O Correio da Beira Serra desafiou os dois candidatos às eleições para a presidência do PSD – marcadas para o dia 12 de Abril – a responderem a um conjunto de seis questões colocadas por escrito pelo CBS. Aqui ficam as respostas de Paulo Rocha e José Carlos Mendes.

Os dois candidatos no primeiro frente-a-frente

 O que dizem os candidatos…

1. Aponte-nos três razões que tenham sido fundamentais na decisão de se (re) candidatar à liderança do PSD de Oliveira do Hospital?

2. Em caso de vitória, quais são as principais linhas do seu projecto político para o PSD?

3. Como é que avalia o desempenho político do PSD na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, nos últimos quatro anos?

4. Indique-nos quatro áreas de actuação que considere fundamentais ao desenvolvimento do concelho de Oliveira do Hospital nos próximos anos?

5. Acha que o candidato que sair vitorioso das próximas eleições deve ser o candidato à Câmara Municipal, nas eleições autárquicas de 2009?

6. Como é que comenta o actual relacionamento institucional e político entre a Comissão Política de Secção (CPS) do PSD e o executivo municipal, bem como a afirmação pública do presidente da autarquia oliveirense – proferida em Assembleia Municipal, dia 28 Abril 2006 –, que passamos a citar: “Não há diálogo com esta comissão política. Não há diálogo com gente que fez o que fez”

 

Paulo Rocha
Candidato da Lista A

Imagem vazia padrão1) A construção de um projecto político inovador que tenha em conta a história do PSD concelhio na preparação de novos quadros políticos, aliando as potencialidades da nossa juventude ao saber adquirido de outros militantes com maior experiência. A aposta no desenvolvimento equilibrado entre a cidade e todas as freguesias. É por isso que esta Lista é constituída e apoiada pela grande maioria dos Presidentes de Junta eleitos pelo PSD e por outros militantes, todos eles com provas dadas em termos profissionais e políticos, cujos conhecimentos e aptidões diversificadas reflectem os diferentes interesses sociais e culturais do concelho. Por último, esta equipa, que mereceu o apoio de inúmeros militantes que não se identificam com a estratégia de confronto da actual Comissão Política, nem com as intervenções públicas dos seus principais responsáveis, está reconhecidamente preparada para as disputas eleitorais que se avizinham (europeias e legislativas), mas especialmente vocacionada para ganhar as autárquicas em 2009.

2) Seguramente, após 12 de Abril vamos: Melhorar e agilizar a forma de comunicação com os militantes (sms, correio electrónico, página internet e edição de um boletim informativo semestral); Promover e dinamizar a actividade, respeitando a autonomia, das estruturas específicas do PSD ao nível concelhio – JSD, TSD e ASD; Incentivar e apoiar a participação de jovens quadros da Secção na Universidade de Verão da JSD; Instituir um sistema de apoio político aos eleitos pelo PSD em funções nos órgãos autárquicos; Potenciar a dimensão da estrutura concelhia do PSD, no sentido da defesa intransigente dos interesses do Concelho junto dos órgãos distritais e nacionais do Partido; Efectuar iniciativas dirigidas a todos os militantes, simpatizantes e membros da sociedade civil (colóquios/debates sobre temas da actualidade); Realizar, anualmente, a festa/convívio nas Caldas de S. Paulo, com novas actividades culturais, recreativas e desportivas; Promover a criação de um Conselho Consultivo, constituído por cidadãos não militantes de reconhecido mérito, na definição de novos objectivos e políticas para o Concelho; Realizar, anualmente, uma Convenção Autárquica e promover cursos de formação para jovens autarcas; Criar uma Comissão Autárquica que elabore o diagnóstico, defina um projecto e escolha os cabeças de lista, a propor aos militantes, aos órgãos das Autarquias Locais, promovendo visitas às freguesias e reuniões com os eleitos e candidatos nas últimas eleições autárquicas.

Este programa desenha um objectivo claro: “Ganhar 2009” – Legislativas, Europeias e Autárquicas-reforçando a posição do PSD, enquanto força política com maior implantação e responsabilidade no Concelho.

3) Os últimos quatro anos abrangem também parte do mandato anterior, que foi já julgado politicamente nas eleições autárquicas de 2005. Além disso, não nos parece relevante falar de um mandato em que o meu principal oponente esteve inconstantemente demissionário, perturbando desnecessariamente a coesão do executivo PSD.

No que toca ao mandato em curso, é reconhecido que foram já concluídos projectos que faziam parte do conjunto definido pelo executivo do PSD. Com um elevado rigor de gestão dos recursos financeiros, foi possível proporcionar um desenvolvimento justo e sustentado do Concelho. São claras as diferenças, para melhor, na educação, na cultura, no apoio social, na defesa e preservação dos recursos florestais, no apoio ao associativismo, na juventude, nas novas tecnologias de informação e comunicação (escolas, espaços Internet, portal do município), no apoio ao sector empresarial e no fomento do empreendedorismo – revisão do Plano de Pormenor da Zona Industrial de Oliveira do Hospital com vista à sua expansão, implementação de um concurso municipal de ideias de negócio “Empreender+”, criação de um programa municipal de apoio às micro e pequenas empresas “Oliveira Finicia–Invista+”, criação de uma entidade para a dinamização do comércio local – Agência para o Desenvolvimento Integrado de Tábua e Oliveira do Hospital e o projecto do futuro ninho/incubadora de empresas. Considerando a sua situação financeira, a autarquia pôde executar diversos investimentos ao nível da melhoria da rede viária interna, das infra-estruturas básicas, da requalificação de espaços e edifícios: a execução da rede de água e saneamento em Digueifel e Pedras Ruivas, o novo espaço da Feira Mensal e os projectos em curso de remodelação e valorização do Fórum Romano e a intervenção no Anfiteatro de Bobadela, o projecto da recuperação dos monumentos megalíticos, a intervenção em diversas escolas do 1º. ciclo, a adaptação da antiga escola primária de Travanca de Lagos para Centro de Emergência Social, a adaptação da antiga Escola Primária de Penalva de Alva para sede da Junta e Biblioteca, entre tantos outros. Foram ainda desenvolvidos os procedimentos administrativos tendentes à concretização de diversos investimentos relevantes em termos financeiros, que vão melhorar substancialmente a qualidade de vida dos Oliveirenses – Requalificação do Largo Ribeiro do Amaral e ruas Prof. Antunes Varela, General Santos Costa e Av. 5 de Outubro, beneficiação e pavimentação da estrada Oliveira/Felgueira, saneamento e rede de água a Casal do Abade, Pinheirinho, Quinta do Outeiro e Cabeçadas, na freguesia de Lourosa. Estão ainda criadas as condições para avançar com a Biblioteca Municipal, e com a beneficiação de diversas vias municipais de reconhecida importância – Aldeia das Dez / Vale de Maceira; Lagares da Beira / Meruge / Limite do concelho; Oliveira do Hospital / Aldeia de Nogueira / Nogueira do Cravo e a ligação a Travancinha e ao Pólo Industrial do Seixo da Beira.

4) Em termos autárquicos, consideramos fundamental a renovação e incremento da aposta na Educação, o reforço das condições objectivas de apoio e estímulo ao sector empresarial, incentivando a interligação à ESTGOH, a valorização dos produtos endógenos, do património natural e edificado com vista a potenciar o turismo e uma cada vez maior atenção às situações de exclusão social. Em relação à intervenção da administração central e do governo, considera-se fundamental a execução das acessibilidades externas – IC’s 6, 7 e 37, as novas instalações da Escola Superior de Tecnologia e Gestão e a manutenção e melhoria de todos os serviços públicos a que os Oliveirenses têm direito, especialmente, de saúde, justiça e segurança.

5) Não necessariamente. O candidato que sair vitorioso continua a ser apenas e só um militante do PSD com responsabilidades acrescidas. O PSD pode escolher entre várias personalidades de qualidade e com provas dadas. A escolha do candidato à Câmara Municipal deve recair num social-democrata que ofereça garantias inequívocas de empenho no projecto do PSD para o concelho.

O Partido conheceu 5 Presidentes da Comissão Política que não foram Presidentes de Câmara e 2 Presidentes de Câmara que não foram Presidentes da Concelhia. É muito redutor, para o Concelho e para o PSD, que um qualquer militante se auto-proclame Presidente da Câmara só por pensar que vai vencer uma eleição para a Concelhia. Esta equipa dá uma garantia aos militantes do PSD: a de apresentar uma solução vencedora para o Concelho e para o Partido.

6) É hoje claro para todos os militantes, simpatizantes e demais interessados, que os actuais responsáveis pela Comissão Política de Secção – CPS tinham um projecto de poder pessoal que visava o domínio da Câmara Municipal e, com essa intenção desenvolveram e alimentaram, nestes dois anos, uma estratégia de afronta ao executivo camarário, eleito maioritariamente pelos Oliveirenses nas listas do próprio Partido. Esta situação criou dificuldades ao trabalho político de todos os autarcas do PSD em funções.

Se, como lhe competia, a CPS eleita em Março/2006, tivesse desenvolvido um esforço de pacificação e união do Partido, reconhecendo previamente a quota parte de alguns dos seus principais responsáveis nos excessos verificados durante o processo eleitoral, o Presidente da Câmara teria feito tal afirmação?

Não é verdade que foi esta CPS quem equacionou, no momento imediatamente a seguir à sua eleição, a retirada de confiança política ao Presidente/Executivo Municipal eleito pelo PSD?

É que a frase atribuída ao Presidente da Câmara aconteceu mais de um mês após as eleições do PSD…

Ao longo destes dois anos ficou provado que a intenção da CPS nunca foi de diálogo e apoio ao executivo PSD. Pelo contrário, demonstrou uma clara e contínua obsessão pelo poder camarário que faz inveja a qualquer partido da oposição, mas que foi inequivocamente prejudicial para a imagem do PSD.

 

José Carlos Mendes
Candidato da Lista B

Imagem vazia padrão1. São inúmeras as razões que me levaram a recandidatar à liderança da Comissão Política de Secção do PSD de Oliveira do Hospital.

Resolvi aceitar mais este desafio porque sou um homem de convicções. A minha única preocupação é tentar ajudar a resolver os problemas individuais e colectivos dos Oliveirenses.

Apercebo-me, cada vez mais, que o nosso concelho anseia pela mudança. Ela só pode acontecer com um PSD forte, motivado e unido. Reúno condições para conseguir após a minha vitória em 12 de Abril unificar o partido e construir um projecto ganhador.

As razões fundamentais que me levaram a abraçar mais este projecto são as seguintes:
1. Amo o meu concelho! Sempre aqui vivi, aqui resido e aqui espero concluir o meu percurso de vida.
2. Entendo que o nosso concelho tem potencialidades inigualáveis que importa potenciar.
3. Julgo que todos nós e em particular os mais jovens, devemos ter acesso a melhores condições de vida.
4. Acredito no bom senso e inteligência dos militantes Social Democratas.

2. Acredito que a maioria dos militantes Social Democratas partilha de uma ideia de mudança. O contacto que tenho mantido com a população do meu concelho reforça esta opinião.

Sei que tenho capacidade para ajudar a construir um PSD maior e um concelho melhor!
– Um concelho onde não impere o medo e onde as pessoas sejam chamadas a participar na construção do seu futuro.
– Um concelho em que as pessoas sintam que o poder autárquico serve para ajudar a resolver os seus problemas.
– Um concelho onde os empresários se sintam apoiados e creiam que vale a pena investir.
– Um concelho moderno e atractivo, com novos equipamentos e serviços capazes de dar resposta às exigências da população.
– Um concelho onde os mais jovens se possam fixar e tenham a noção que o bem-estar não se resume a um restrito círculo de amigos.
– Um concelho que seja conhecido pelas suas potencialidades turísticas e pela organização e embelezamento das suas aldeias e cidade.

Só com o Partido Social Democrata será possível conseguirmos atingir estes objectivos. Tenho ideias bem claras sobre o desenvolvimento do meu concelho.

Este é o concelho que eu quero ajudar a criar!

3. Falta ambição e perspectiva de futuro ao actual executivo. A maioria dos Oliveirenses rejeita alguns dos métodos utilizados pelo poder. Outra parte não se revê nos actuais modelos de desenvolvimento que têm arrastado Oliveira do Hospital para a cauda dos concelhos menos desenvolvidos.
Este ciclo está terminado!
Tenho Confiança no Futuro. No dia 12 de Abril irá renascer uma nova esperança em todos os Oliveirenses.

4. Oliveira do Hospital é um concelho com inúmeras potencialidades que se tem afirmado ao longo dos anos pelo empreendedorismo das suas gentes.

Em meu entender, o que de facto conta mais são as pessoas. Para além da valorização da componente humana, deve existir um projecto claro para o concelho, sem o qual estaremos irremediavelmente a perder terreno face a outros concelhos limítrofes.

Assim, considero prioritárias as seguintes áreas de actuação:
1. Desenvolvimento empresarial
2. Turismo
3. Ensino (Superior, Secundário, Básico e Profissional)
4. Aposta na requalificação urbana e rural
Estas são, de uma forma sucinta, algumas das vertentes que considero fundamentais para que Oliveira do Hospital não se deixe irremediavelmente arrastar para o lote dos concelhos considerados deprimidos.

É possível invertermos a actual situação apostando decididamente nas acessibilidades internas e externas, sendo certo que esse objectivo só se consegue com um forte espírito reivindicativo junto das estruturas distritais e nacionais.

Acredito nas nossas potencialidades, nomeadamente nas inigualáveis capacidades humanas das nossas gentes.

5. São os militantes, no dia 12 de Abril, que poderão dar uma indicação precisa sobre quem deverá ser o candidato à Câmara Municipal, nas eleições autárquicas de 2009. Aguardo serenamente o veredicto dos militantes do meu partido. Caso vença estas eleições como espero, serei eu o candidato do PSD à Câmara Municipal. Assumi oportunamente essa decisão tendo por base a opinião do grupo que me acompanha e de uma grande maioria de Oliveirenses que acredita na minha capacidade. Corajosamente, dou o rosto pelo projecto em que acredito!

Curiosamente, por parte dos meus adversários noto grandes indecisões e apercebo-me de mensagens contraditórias que denotam fragilidade e incoerência só explicáveis por pretenderem exclusivamente iludir determinados militantes menos atentos.

Acredito no bom senso e inteligência dos militantes. A resposta será dada brevemente. Acredito na vitória e assumirei as minhas responsabilidades! ~

6. Hoje os militantes e simpatizantes do PSD sabem claramente quem provocou a discórdia e a conflitualidade.

Tudo tentámos para que o PSD se unisse e desse uma imagem consentânea com a sua responsabilidade.

Inúmeras vezes convidei o poder autárquico a debater com a Comissão Política de Secção os assuntos respeitantes ao desenvolvimento do concelho.

Para além do desprezo e intolerância manifestados publicamente pelo sr. Presidente e Vice-Presidente da Autarquia, tudo foi feito para que as acções promovidas pela Secção Política que lidero não tivessem o êxito pretendido.

Acredito que no dia 12 de Abril os militantes do meu partido vão dar uma resposta clara e penalizar aqueles que efectivamente promoveram, através de actos e acções, a divisão e o fraccionamento do partido.

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