“A liderança efectiva é colocar em primeiro o que é mais importante.”

O PSD não desliga o seu relógio eleitoral e no dia 31 de Maio – pela segunda vez em 6 meses – os militantes são chamados para a eleição directa do próximo presidente do partido, que sucederá a Luís Filipe Menezes.

Para esquecer, esperar e ter esperança

O facto de ainda não ser conhecida publica tomada de posição, da Comissão Política de Secção do Partido, sobre qual candidatura fará recair o seu apoio orgânico, obriga-me a escrever este texto por baixo do celofane da reserva, sobre muitos dos preceitos do tema.

Li em tempos, que um líder não é quem manda mas quem prepara o melhor café para atrair os melhores homens. Mas no PSD há muito que não existe café. Por isso, é preciso saber o que é, ou no que se tornou, o actual PSD. O PSD tem a mesma crise do PS. Só que não está no poder. E o PS também precisa de reflectir sobre isto, pois começa a cair no risco de Sócrates – há semelhança do que fez Cavaco e o seu célebre eucalipto – chupar igualmente a vitalidade interna do partido – e em 2013, se não antes, também entrará em paralisia.

Mas enquanto o PS tem apesar de tudo, facções internas divididas por conflitos, fundados ideologicamente, o PSD transformou-se numa máquina de facções internas, que procuram ganhar eleições e converter votos em lugares políticos. E esta baixa política encerra em toda a escala, aquilo que se admite como sendo a luta das “elites” contra as “bases”.

Este centro de tudo com o nada à volta, faz imperar uma lógica tacticista da política, onde a verdade, o rigor e a transparência, nem sempre dominam. Por isso, a vitória de Menezes nas últimas directas (apenas), provou que o partido autárquico, é mais forte que o partido nacional. E isto projecta o que de melhor distinguia o PSD de Mendes do de Menezes.

Enquanto o segundo optou por realinhar o PSD nacional com os interesses dos seus aparelhos locais, o primeiro, muitas vezes sacrificou os interesses dos aparelhos locais do partido ao interesse da estratégia nacional do PSD – assim perdeu a câmara municipal de Lisboa. E as fricções destes últimos 3 anos, vêm da ansiedade das bases – que dependem que o seu partido esteja no Poder – e das elites do Partido – que também dependem do Poder, mas de forma mais dissimulada.

Esta é a razão, porque mesmo que jurem o seu contrário, Menezes não foi um líder proveniente das bases. Foi apenas uma revolta, da “elite” actual do PSD, os seus autarcas e da rede de dependentes das estruturas municipais que os vários PSD’s autárquicos dominam, e que se viram ameaçadas pela tentativa de Marques Mendes, de as subordinar à sede do partido na rua de São Caetano à Lapa.

Menezes, na realidade, mais não foi do que a cabeça de um PSD autárquico, que quis retirar ao PSD nacional o direito de intromissão sobre os seus paroquiais assuntos. Nada mais. Por isso o partido chegou a uma hora da verdade. Os militantes de base não constituem um órgão, mas não se comportam de forma independente. Por ser esta a minha convicção, todos os militantes do PSD que se preocupem com o país e o papel que o partido pode desempenhar na vida portuguesa, têm de ser realistas. O próximo líder, tem como dever, obrigação e prioridade: o interior do partido. Prepará-lo para fazer um trabalho decente seja na oposição, seja no Governo.

Até os militantes mais imobilistas têm de ser convencidos que no PSD aquilo que o líder fizer, por mais que lhes custe, tem de ser feito, pois é isso que os portugueses mais tarde esperam dele. É preciso melhorar a forma como o partido trabalha. É preciso disciplinar o partido. É preciso afirmar a militância do eleitorado. A demissão de Menezes empurrou a social-democracia para uma batalha que, aquando da eleição de Marques Mendes, pensou que não teria de travar.

O partido tem de querer mesmo fazer melhor do que o PS, mas para que tenha sucesso, tem sem dúvida, que ter uma liderança forte, um líder com vontade diária de querer ser mais determinado, mais virtuoso, mais inconformado e passar essa mensagem aos seus militantes e aos Portugueses. Há semelhança daquilo que tem de acontecer no país (entre nós), o PSD tem de ser capaz de pôr os olhos no concelho, dar uma crença aos munícipes, e querer com a vontade das pessoas.

Esta eleição nacional, terá impactos decisivos no PSD local. Não porque a demissão de Menezes, choque com os interesses da Comissão Política recentemente eleita, nem com o assumir em sede de campanha interna, da candidatura de José Carlos Mendes à autarquia. Mas porque na catarse dos problemas do partido a nível nacional, ela é a síntese que o PSD precisa de fazer (também) localmente.

O actual conflito, entre partido com ambições nacionais e os vários “partidos” locais com ambições autárquicas, só pode significar entre nós uma coisa: Um PSD como partido de dependentes, que querem conduzir a sua vida livremente, e a sua “elite”, longe dos homens de negócios de matriz empreendedora e dos homens de ideias para o concelho. Um PSD composto por pequenos caciques especializados na pequena chantagem e na promoção pessoal, não pode nem deve, ter o patrocínio das direcções nacionais, porque não o tem no reduto da concelhia social-democrata.

Haverá seguramente um candidato ao partido a nível nacional, que comungue da ideia, de que na família social-democrata, as pessoas, não podem identificar-se com o partido e o seu contrário. Não podem utilizar o partido e trair o partido. Por isso mesmo, quem quiser assumir uma cisão partidária, não basta assumir-se independente a prazo, apenas, porque as suas dependências não têm mais lugar dentro do PSD local. Tem de fazer mais. Começar por ganhar dimensão fora da política.

 

Lusitana Fonseca (Candidata eleita à CPS do PSD)

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