assembleia e deputados socialistas.

Carlos Maia chegou mesmo a abandonar os trabalhos por não estar disponível para aceder à “pressão” que ali estava ser feita pelo jurista que apresentou uma abaixo assinado, através do qual os nogueirenses pedem àquela órgão uma “posição clara sobre o que há a decidir sobre Nogueira do Cravo”. “A assembleia está cá para respeitar o concelho todo”, reagiu entretanto o presidente da mesa, garantindo que está ser feito um trabalho político em defesa da freguesia.

Ainda em matéria de extinção de freguesias, o presidente da Assembleia Municipal não deixou de repudiar o modo como a recém eleita comissão Política do PSD ajuizou acerca do trabalho feito pela mesa, em particular no que respeita à constituição da Comissão criada para o efeito. “A mesa da Assembleia não tem problemas de consciência de que não tem feito tudo o que está ao seu alcance”, clarificou.

LEIA TAMBÉM

EM OLIVEIRA DO HOSPITAL APROVEITAMENTOS ELEITORALISTAS DO PS E SEUS PRINCIPAIS AUTARCAS-CANDIDATOS MANCHAM JÁ A DEMOCRATICIDADE DO PRÓXIMO ACTO ELEITORAL A 1 DE OUTUBRO ! Autor: João Dinis, Jano

Estamos a assistir a um frenesim eleitoralista por parte de “facção” do PS local envolvida …

CDU apresenta queixa na CNE contra executivo e autarcas do PS oliveirenses por aproveitamento “eleitoralista, ilegítimos e antidemocráticos”

Depois do PSD, a CDU de Oliveira do Hospital enviou também uma queixa à Comissão …