Os vampiros! Autor: João Dinis, Jano

Eles comem tudo e não deixam nada.

               São os vampiros do universo todo ”

(José Afonso – em Os Vampiros )

É necessário utilizar as palavras necessárias. Vêm-nos mais uma vez à memória as estrofes desse hino de culto – a balada de José Afonso – Os Vampiros – balada tão amada pelos humanistas e tão odiada pelos…vampiros e seus “executivos”.

E esta minha conversa anda-me nos ouvidos desde aquele “diálogo”, fora de tom, entre o PSD oliveirense e o Vice-Presidente (PS) da Câmara a propósito da ainda recente instalação, em Oliveira do Hospital, das unidades de hipermercados das duas cadeias de distribuição que hegemonizam o sector em Portugal.

Pese embora seja o governo central a conceder as respectivas autorizações de instalação, sem passar charuto a qualquer parecer da Câmara, o facto é que o Vice-Presidente da Câmara, ao vir a público defender os “vampiros”, cometeu um grave erro, fez chicana política para ter “piada” ou, então, prestou-se a um grande frete.

Mas qual “economia de mercado” qual quê ? Esses hipermercados monopolizam o mercado. Dão é cabo da iniciativa privada de milhares e milhares de pequenos e médios comerciantes. E até já vão acabando com o outro grande comércio que não é “vampiro” tão grande como eles são. Esses hipermercados vão é contribuir para o (grande) aumento do desemprego em Oliveira do Hospital e não só.

Que o digam aqueles fornecedores habituais dos anteriores proprietários do supermercado onde agora está instalada a unidade de uma dessas grandes cadeias da distribuição/comercialização… Que o digam também os empregados. Os que saíram “à força” e aqueles que se lá mantêm em regime de sobreexploração com a imposição dos horários – manipulados – das 4 horas por dia, mas que muitas vezes chegam a duplicar em 24 horas, com intervalos maiores entre cada grupo de 4 horas – para ganharem menos e terem menos direitos.

Ser-se dois dos três homens mais ricos de Portugal impressiona os incautos e os submissos. Porém, incontornavelmente, essa “riqueza” toda assenta na exploração impiedosa de milhares de seres humanos, desde fornecedores, a trabalhadores e até a consumidores. O “resto” são estórias para desinformado ou submisso continuar adormecido…

Quanto às críticas e receios do PSD oliveirense, lá estão eles a condenar as consequências enquanto absolvem as causas e os causadores. Repete-se:- quem dá autorização para os hipermercados se instalarem onde melhor lhes apetece, é o governo central. No caso, já deve ter sido o actual governo PSD – CDS/PP. Aí temos os causadores… As causas são as políticas de direita que nos têm aplicado, sem dó nem piedade, ao serviço dos multimilionários que cada vez enriquecem ainda mais…à nossa custa.

Políticas aplicadas pelos sucessivos (des) governos dos três partidos do “arco da tróika” – PS – PSD – CDS/PP – que já ocupam as cadeiras do poder há quase 40 anos seguidos.

Tempo demais, convenhamos.

É necessário correr com tais políticas. É necessário que os detentores do poder político deixem de se comportar como autênticos “executivos”…às ordens dos grandes “vampiros” desta época. É necessário meter mais “vampiros” na “gaiola”…e antes que nos chupem o nosso sangue todo!

janoAutor: João Dinis, Jano

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  • Guerra Junqueiro

    Caro Professor João Dinis, isso já é “Seca” Afonso.
    Mude o discurso ou entregue o cargo a gente mais nova. Tem que inovar, tem que se actualizar.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • Gravatas

    João Dinis, em vez de andar a lutar pelo alcatrão do IC 6, lute contra aquilo que refere no seu artigo.Já reparou que com o IC 6 feito, as mercadorias do Belmiro e do Jerónimo, chegam mais rápido a Oliveira do Hospital!. deixe-se de lérias, vocês ainda fazem a politica de há 40 anos, já não pega. Olhe, vá lá buscar o seu trator das manifestações e ponha o palhinhas na cabeça e corte a estrada.. vá, vá á.

  • joão dinis, jano

    Pois pois chamem-me de nomes… Ou – paternalisticamente – dêem-me “conselhos” acerca de (pseudo) modernidades e outras do género. Adianta-vos um grosso, passe a expressão.

    “São os vampiros do universo todo – senhores à força, mandadores sem lei – …………………….
    E se alguém se engana com seu ar sisudo – e lhes franqueia as portas à chegada – eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada!”

    ——————————————————————————————–
    Sim Os vampiros desta época estão a chupar-nos o sangue ! É necessário iluminar os vampiros com a luz da razão e o movimento da força, para os “esturnicar”. É necessário meter mais vampiros e seus “executivos” na gaiola…

    João Dinis, Jano

    • O papão

      Onde e quando não houve vampiros?
      Até as melgas sugam quanto mais os vampiros.
      para terem sangue têm que nos alimentar, agora com as tuas politicas, morremos secos, nem para as melgas arranjamos sangue.

  • Teixeira de Pascoaes

    “E é na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civilização moderna. Ela firma-se, como tão claramente demonstrou Nordau, na mentira religiosa, na mentira política, na mentira económica, na mentira matrimonial, etc…

    A mentira formou este ser, único em todo o Universo: o homem antipático.

    Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita.

    A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.

    A mentira reina sobre o mundo! Quase todos os homens são súbditos desta omnipotente Majestade. Derrubá-la do trono; arrancar-lhe das mãos o ceptro ensaguentado, é a obra bendita que o Povo, virgem de corpo e alma, vai realizando dia a dia, sob a direcção dos grandes mestres de obras, que se chamam Jesus, Buda, Pascal, Spartacus, Voltaire, Rousseau, Hugo, Zola, Tolstoi, Reclus, Bakounine, etc. etc….

    E os operários que têm trabalhado na obra da Justiça e do Bem, foram os párias da Índia, os escravos de Roma, os miseráveis do bairro de Santo António, os Gavroches, e os moujiks da Rússia nos tempos de hoje. Porque é que só a gente sincera, inculta e bárbara sabe realizar a obra que o génio anuncia? Que intimidade existirá entre Jesus e os rudes pescadores da Galileia? Entre S. Paulo e os escravos de Roma? Entre Danton e os famintos do bairro de Santo António? Entre os párias e Buda? Entre Tolstoi e os selvagens moujiks? A enxada será irmã da pena? A fome de pão paracer-se-à com a fome de luz?…”

    – Teixeira de Pascoaes, “Trechos dum livro inédito” (1911), in “A Saudade e o Saudosismo”, pp.12-13.