José Carlos Alexandrino

Os sete “pecados mortais” de Alexandrino. Autor: João Paulo Albuquerque

“A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre.”

                                                                                                                  Oscar Wilde

Na última assembleia municipal de O.H., o “independente” António Soares, presidente da junta de freguesia de Travanca de Lagos, numa tentativa de aumentar a sua popularidade sem conquistar inimigos, lançou um desafio a todas as forças políticas do concelho, à sociedade civil e às forças vivas de Oliveira do Hospital em geral, para que messianicamente implorassem a Alexandrino que volte a candidatar-se à autarquia, pois só assim, o concelho deixará de entrar numa imensa espiral recessiva que culminará num profundo caos politico, social e financeiro.

O “independente” António Soares, que, se esquecermos os abstencionistas, representa somente 1/3 dos eleitores da sua freguesia (contabilizando a abstenção, representaria muito menos), conseguiu não ter pejo em falar como se todos tivessem a sua opinião.

Terá ele moral para tal indecoro? Deve ter, as razões para os travanquences clamarem por outra recandidatura de Alexandrino abundam. Pois os travanquences, não esqueceram, por exemplo, quão rápida (de 2013 a 2017, quatro anos) e acertada foi a decisão de Alexandrino para solucionar os problemas existentes na ponte da “Adarnela” sob o rio Cobral, evitando tantos e tão altos custos financeiros, assim como problemas de trânsito. Os bombeiros de Lagares que o digam, pois andaram anos sem lá poderem passar. Não esqueceram também os travanquences, quão rápida e acertada foi a decisão camarária tomada por Alexandrino, na intervenção efetuada no parque infantil da Casa da Criança, ao repor equipamentos que os seus serviços camarários tinham retirado e destruído sem qualquer razão para tal. Ainda se lembram os travanquenses da tentativa do Sr Presidente da Câmara (o homem tem um coração do tamanho do mundo, mas com um cérebro inversamente proporcional) em trazer e acomodar no lar Sarah Beirão (aquele que não serve para idosos) dez famílias de refugiados do norte de África. Que bem que eles se iriam integrar na comunidade civil e religiosa, desfrutando das inúmeras mesquitas e postos de trabalho existentes na região.

Queria relembrar o quão eficiente e rápida tinha sido a intervenção camarária na Adarnela a fim de colocar água e saneamento nas residências existentes, mas fiquei agora a saber pelo “independente” António Soares, que afinal os populares ainda têm que levar a água em cântaros para suas casas, tal como o faziam há cinquenta anos atrás (pela certa que o Alexandrino não saberia desta nefasta situação?).

Depois de todas estas razões apresentadas, só posso acreditar que o Senhor António Soares trocará a sua (falsa) “independência” por uma candidatura “socialista” ao lado (ou por baixo) do seu ídolo, ao lado de Alexandrino (tal não foi a bajulice). Vamos esperar para ver, pois tudo indica que as negociações estão firmadas.

Se, como vimos, em Travanca de Lagos existem tantos e tão bons exemplos que apoiem um pedido popular (António Soares à cabeça) à terceira candidatura de José Carlos Alexandrino (JCA) à presidência da autarquia, então no concelho, são ainda mais evidentes as situações que favorecem tal apelo. Não conseguindo enumerá-las todas, vamos concentrar-nos nas sete mais convincentes:

A mais importante de todas, aquela que é o pilar principal da economia regional: o tecido industrial concelhio.

Nenhuma vereação passada viu aumentar de forma tão expressiva o número de empresas, nem a criação de tantos postos de trabalho, como as vereações de JCA. A zona industrial de Oliveira do Hospital (ZIOH) está a abarrotar, diria mesmo, a rebentar pelas costuras. A azáfama nas horas de ponta das fábricas é tal, que torna caótico o trânsito, não só lá, mas também no resto da cidade. A ZIOH devido há sua colossal dimensão, não consegue subsistir somente com funcionários concelhios, tendo neste momento mais de 50 por cento dos empregados oriundos de outros concelhos.
Os empresários oliveirenses são neste momento os maiores empregadores da região centro.

A acompanhar o exemplar sucesso da ZIOH, está o digníssimo Pólo Industrial da Cordinha (PIC). O PIC recentemente concluído, já não tem terrenos disponíveis para a instalação de novas indústrias. Mesmo com uma ETAR (será mesmo uma ETAR?) a despejar a céu aberto, em direção ao rio Seia, são muitas as empresas que não se importavam de se estabelecer por lá, tal não é a desenvoltura conseguida pela autarquia naquelas bandas.
Não tendo a câmara mais locais disponíveis para colocação de novas industrias, aproveitou a ajuda que a BLC3 amavelmente disponibilizou ao incubar centenas de empresas nas suas instalações (ainda por inaugurar desde 2014) em Lagares da Beira.

Não é necessário relembrar que o corrupio na Cordinha e em Lagares é tal, que as povoações já pedem que várias indústrias saiam para outros concelhos, de modo a acalmar um pouco o acelerado ritmo de vida (tipicamente urbano) destas aldeias, para níveis idênticos aos existentes antes de este presidente ser eleito.
Escusado será também dizer, que a procura é tanta em Oliveira do Hospital, que obrigou o presidente a gastar 150 mil euros a remodelar o novo mercado municipal, para acolher o call center da Altice, pois esta organização paga tão bem aos seus funcionários que é para JCA uma honra ter tal empresa em Oliveira do Hospital. Mesmo sabendo que já na década de noventa os call center’s do Reino Unido funcionavam no Bangladesh. (Porque seria?)

Mas tão importante como o primeiro, está a saúde local.
Oliveira do Hospital destaca-se relativamente aos concelhos vizinhos pela qualidade da sua saúde. Hoje torna-se banal encontrar indivíduos de concelhos vizinhos na sala de espera do nosso centro de saúde. A espera é menor, o serviço é melhor, o edifício em si, é mais acolhedor, fazendo com que os utentes de outros concelhos tenham preferência pelos serviços prestados no nosso centro de saúde. E não são só as pessoas que procuram o nosso centro de saúde, já houve casos, que a procura se alargou a ratos, cobras e lagartos.

A qualidade e quantidade de médicos é tanta, que o presidente da câmara viu-se obrigado a trata-los como Pilatos tratou Cristo, de modo a ver-se livre de alguns, como foi o caso do médico cubano Orelvis Jiménez Fernández.

É claro que todo este sucesso só aconteceu devido às marchas lentas, cortes de estradas e atividades afins, levadas a cabo pelo nosso edil.

A saúde em Oliveira está realmente diferente desde que JCA chegou ao poder, o mesmo não aconteceu em Seia, Tábua, Nelas, Carregal ou Arganil. Vão lá, e vejam a diferença (podem é nunca mais ir ao centro de saúde de OH).

A criação da BLC3.

A BLC3, que tão difícil está em aparecer, foi sem dúvida o apogeu de todo o instinto empresarial do nosso edil. Esta organização que ainda não se apresentou ao público, mas que já em 2015 tinha angariado mais de 12 milhões de euros em fundos nacionais e estrangeiros, é a menina dos olhos do nosso presidente. Basta comparar com o grupo empresarial “Aquinos” de Tábua, que pela mesma altura (2015) tinha angariado mais ou menos os mesmos valores em fundos e ver o peso que cada um representa no seu concelho.

A BLC3 em termos de resultados põe os “Aquinos” a um canto. São mais empregos criados, mais riqueza gerada, enfim, é um poço de petróleo para a magnificência concelhia que o presidente descobriu nos “campus” da antiga Acibeira.

Temos as nossas infraestruturas rodoviárias, que depois da eleição de JCA se destacaram pela positiva em relação às dos nossos vizinhos. Também neste caso estamos mais bem servidos de estradas do que Nelas, do que o Carregal, do que Seia e Tábua.

A pressão que o nosso presidente exerceu sobre o anterior governo foi tal, que se viram obrigados a encontrar 3 milhões para arranjar a EN17 entre o nó de Tábua e o limite do concelho de Oliveira do Hospital. Com a mudança do governo, ainda continuamos à espera das obras, no entanto, para acalmar o nosso presidente, o actual governo mandou cá o Pedro Marques para assinar o contrato de adjudicação da obra com o empreiteiro. Os papéis vieram, vamos ver quando aparecem as obras.

Está a nossa justiça, que com a alteração do mapa judiciário, viu serem retiradas ao tribunal da nossa comarca demasiadas competências. O nosso presidente assistiu impávido e sereno a tudo isto, porque sabia que com a mudança de governo, todas estas situações seriam alteradas e o tribunal de Oliveira voltaria a ser como era dantes. Como tal, mandou vir a actual ministra da justiça, Francisca Van Dunen, para tratar desses assuntos. Van Dunen disse-lhe, que nem à terra dela ia, em Angola, quanto mais a Oliveira do Hospital. Mandou uma secretária de estado adjunta para tratar do assunto. Como tal, prevê-se que a resolução esteja para breve. Alexandrino garante que não vamos esperar sentados (mas talvez deitados).

A cultura. Em Oliveira atingiu-se o zénite cultural, trazido pela mão do nosso presidente. Não, não foi a rufar os bombos do “Pedra e Racha”, mas sim, entre outros, na reformulação da “Casa da Cultura César de Oliveira”, que com o nosso presidente teve um uso tão intenso que se tornou pequena demais para a grandeza dos concertos e atuações que recebeu, o que obrigava que as grandes montras culturais destas vereações Alexandrinas tivessem lugar nas feiras, festas e romarias.

Conseguiu o nosso presidente, transformar a desatualizada e moribunda fundação D. Maria Emília Vasconcelos Cabral, num atualizadíssimo, completíssimo e funcional canil. É obra.

Para terminar, não podia deixar de referir as finanças da autarquia. É de louvar um presidente como o Alexandrino, que encontrou uma câmara completamente falida, a quem ninguém fiava um alfinete, onde os salários do pessoal estavam comprometidos, alavancou a economia camarária, encheu os cofres da autarquia, sendo hoje, mais do que nunca, a referência nacional da gestão autárquica.

Empréstimos? Alexandrino nem quer ouvir falar deles. As obras e os pagamentos são negociados ao cêntimo, sendo os ajustes diretos proibidos nesta câmara, pois como sabemos, são os ajustes diretos uma forma legal de adjudicar ilegalidades.

Anunciei aqui, sete simples razões pelas quais devemos implorar pela recandidatura de José Carlos Alexandrino. De propósito não toquei no sonho de JCA em levar as bordaleiras à avenida da Liberdade. O sonho que o ano passado era de mil ovelhas, e que este ano passou a ser mais comedido, passou a ser um rebanho (Será que não tem 1000 bordaleiras no concelho? Há 10 anos atrás havia bem mais de mil só na freguesia dele. Enfim, é o que temos, no entanto, é o leite das ovelhas de Seia que segundo ele, poluem os nossos rios.), nem tão pouco toquei na famosa situação do IC6, porque sei, que JCA faz parte daquelas equipas que contemplam “irrevogáveis Portas”, “honrados Costas” e “verdadeiros Sócrates”, como tal, deixo-lhe aqui o desafio: “Avança Alexandrino” e rápido. Toca a trocar a suposição pela realidade, para deixarmos as suaves brincadeiras e passarmos a discutir as cruéis realidades.
João Paulo AlbuquerqueAutor: João Paulo Albuquerque

 

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  • António Lopes

    João Paulo: Anda o homem ufano com as suas (não) realizações e vens dizer-lhe estas coisas..? De facto, tenho alguma dificuldade em entender o Senhor Doutor António Soares.Sempre o considerei uma pessoa ponderada.Em duas ou três assembleias apercebi-me da necessidade de enaltecer o vulgar, para não dizer o rejeitável.Colagem..?Certa vez em que tentei alertar os membros da assembleia para um conjunto de problemas em que podem incorrer, se o tribunal me der razão fez uma intervenção dizendo que não ia por aí.Mas de forma esguia. De forma esguia lhe respondi.Talvez cegueira minha, não sei, desde o inicio do primeiro mandato que me comecei a aperceber que , Alexandrino, politicamente falando, era uma fraude.Por isso não queria concorrer ao segundo mandato.Desde que tive a infeliz ideia de apoiar o ingresso do Dr.Paulo Rocha(não por ele) e desde que Alexandrino se apanhou com uma maioria, a democracia esvaziou-se, a arrogância e a prepotência instalaram–se. Com a conquista da maioria absoluta foi aquilo que se conhece.A frase que inicia o texto, da autoria do Óscar Wilde, não podia ser mais bem escolhida. Confesso a minha dificuldade em entender este apelo do Dr.António Soares.Naturalmente , sem querer condicionar as suas convicções e opções. Que fez , ou faz, Alexandrino de extraordinário..?Na minha modesta opinião, o difícil não é encontrar melhor. O difícil é encontrar pior. O que se gasta na cultura do presidencial ego, dava para resolver os problemas da sua e de outras freguesias. O que vai a mais em compras e concursos resolvia um montão de problemas.O que vai não sei ao ao abrigo de que lei para a BLC resolvia o ensino superior de todos os carenciados.Os problemas de fundo que o presidencial narcisismo vai criando, vão-nos isolando da solução das nossas principais necessidades. ICs, saúde e afins, porque o Senhor presidente não consegue saber qual é o seu lugar e muito menos o momento de abrir a boca. Mas pronto.Mais uns anos à espera do que podia estar resolvido. Se o homem for assim tanto, o homem providência..! Felizmente, não é.!