Papa Francisco no Vaticano e Padre Martins em Celorico (da Beira). Autor: António Ferro Autor: António Ferro

Foi um amor à primeira vista, logo que apreendi, quer na lonjura quer no contíguo, duas personalidades basilares da igreja católica.

A simpatia, confraternidade, frontalidade, solidariedade, em suma Coragem! Com que o Santo Padre, desde os primeiros dias deixou transparecer a sua vocação, de asseverar nos desfavorecidos, nos mais oprimidos, nos mais desvalidos, por uma sociedade egoísta, virada apenas para o lucro fácil e que descarta os seus cidadãos da forma mais insensível… O Papa Francisco quis “denudar” os bens materiais, o que já incomoda e irá incomodar muitos eclesiásticos num futuro próximo (habituados a uma vida faustosa) uma igreja que pela mão do Santo Padre, se apropinqua cada vez mais dos ensinamentos de Jesus. Com quem convivia Cristo?

O Santo Padre, ao tentar restituir a igreja à simplicidade, à honestidade, à humildade, está a tentar “dissipar” o lado mais negro da história católica, onde os eclesiásticos viviam unicamente ligados ao poder (real ou militar), já para não falar dessa enorme mácula, chamada Inquisição!

O Papa Francisco quer uma igreja feita por homens simples e honestos com um único pensamento – no aprendizado da lição de Cristo na Terra. E não, uma igreja onde a mentira, a hipocrisia, (para não falar na pedofilia) e a corrupção seja o factor dominante, mas extremamente “encapuçado”, pelos homens que nunca deveriam ter representado a Igreja! É um enorme risco para o Santo Padre, pois se algum atentado acontecer (e eu rezo a Deus para que isso nunca aconteça), já sabemos de onde virá… (quem sabotou o avião do Sá Carneiro, obviamente que não foram os partidos da oposição…).

É de todo errado, julgarmos a igreja, por algumas ovelhas “tresmalhadas”, o único problema, é que infelizmente, já são algumas (demasiadas)!… todos nós sabemos que quem virou a cabeça ao Salazar, foi o Cardeal Cerejeira.

Deus dê muita saúde ao Papa Francesco (seu verdadeiro nome), para continuar o espectacular trabalho que tem vindo a desenvolver.

O Padre Martins é o pároco de Celorico da Beira.

Quando assisti à minha primeira missa em terras beirãs (tirando quando era menino e jovem, pois o meu avô e pai são do Fundão, e até o actual presidente da câmara – Paulo Fernandes é meu primo…), na igreja de S. Pedro, retive o seu tom, por vezes “humorista”, a sua alegria e simplicidade no discurso, onde a acuidade e a frontalidade, são as suas principais virtudes (isto é, se todos ou alguns, a entenderem…). Na segunda missa, já na igreja de Santa Maria, impressionou-me uma vez mais o seu discurso que não sai de livros, nem de sermões programados, mas sim directamente do seu coração. O Padre Martins conquistou-me!

Sexta-Feira Santa, fiz questão de estar presente na procissão do “Enterro do Senhor”. Diverti-me com uma senhora de pau na mão que impunha aos caminhantes as laterais das ruas, por onde seguia a procissão, uma autêntica pastora de almas! Mas tinha que ser, pois além do Senhor, também havia outros andores e obviamente a Banda Filarmónica! Que curiosamente e embora estivessem muito bem iluminados (lanternas modernas para a leitura das partituras)… Partituras não! Partitura! Pois tocaram a mesma música desde a saída da procissão, até à igreja da Misericórdia. Também temos que dar o desconto… pois a volumosa quantidade de instrumentos graves (tubas, bombardinos e trombones), contrastava, com a reduzida representação dos instrumentos agudos (flautas, clarinetes, saxes, etc…). Aproveitando, a inúmera multidão reunida na praça, e aproveitando o tema (enterro do Senhor), o Padre Martins, fez mais uma vez, um brilhante discurso. Referiu-se à falta de consideração com que muitas pessoas vão no acompanhamento de um funeral… Aproveitam a ocasião, para colocar a conversa em dia e predominantemente, a um volume que incomoda, não o defunto, mas os que sofrem pela sua partida… Seria de melhor tom, usarem o silêncio no funeral e depois no café, aí darem largas às “coscuvilhices”…

Já para não falar nos filhos que há muito abandonaram os pais e na altura do “adeus final” vêm pesarosos, apenas pelos despojos e rendimentos do falecido.

Depois, já em casa da família, dá-se o confronto dos Titãs! (estas já são palavras minhas)

Tios, irmãos, primos, começam:

– Desculpa lá! Mas o meu tio prometeu-me os botões de punho!

– E agora? Querem cortar a casa ao meio, ou vendemos e dividimos?

– … Mas, foi a casa onde nasci… (diz o mais tímido)

Nesse momento, já estão todos com o croquete na mão esquerda e o copo de vinho na mão direita. (desculpem o desvio…)

Voltando ao Padre Martins (que tem como alcunha o Padre Martelinhos. Ainda não percebi, se é por estar sempre a “martelar” no bom sentido, na cabeça da rapaziada…), conte comigo em tudo o que precisar, ganhou um amigo!

Autor: António Ferro

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