Em 14 de Setembro de 2006 escrevi neste jornal, num artigo intitulado “Os Bancos e as nossas Confecções” que …considero a actividade bancária substancialmente especulativa

Os Outros e Nós

Confesso a minha ignorância de então sobre a dimensão da incompetência, desonestidade e ganância dos especuladores maiores – Presidentes e Directores de Bancos e Gestores da alta finança!! Mas serão eles os únicos culpados? Asseguro que muitos e muitos de nós também participámos, voluntária e/ou involuntariamente, nesta bagunça: habituámo-nos a praticar a especulação. Perdemos os bons hábitos de Transpirar para alcançar os nossos objectivos. Aprende-se no ensino público que o aluno não precisa de “transpirar “ para passar o ano. Como adulto recordará que, para ser “rico”, não precisará de suar.

E agora a que assistimos? Os mesmos comentadores e analistas económicos barafustando contra os “ex-reverenciados” especuladores, os mesmos políticos protestando contra o roubo desses notórios especuladores, os mesmos funcionários bancários a vilipendiar os ex-chefes…

Coitados deles! Pergunto: O que andaram eles a comentar nas televisões e rádios durante estes anos todos? O que andaram os nossos políticos controlando? O que andaram os gerentes e sub-gerentes bancários a fazer?

Uns ainda tentam manter o status quo apelando a uma maior regulamentação! Outros mais não pretendem que salvar o seu posto de trabalho e as suas contas bancárias! Nós que nos amanhemos!

Governos de todo o mundo decidiram, creio que de boa fé, salvar os Bancos, para que estes possam salvar a economia, preservar o emprego, manter o sistema…

Duvido, porém, que as ajudas aos bancos sejam canalizadas, a curto e médio prazo, para ajudar as PME e portanto o emprego do nosso País e, particularmente, do nosso Concelho!!! Estou absolutamente convencido que as garantias disponibilizadas pelo nosso governo não vão ser dirigidas para a economia real senão quando os Bancos e os seus maiores accionistas tiverem a tranquilidade e garantia de terem recuperado as suas fortunas especulativas. Repito: especulativas!!!

E, perante esta crise financeira, económica e social como vai actuar o nosso poder Autárquico? O que vai acontecer no nosso Concelho? Como se vai TRANSFORMAR?

Digo transformar e não mudar algumas “moscas” e ficarmo-nos apenas por uma “regulamentação” ou seja, limitando-nos apenas a adaptar-nos às circunstâncias, conforme as sugestões e directrizes que políticos e gurus emitem nestas situações.

Não reconheço nos nossos mais visíveis políticos autárquicos, sejam eles da oposição ou do governo, o perfil adequado para transformar o nosso Concelho!

Falta-lhes o perfil de empreendedorismo necessário para fazer face à difícil situação económica e social que se adivinha para o Concelho.

Constata-se ainda outra linha comum a todos eles: baseiam as suas propostas e projectos para vencer as eleições em argumentos que assentam na capacidade de influência que eles julgam ter junto do poder distrital e nacional dos partidos a que pertencem!

Todos reclamam apoio externo! Todos se reconhecem “órfãos”, incapazes de, por si só, dar a volta, incapazes de proceder a uma verdadeira Transformação no Concelho!

Não propõem nada consubstanciado na sua capacidade criativa, inovadora e empreendedora para o desenvolvimento do Concelho!

O Concelho precisa de autarcas com capacidades de empreendedorismo, capazes de tomarem medidas inovadoras que evitem o desemprego e um continuado atraso económico do Concelho, bem como com capacidade cultural e técnica para dialogar e juntar os agentes económicos e sociais do Concelho!

Esta crise pode ser uma oportunidade única para o nosso Concelho recuperar o lugar de destaque que já ocupou no ranking dos concelhos com maior nível de desenvolvimento, sabendo-se e conhecendo-se a capacidade humana do empreendedorismo Concelhio. Este empreendorismo precisa somente de uma autarquia capaz de compreender a crise e de a ultrapassar com uma actuação política eficaz. As oportunidades e potencialidades existem!

A transformação do concelho tem de ser encetada por cada um de nós, no seu exercício cívico e profissional.

Não podemos permitir, passivamente, apenas a mudança de algumas moscas, temos todos que nos empenhar com vista a uma efectiva transformação do sistema económico-cultural.

Eu, como cidadão, não ficarei passivo e manifestarei a minha escolha política para a próxima legislatura, neste jornal ou onde me for possível.

Você, caro leitor filiado político, deve manifestar e lutar pela sua opinião no seu Partido e não aceitar passiva e envergonhadamente a imposição das estruturas partidárias.

O Concelho, o seu posto de trabalho e o futuro dos seus filhos precisam de ser salvaguardados!

Desejo um Bom Ano ao Correio da Beira Serra, na pessoa do seu Director e dos seus Accionistas e Colaboradores, bem como a todos os seus Leitores oferecendo um excerto de uma carta de Gabriel Garcia Marquez…

…Tantas foram as coisas que aprendi com vocês, os homens! Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está em subir a encosta…

 Natal 2008
Carlos Brito

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