“Pai da ideia” entende que a marcha pelo IC6 “não faz qualquer sentido”

Mário Alves diz estar em causa um “populismo exacerbado”.

A “Marcha pelo IC6” não convence o vereador do PSD na Câmara Municipal oliveirense. Em reunião pública do executivo, realizada ontem, Mário Alves identificou-se como o “pai da ideia”, mas acabou por repudiar a sua calendarização.

“Face à situação de crise financeira, social e de desespero, isto não faz qualquer sentido”, considerou o eleito social -democrata, para quem “estas questões são para ser dialogadas e negociadas por quem está no exercício de funções, sem grande festa para o exterior, no âmbito dos gabinetes e com toda a ponderação”.

Para Alves, a realização de uma iniciativa como aquela que está preparada para o final da manhã do próximo sábado, 14 de julho, só deveria acontecer quando “se atingem pontos de rutura devidamente identificados”. “Só assim é que se devem tomar atitudes drásticas”, notou o antecessor de José Carlos Alexandrino na presidência da Câmara Municipal oliveirense, que chegou a recuar no tempo para lembrar que já por ocasião da “procissão das velas no Centro de Saúde”, primou por semelhante posicionamento, por se sentir “confrangido” com aquele tipo de comportamento político.

A partilhar a cor partidária da estrutura política que, recentemente, tem sido cáustica em relação ao “populismo” do executivo socialista, Mário Alves acabou por acusar a comissão política do PSD, dirigida por António Duarte, daquela prática.

“O populismo tem limites e estamos numa altura em que este populismo está a ser exacerbado”, registou o social-democrata, estranhando até que o mesmo esteja a partir de uma “força política que sustenta o governo”.

Notoriamente contra a “Marcha pelo IC6”, Mário Alves não deixou de lado a ironia, desafiando o presidente da autarquia a “preparar os autocarros e os camiões para participar nessa marcha”.

“Um fait-divers…”

“É um paradoxo que o próprio partido não entenda a linguagem do governo”, considerou o presidente da Câmara Municipal que chega a encarar a “Marcha pelo IC6” como um “fait-divers”.

José Carlos Alexandrino referia-se em concreto àquilo que tem sido a mensagem ventilada pelo governo, em particular pelo secretário de Estado das Obras Públicas, de que “não há condições financeiras para fazer a obra”.

Acerca desta matéria, o autarca oliveirense assegura estar a fazer o trabalho que lhe compete, no âmbito de um “lóbi fortíssimo” com os presidentes de Câmara de Seia e Gouveia. O autarca não deixou contudo de estranhar que o PSD oliveirense esteja a preparar uma “Marcha pelo IC6”, quando nem nunca viu os próprios deputados do PSD, eleitos por Coimbra na Assembleia da República a falar sobre o assunto do IC6.

José Carlos Alexandrino disse ainda ter recebido do governo a indicação de que “talvez em 2013-2014 surjam sinais para avançar com a obra a sério”, pelo que por esta altura, o que mais o preocupa é a questão do estudo de impacte ambiental que perde validade no próximo dia 2 de agosto e carece de revalidação.

Mário Alves não deixou de apreciar a boa comunicação existente entre o executivo municipal e o governo, registando que o mesmo não acontecia quando era presidente de Câmara. “Noto a ombridade do secretário de Estado que lhe diz que não há condições. Antes isso não acontecia, só me diziam que estavam a tratar do assunto”, sublinhou.

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