“A gestão dos recursos humanos numa Câmara que emprega cerca de 300 pessoas será sempre um dos principais pilares do sucesso, ou insucesso, deste executivo camarário.

“Na balança do poder, um dos pesos é baseado na capacidade logística”

O grande desiderato é alcançar na administração pública o princípio da eficiência com que se rege a iniciativa privada. Isso faz-se com reorganização dos serviços, muita formação profissional, criação de chefias com objectivos pré-determinados e, acima de tudo, responsabilização.

Como ninguém chega a lado nenhum se não souber para onde vai, compete ao novo presidente da Câmara definir uma linha de rumo em que todos remem no mesmo sentido. Neste campo, é também fundamental modernizar os serviços com recurso às novas tecnologias.”

Escrevi este texto – se clicar aqui pode lê-lo na íntegra – nos primeiros dias de Novembro de 2009, pouquíssimo tempo depois das eleições autárquicas que retiraram o PSD de uma Câmara que governava há sensivelmente 16 anos.

Hoje, após um “mergulho” nos arquivos da edição digital do correiodabeiraserra.com, constato que o texto ganhou pertinência justamente porque o tema da gestão dos recursos humanos é, porventura, o principal “calcanhar de Aquiles” do executivo de José Carlos Alexandrino.

Num mundo cada vez mais exigente, é de facto angustiante ver um presidente de Câmara carregar às costas o pesadíssimo fardo que é, hoje, a máquina autárquica com cerca de 300 funcionários que, muitos de nós, continuamos a não saber porque é que estão, onde estão e como estão.

Quase paradoxalmente o município de Oliveira do Hospital – com mais de 300 pessoas ao seu serviço – quase não tem jardineiros, carpinteiros, pedreiros, electricistas, e não tem todo um conjunto de verdadeiros profissionais a fazer o que, diariamente, tem que ser feito no espaço público: a sua preservação com brio e boas práticas.

Nestes últimos meses – a situação é muito confrangedora –, já vi funcionários camarários a confessarem-se impotentes na substituição de um ralo avariado há 16 anos num equipamento público; já vi serviços que andam há mais de meio ano para conseguir conceber, num pavilhão desportivo, uma rampa de acesso para deficientes, e até já vi – imaginem – funcionários a limparem as bermas da estrada e a lançar o entulho na faixa de rodagem.

O que eu vejo, sobretudo, é as pessoas a passarem pelos problemas – tão simples de se resolverem, num grande número de casos –, como cão por vinha vindimada.

O próprio presidente da Câmara já veio afirmar publicamente que o município oliveirense tem excesso de funcionários ao seu serviço – é uma pesada herança do passado –, mas também reconheceu que, apesar desse facto, a Câmara tem actualmente a sua operacionalidade hipotecada face à falta de profissionais nalgumas das mais básicas áreas de intervenção.

Na política, nas empresas, no futebol como em qualquer outra actividade, os reajustamentos nas equipas de trabalho são uma condição vital para o sucesso.

Prolongar a mediocridade por razões que a razão desconhece, é cavar a própria sepultura. Por isso, é nesse objectivo que José Carlos Alexandrino, que conseguiu inaugurar uma nova forma de estar na política local e até já transpôs obstáculos que há uns meses atrás pareciam barreiras intransponíveis, tem de se concentrar.

A modernização da máquina autárquica e a sua adaptação aos dias de hoje, que exigem cada vez mais velocidade e eficácia, está entre as suas principais tarefas para estes últimos quatro meses de 2010. Pois, como um dia disse Sun Tzu – no seu livro “A Arte da Guerra”, uma obra cuja leitura é muito útil à actividade política – “na balança do poder, um dos pesos é baseado na capacidade logística”.

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