Oposição inviabilizou subsídio de 50 mil Euros para o ‘Kikas’

Não é desta que a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital vai conseguir ajudar o Kikas, a fazer face à grave situação financeira, com que se tem vindo a deparar.

A apresentação de um protocolo destinado a subsidiar aquela Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) não reuniu o consenso dos sete elementos que integram o executivo autárquico. Os vereadores do PSD e do movimento independente votaram contra.

“Há um problema de 94 crianças e sem estes 50 mil Euros é muito difícil viabilizar o Kikas”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que, com aquela medida, pretendia dar resposta a um apelo que lhe foi dirigido por um grupo de pais, em reunião pública realizada em novembro passado.

Para além do subsídio, nos planos de José Carlos Alexandrino consta também a transferência dos 20 acordos da Casa da Criança Sarah Beirão para o Kikas, como forma de aumentar as receitas da instituição.

“Estou aqui de peito aberto para viabilizar o Kikas”, garantiu o presidente da Câmara Municipal, assegurando que “se não houver injeção de 50 mil Euros no Kikas, a IPSS não tem solução”.

Reconhecendo que o problema da instituição “vem da nascente”, Alexandrino lembrou que está em causa o futuro das crianças, algumas delas oriundas de “famílias desprotegidas que não pagaram as mensalidades”.

O autarca destacou ainda o facto de a instituição estar a cargo de uma nova direção. “O Kikas tem um conjunto de pessoas que hoje me dão garantias”, frisou. Os argumentos do autarca é que não convenceram a oposição.

Na linha daquilo que já tinha dito em novembro, o vereador do PSD Mário Alves justificou o seu voto contra, com a consideração de que “não se deve usar o dinheiro do erário púbico para suprir problemas de má gestão da instituição”.

Do mesmo modo, também se opôs à ideia de atribuição de acordos da Casa da Criança Sarah Beirão. “Entrega-se a quem fez má gestão?”, questionou.

Ainda que tenha verificado “um esforço de contenção”, o colega de vereação Paulo Rocha seguiu o mesmo sentido de voto, por entender que a atribuição do subsídio “não resolve o problema estrutural da instituição”, que assenta num “défice mensal de 2500 a 3500 Euros”.

“Daqui a oito ou 10 meses, o Kikas vai estar em situação difícil. Depois dá mais 50 mil Euros?”, questionou o social-democrata revelando-se, contudo, preocupado com “as crianças que, neste momento, não têm vagas em Oliveira do Hospital”.

Apesar de se mostrar “disponível para tentar viabilizar a instituição”, o vereador independente no executivo municipal seguiu a orientação dos sociais-democratas.

“O protocolo não vai resolver o problema da instituição”, afirmou José Carlos Mendes, assegurando estar disposto a votar favoravelmente uma “solução integrada” para o Kikas.

Por verificar que a solução apresentada não resultou da comissão que foi constituída para estudar o caso, a independente Telma Martinho decidiu-se igualmente pela não aprovação.

Contando apenas com o apoio dos dois elementos que integram a sua equipa, Alexandrino lamentou que “o primeiro passo para viabilizar o Kikas” tenha sido chumbado pela oposição e mostrou-se disponível para encontrar outra solução.

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