Paraplégica desde os quatro anos, Ana Filipa Dinis é hoje uma “excelente aluna”, mas depara-se diariamente com algumas barreiras na sede do Agrupamento Brás Garcia de Mascarenhas.

“Os meus colegas é que me ajudam, porque sozinha não conseguia”

Imagem vazia padrãoReconhece o esforço da escola, valoriza o apoio dos amigos, mas ambiciona melhores condições em ambiente escolar. Do lado do Conselho Executivo a garantia é de que a escola “tudo faz para lhe minimizar as dificuldades”.

Rampas demasiado inclinadas, degraus, valas à entrada dos pavilhões, são alguns dos pontos negros identificados por Ana Filipa Dinis, aluna que frequenta o 8º ano no Agrupamento de Escolas Brás Garcia de Mascarenhas. À primeira vista tudo normal, mas o caso muda de figura quando está em causa a mobilidade de uma aluna que, agora com 13 anos, está entregue a uma cadeira de rodas desde os quatro.

“Um acidente deixou-a paraplégica”, contou ao Correio da Beira Serra a mãe, Amélia Dinis, que vive as preocupações diárias da filha mais nova que, por sinal, “é uma excelente aluna”. Esta é a realidade de Ana Filipa que começa bem cedo, logo pela manhã, quando à porta de casa – na Lajeosa – a aguarda a ambulância dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital que a conduz à escola. A rotina repete-se também no período da tarde quando as aulas terminam. Em casa, garante, “não há problemas”. “Os meus pais colocaram elevador e eu não tenho dificuldades para me deslocar”, contou a jovem Ana Filipa Dinis que, apesar da sua condição física não deixa de participar nas actividades escolares a par dos colegas.

Frequenta o Brás Garcia de Mascarenhas desde que iniciou o segundo Ciclo de Ensino Básico e é actualmente a única aluna que se move em cadeira de rodas. Nem por isso se sente discriminada. Pelo contrário, confessa-se “perfeitamente integrada” no ambiente escolar, porque professores e colegas “estão sempre disponíveis para ajudar”. Tem noção de que desde que frequenta a escola da cidade, o Conselho Executivo tem procurado solucionar algumas das suas dificuldades, possibilitando, por exemplo, que aceda à Biblioteca Escolar via sala de professores e ao pavilhão de ginástica por uma porta lateral, que não a entrada principal. Existem rampas no espaço escolar, mas não as consegue transpor sozinha, dada a inclinação que têm. “Os meus colegas é que me ajudam, porque sozinha não conseguia”, contou, referindo que o mesmo se passa na entrada dos pavilhões onde existe uma vala. Conta que também nos dias de chuva não pode aceder a alguns locais por o acesso que lhe é permitido usar não estar coberto, como é o caso do acesso ao pavilhão A e à biblioteca. Sem qualquer tipo de pudor, Ana Filipa Dinis diz-se dependente da boa vontade dos colegas e também da tarefeira que de três em três horas se desloca com ela a um gabinete reservado à aluna para a realização dos tratamentos.

Apesar das limitações a que está sujeita – não só na escola, mas também noutros espaços como o Pavilhão Gimnodesportivo da cidade por exemplo – a jovem aluna reconhece o esforço da escola e tem noção de que “há escolas piores”. E não precisa de ir muito longe para constatar isso mesmo. “Quando passar para a Escola Secundária, nem sequer posso ir à Biblioteca”, referiu, explicando que naquela escola a biblioteca se encontra no 1º andar. Sobre a escola que frequenta, gostaria que tivesse equipamentos mais adaptados, para não ter que depender tanto dos colegas, que – como revelou – por vezes também se começam a afastar.

 “Tudo fazemos para lhe minimizar as dificuldades”

Confrontado com a preocupação inicialmente manifestada pelos amigos de Ana Filipa, João Bento do Conselho Executivo do Agrupamento garantiu ao Correio da Beira Serra que a escola tem tido a preocupação de pensar no caso desta aluna e de um outro que para o ano também irá frequentar aquele espaço.

“Tudo fazemos para lhe minimizar as dificuldades”, referiu o responsável, sublinhando que “os horários da turma foram feitos a pensar na Ana Filipa”, pelo que “todas as aulas são no rés-do-chão”. Lembrou que também é permitido à aluna aceder à biblioteca via sala de professores, evitando as escadas e que, também pode entrar pela porta lateral do pavilhão de ginástica onde existe um pequeno degrau. João Bento destacou ainda a dedicação da tarefeira, bem como da directora de turma que têm sido “incansáveis” em proporcionar o melhor bem-estar à aluna. Igual elogio foi direccionado aos colegas que estão sempre dispostos a ajudar a Ana Filipa, embora venha a notar “algum alheamento”.

“A escola não tem as condições desejáveis, mas a certeza é de que foram criadas condições indispensáveis que não impedem a Ana Filipa de nada”, sustentou João Bento.

Liliana Lopes

LEIA TAMBÉM

Capoula Santos apresentou em Oliveira do Hospital novas medidas de apoio aos agricultores afectados pelos fogos

O Ministro da Agricultura apresentou, ontem, em Oliveira do Hospital, as novas medidas de apoio …

O “Ciclone de Fogo” varreu aquela noite que o foi de (quase) todos os medos… Autor: João Dinis, Jano

Naquela noite de (quase) todos os Fogos e de (quase) todos os medos, morreu Gente …