Os vencedores e os vencidos da noite eleitoral de 11 de Outubro

VENCEDORES

José Carlos Alexandrino

É o grande vencedor destas eleições autárquicas, já que é com ele que o PS volta a conquistar, após duas décadas de jejum político, a presidência da Câmara de Oliveira do Hospital.

José Carlos Alexandrino igualou o feito de César Oliveira que, em Dezembro de 1989, venceu as eleições com 5.264 votos. Quase 20 anos depois, o PS obtém mais 14 votos, ao atrair 5.278 votantes.

A vitória foi suada, e Alexandrino foi o primeiro a perceber que dificilmente seria presidente da Câmara sem o apoio do Seixo da Beira.

Como tal, liderou o processo numa das freguesias onde o PS encontra sempre sérias dificuldades e o resultado está à vista. Os socialistas ficaram com 519 votos e o PSD teve o pior resultado de sempre naquele bastião social-democrata, ao não conseguir ir além dos 148 votos.

A cereja em cima do bolo, foi colocada com a vitória do PS para aquela Junta de Freguesia, onde passa a governar com maioria.

Naquele que foi considerado o maior comício da história do PS – em Nogueira do Cravo estiveram mais de 2 mil pessoas –, até o líder da distrital, Vítor Batista, ficou estupefacto com a moldura humana. “Por onde é que andou este homem para chegar tão tarde à política?”, perguntou o presidente do PS de Coimbra.

António Lopes

O homem que, no início do século XXI, chegou à política local pela mão do PCP, foi um dos principais impulsionadores da candidatura de José Carlos Alexandrino.

Vincando que o concelho estava acima dos partidos – “a minha bandeira política é o desenvolvimento de Oliveira do Hospital”, como fez questão de ir dizendo António Lopes durante toda a campanha eleitoral –, o antigo militante comunista trouxe uma alma nova ao PS.

Quase verteu lágrimas por se ver forçado a abandonar o partido onde militava desde 1976, e pelo qual travou muitas lutas.

Ainda tentou convencer os seus pares a coligarem-se com o PS, mas percebeu que, afinal, o PCP de Oliveira do Hospital tinha demasiadas cumplicidades com o poder instituído, que ele entendeu combater.

Perante este clima político-partidário, Lopes deu um murro na mesa e foi dos primeiros a “vestir a camisola” na luta que o PS manteve para vencer as eleições.

Na noite de 11 de Outubro foi o candidato mais votado e, comparativamente às autárquicas de 2005, obteve quase 700 votos a mais.

 

José Francisco Rolo 

Diz o ditado que “quem muitos burros toca, algum fica para trás”. Com José Francisco Rolo, como presidente da concelhia do PS de Oliveira do Hospital, aconteceu um pouco isso.

O líder socialista mostrou alguma dificuldade em conciliar a sua actividade profissional – com epicentro no concelho de Góis – e a função de vereador, com a de líder partidário.

Essa falta de conciliação, notou-se sobretudo ao nível da máquina partidária do PS que, não raras vezes, deu sinais de pouca produtividade no terreno político.

Porém, com aperto aqui e aperto acolá, o discreto presidente da concelhia do PS saiu vencedor desta prova de fogo e é sem dúvida um dos grandes vencedores da noite eleitoral do dia 11 de Outubro.

Depois de António Campos, que em 1989 – na qualidade de presidente do PS local –, convidou César Oliveira para vir gerir os destinos de Oliveira do Hospital, Rolo é o segundo líder local dos socialistas a conseguir remeter o PSD para a oposição.

 

José Carlos Mendes 

O antigo vice-presidente de Mário Alves “comeu o pão que o Diabo amassou” enquanto presidente da concelhia do PSD. Geriu aquela estrutura partidária durante cerca de três anos e transformou-a numa das maiores do país.

Não teve nenhum louro com isso, pois apesar de ter vencido no terreno, perdeu na secretaria em consequência de processos políticos que em nada dignificam a democracia portuguesa.

Numa inglória luta contra os barões do PSD, ainda tentou apoiar-se na Justiça – através de um recurso para o Tribunal Constitucional –, para exigir o cumprimento dos estatutos do partido.

Perdeu tempo e chegou tarde ao terreno político. Contudo, ainda conseguiu encontrar energias para se demitir do partido e avançar por uma lista de independentes.

Depois de contados os votos – 4.240 (29,01%) –, Mendes, que acreditava piamente na vitória, ficou aquém dos seus próprios objectivos, mas percebeu-se que foi ele o principal “agente da mudança”.

Apesar de algum sabor a derrota, Mendes sai destas eleições como um vencedor, que de ora em diante terá sempre uma palavra a dizer sobre o futuro do concelho.

Elegeu dois vereadores para a Câmara Municipal e 6 deputados – mais um presidente de Junta (Penalva de Alva) – à Assembleia Municipal. O PS sabe que a estabilidade da governação depende das suas posições futuras.

VENCIDOS 

Mário Alves

É o principal derrotado destas eleições autárquicas ao insistir em ignorar que o exercício do poder não é eterno.

Com o clima de conflitualidade que fomentou na sociedade oliveirense, Mário Alves fica na história política do concelho como um dos maiores “caciques” do pós-25 de Abril e acaba por sair da Câmara pela “porta dos fundos”.

Como alguém que outrora esteve muito próximo de Alves afirmou, aplica-se aqui a velha máxima de que “quem semeia ventos, colhe tempestades”.

Na hora da derrota – e de semblante carregado –, também não teve a dignidade e a elegância que se exigem a quem ocupa lugares de Estado.

Na sua sede de candidatura, afirmou aos jornalistas a intenção de assegurar o lugar de vereador com uma frase verdadeiramente infantil: “estarei atento a tudo o que se vai passar. Comigo na câmara não vai haver qualquer tipo de trapalhada”, disse.

 

Paulo Rocha 

Houve momentos em que a jovem figura do número dois de Mário Alves, Paulo Rocha, chegou a ser confrangedora.

O apoio incondicional ao líder e a sua insistência em acompanhar Alves no percurso de um caminho político sinuoso, quase fizeram lembrar aquela célebre série cómica inglesa do “Sim. Senhor Primeiro-Ministro”.

Aos olhos da opinião pública mais inteligente, Rocha foi transformado num verdadeiro “yes man” que nunca percebeu o perigo de querer sempre ocupar o “Lugar do Morto”.

Após esta viagem autárquica, resta-lhe encontrar alguém que agora o desencarcere.

 

 

Pedro Machado

 

“Para lá do Marão mandam os que lá estão”… o líder do PSD de Coimbra, Pedro Machado, não percebeu o alcance desta célebre frase e poderá ter sido o primeiro responsável pelo facto de o PSD não continuar, hoje, a governar a Câmara de Oliveira do Hospital.

Os menos inocentes perceberam que a precipitada saída de Oliveira do Hospital da Região de Turismo da Serra da Estrela para o Centro de Portugal, tinha uma factura política associada.

Machado fez questão de pagá-la e até arranjou uma sondagem para explicar o irreversível apoio a Mário Alves.

Resultado: comprou uma guerra com a comissão política concelhia do PSD de Oliveira do Hospital e perdeu uma Câmara Municipal. É inequivocamente um dos principais derrotados destas autárquicas.

 

 

João Dinis 

O cabeça de lista da CDU quis ganhar na comunicação social o que nunca ganhou no terreno político: um mínimo de confiança dos eleitores.

Enclausurado em Vila Franca da Beira e, trimestralmente, nas assembleias municipais, João Dinis esqueceu-se que o concelho de Oliveira do Hospital tem 21 freguesias.

Como eleito municipal, perdeu a maior parte do seu tempo a contestar as políticas do “(des) Governo” do PS, ignorando muitas vezes os podres da governação local.

Nestas eleições autárquicas, teve um desonroso resultado eleitoral que foi o terceiro pior da CDU no distrito de Coimbra: 140 votos. Em 2005, a CDU teve 640…

Restou-lhe um prémio de consolação: a CDU manteve-se nas presidências das Juntas de Freguesia de Meruge e Vila Franca da Beira.

 

 

 

 

 

Henrique Barreto

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