Pais queixam-se da falta de professores de ensino especial e preparam manifestação à porta do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital

Os pais das 132 crianças com necessidades educativas especiais agendaram para amanhã, 7 de novembro, pelas 12h00, uma manifestação à porta do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital. Os pais queixam-se da falta de professores de ensino especial.

Dos 11 professores que, em circunstâncias normais deveriam, estar a assegurar o ensino especial aos 132 alunos com necessidades educativas especiais, apenas oito se encontram a desempenhar aquelas funções. Uma situação que merece a contestação dos pais e encarregados de educação, pelo facto de, volvidas sete semanas desde o início do ano letivo, haver alunos que até ao momento não tiverem uma única aula de ensino especial. Sem soluções à vista, pais e encarregados de educação de todas as escolas do concelho vão-se manifestar esta quinta-feira, pelas 12h00, à porta do Agrupamento, porque “queremos que todos tenham acesso a este ensino especial”, alerta Ana Campos Lencastre.

No início do novo ano letivo, pais e encarregados de educação dizem que as diferenças em relação ao que aconteceu no ano passado são notórias. “Os nossos filhos estão desamparados e completamente desmotivados”, faz notar a encarregada de educação que em anos letivos anteriores sempre contou com o apoio especial na educação do filho que frequenta a Escola do Vale do Alva.

Neste processo, os pais e encarregados de educação responsabilizam o Ministério da Educação que até agora não colocou no Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital os três professores em falta que, terão sido inicialmente colocados, mas depois transferidos para escolas próximas da área de residência. “Continuamos à espera dos três professores”, refere Ana Lencastre que, a esta altura, lamenta a postura do ME que “até agora, achou por bem não os colocar”. “Esta é uma situação inadmissível e vergonhosa por parte do Ministério da Educação que está a privar as nossas crianças de serem acompanhadas, como aconteceu em todos os outros anos letivos”, refere ainda a encarregada de Educação.

Através da manifestação, os pais dos alunos com necessidades educativas especiais pretendem fazer pressão no sentido da rápida resolução do problema, mas também partilhar com a comunidade a aflição que sentem ao verem os seus filhos privados de um ensino condizente com a sua condição especial.

Uma preocupação que é partilhada pela Comissão Administrativa Provisória do recém criado Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital que, a esta altura, desaprecia a postura do Ministério da Educação, pelo facto de estar a “prejudicar” os alunos com “direito” a educação especial. “Esta é uma preocupação conjunta” referiu o vice-presidente da CAP ao correiodabeiraserra.com, contando que também da parte do Agrupamento de Escolas têm sido feitos todos os esforços no sentido de que os três professores em falta sejam “repostos” no agrupamento. “Tem-nos sido dito que a situação está em análise. Mas, dia após dia, semana após semana e mês após mês, a situação continua por resolver e quem está a ser prejudicado são os alunos”, sustenta Luís Ângelo que, neste processo, tem a louvar a atitude dos pais “que têm tido uma postura digna e de grande preocupação” e até agora “aguentaram pacificamente” por uma resposta do Ministério da Educação.

Pais e Agrupamento de Escolas exigem assim a colocação dos três professores em falta no grupo de 11 professores de ensino especial. Um número que, mesmo completo, é visto como “insuficiente” atendendo ao facto de, este ano, ter disparado o número de alunos com necessidades especiais.

“Neste momento temos oito professores para 132 alunos das cinco escolas”, explicou Luís Ângelo, aludindo ainda à questão da dispersão geográfica que obriga os professores a fazer vários quilómetros para prestar apoio aos alunos carentes de ensino especial. Uma situação que, adianta, não acontecia no passado, já que a cada agrupamento estava associado o respetivo quadro de professores de ensino especial que, no conjunto, eram em maior número e para um total de alunos mais reduzido do que aquele que se verifica atualmente.

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