Opinião: Direto e sem rede

O Correio da Beira Serra assumiu, nos últimos anos, um papel importante em Oliveira do Hospital. Despertou consciências, deu voz a quem não a tinha, noticiou factos desconhecidos. Aceitei, por isso mesmo com enorme orgulho e responsabilidade, o convite para pontualmente escrever neste espaço.

Hoje dedicar-me-ei a analisar a racionalização da rede de Ensino Superior. Começo por assumir um pressuposto – é necessário reorganizar a nossa rede de Ensino Superior. Existem hoje cursos a mais, desproporcionados às necessidades de formação dos jovens, às necessidades do mercado de trabalho e, em muitos casos, abaixo de um nível mínimo de qualidade.

No entanto, esta reorganização não pode passar pelo critério abstruso de fechar cursos que têm tido poucas inscrições, base da mais recente proposta do Ministério da Educação e Ciência (MEC).

A rede é muito heterogénea, mas desequilibrada. Por exemplo, Lisboa concentra grande parte da oferta formativa a nível nacional e a maioria dos estudantes nacionais, no entanto nem todos os cursos oferecidos são melhores que os oferecidos no resto do país.
Hoje é necessário conseguir que as instituições de ensino superior se foquem no ensino de matérias específicas, sabendo definir bem o seu core business e focando-se no desenvolvimento científico de alta qualidade, contribuindo para a evolução nacional e das regiões em que se encontram inseridas.

Não faz sentido, por exemplo, a existência de dezenas de cursos das mesmas áreas de formação, com planos de estudo muito semelhantes, em todo o país. Em primeiro lugar porque, entre todos esses cursos, há vários com corpos docentes altamente deficitários ao nível da investigação e do conhecimento teórico e prático e que continuam abertos porque continuam a captar alunos.

E aqui podemos também dizer que o financiamento das instituições, atualmente feito por número absoluto, numa lógica básica de “quantos mais alunos tens, mais dinheiro recebes”, não ajuda nada.

Assim, a tutela devia ser exigente: só vale a pena fazer se se fizer bem. A criação de clusters de determinadas áreas científicas em diferentes zonas do país não é nova e, na minha opinião, pode resultar.

A especialização de Escolas Superiores e faculdades em temas cujos corpos docentes realmente dominam e cuja sociedade necessita é um bom primeiro passo. A adequação da oferta letiva dos Institutos Politécnicos aos tecidos empresariais locais e a especialização das Universidades nas suas melhores áreas de ensino seriam uma boa forma de continuar.

E seria sempre uma opção a ter em conta a discriminação positiva às zonas do interior do país, com capacidade para receber os estudantes e com benefícios óbvios na criação de cidades universitárias, para a dinamização da sociedade civil, da economia e para a incubação de novas ideias e projetos.

Em Oliveira do Hospital, apesar de todos os atentados que nos têm infringido, a ESTGOH tem cumprido relativamente bem esta missão. Que, no ano letivo que agora se prepara, consigamos continuar a reerguer-nos e a crescer em conjunto – a escola e a cidade.

Ainda vale a pena dizer…
– Que o Sampaense mereceu rasgados elogios na votação de Clube do Ano, ao nível do Minibasquete. Pela boa organização e capacidade de sacrifício, por contornarem a distância e más condições de viagem com vontade, empenho e talento. E eu digo, é assim que se faz, que se leva o nosso nome mais longe. Obrigado rapazes!

– Que a Rádio Boa Nova superou a crise e obteve resultados positivos no exercício do seu último ano. As mudanças na estação foram várias nos últimos anos e parece que resultaram. Vejo com agrado, apesar de ser muito à distância, o sucesso de quem trabalha por amor à causa, à camisola e à rádio.

Pedro Miguel Coelho

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