“Os mineiros têm salários muito baixos para quem produz riqueza tão elevada”

Trabalhadores das Minas da Panasqueira, na Covilhã, estão em greve durante dois dias para reivindicar um aumento salarial.

As máquinas nas Minas da Panasqueira, na Covilhã, pararam às 23h00 de quarta-feira devido a um protesto dos 365 trabalhadores da Sojitz Beralt, que estão em greve até à noite de sexta-feira.

Na manhã desta quinta-feira, a adesão à paralisação foi de 90%, número que deve manter-se elevado nas próximas horas, de acordo com José Maria Isidoro, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira.

“Nós apresentámos um caderno reivindicativo à empresa no início do ano para negociações: mais higiene e segurança, um aumento salarial e a contratação dos trabalhadores a prazo. Queremos evoluir nas nossas condições e não regredir, estando sujeitos a vontades que não fazem sentido”, diz ao José Maria Isidoro.

A Sojitz Beralt aceita o aumento de 55 euros do salário base atual, de 720 euros, mas apenas se o horário de trabalho for mudado, algo que é “prejudicial para os trabalhadores”, defende José Maria Isidoro. “Temos atualmente oito horas de trabalho diárias, em 40 horas semanais, distribuídas por cinco dias. A empresa quer passar a ter quatro dias de trabalho semanal, com as mesmas 40 horas, o que consideramos desumano”, explica.

“Os horários põem em causa a qualidade de vida dos trabalhadores, que já estão sujeitos a problemas por estarem dentro da mina, como a silicose [problema respiratório] ou o reumatismo”, acrescenta.

“Milhões e milhões de lucro todos os anos”
Apesar de garantir que o Sindicato está aberto a negociações, José Maria Isidoro critica a posição da empresa. “Estão neste momento a ter lucros avantajados. Mesmo que digam que têm prejuízo, não têm – estão a ter milhões e milhões de lucro todos os anos”, assegura.
“Nas nossas contas, [a empresa] vendeu 35 milhões de euros de produtos e pagou menos de sete milhões em salários e segurança social no ano passado. Portanto, há condições de sobra para proceder a aumentos salariais. Temos salários muito baixos para quem produz uma riqueza tão elevada e só queremos um valor justo”, diz o sindicalista.

O Sindicato também exige a contratação efetiva dos trabalhadores a prazo, que compõem “cerca de 30% da massa trabalhadora” e estão expostos “a vários perigos”, refere José Maria Isidoro, apontando dois acidentes mortais em 2012 e em 2011.

expresso.pt

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