Parlamento Jovem antecipa percurso político

A Assembleia da República é apetecida pelos estudantes que, na maioria, ambicionam um percurso político.

Não se trata de um grupo de amigos inseparável, nem tão pouco de um clube organizado. Une-os o gosto pela política e a discussão que o assunto merece. Quando o mote é a causa pública, a tendência é para o encontro e troca de ideias e, diga-se que o resultado é positivo, a comprovar pelo êxito verificado na sessão distrital do Parlamento Jovem realizado dia 17 de Março no cine-teatro da Lousã.

Os rostos são bem conhecidos da comunidade local e escolar pelo contributo que cada um, à sua maneira, tem dado nos domínios em que intervém. Mas, a expectativa é de muitos mais sucessos porque, Pedro Coelho, João Abílio Almeida, André Duarte e Beatriz Brito não estão dispostos a ceder ao que apelidam de “militância dos ignorantes”.

Na sessão distrital, viram aprovado pela maioria dos deputados o Projecto de Recomendação Base sobre o tema proposto a nível nacional “Participação Cívica dos Jovens”, cuja primeira medida incide na implementação de conteúdos relativos à cultura política e da cidadania desde o primeiro até ao terceiro ciclo. Revelam-se contudo descontentes com a anulação da segunda medida, que propunha a permuta do sistema de círculos plurinominais por uninominais. “Fui o que fiquei mais revoltado. Conseguimos perceber o que diz Aristóteles: Não está provado que o ser humano goste de aprender”, referiu André Duarte ao Correio da Beira Serra.

Com realização prevista para os dias 25 e 26 de Maio a sessão nacional vai ser participada pelos 18 distritos, regiões autónomas e voto emigrante. A representar o distrito de Coimbra, o grupo de Oliveira do Hospital conta com o apoio de mais três grupos – Escola Quinta das Flores, Infanta D. Maria e José Falcão – também apurados na sessão distrital. O momento é, agora, de conjugação de esforços porque, segundo João Abílio, o grupo “deixa de ser escola, para passar a ser representante de todos os estudantes deste círculo eleitoral”. “É positivo que o distrito tenha uma posição uniforme”, considerou.

Paralelamente ao Parlamento Jovem, decorre o Euro-Escolas representado a nível distrital pela jovem Beatriz Brito que espera poder representar o país na sessão final, a realizar em Estrasburgo.

Em defesa do bem colectivo

Já habituados às andanças da política jovem, os quatro estudantes da Secundária de Oliveira do Hospital confessam-se contagiados pelo “bichinho da política” e, com excepção de Pedro Coelho, estão dispostos a enveredar por um percurso político. O mundo do jornalismo é o que fascina o jovem Pedro que, ao CBS, contou que o seu gosto pela política deriva essencialmente do gozo pela representação. “Gosto de representar os interesses de todos e de lutar pelo acredito”, frisou, contando que também se sente motivado pela troca de ideais. Contra o que apelidou de “bota abaixismo”, o jovem de 17 anos identifica na sociedade um “egocentrismo que prejudica não só a política portuguesa, como também a internacional”.

A luta pelo bem comunitário faz parte dos ideais dos quatro jovens. Participante da política desde a pré-adolescência, Beatriz Brito socorre-se da expressão de Eça de Queirós – “Todas as consciências abjuram a podridão, mas todos os temperamentos se dão bem com a podridão” – para identificar o que acontece com a política nacional e europeia. Quando dá os primeiros passos num percurso político que espera consolidar, a jovem de 15 anos confessa que o seu interesse pela política tem a ver com interesses comunitários e o bem-estar dos outros.

À vontade para “falar para públicos grandes”, João Abílio Almeida lamenta a reduzida participação dos jovens nos vários quadrantes da sociedade. “Os jovens são uns ignorantes na área da política e da sociedade”, referiu o estudante que aos 18 anos atribuiu a responsabilidade da situação às famílias que contribuem para a cegueira que afecta a maioria da juventude. Para João Almeida, está a emergir uma “sociedade egoísta a pensar no bem individual e não no bem colectivo”, onde “falta a solidariedade”.

À constatação de Almeida, André Duarte colmata com a indicação de que “entre mortos e feridos, alguém há-de escapar”. É que, na opinião deste jovem “a felicidade só pode ser encontrada pelo bem comum”. “É aqui que entra a política. É isso que faz do homem um animal político”, acrescentou, manifestando-se em total desacordo com a apatia que reina na sociedade, em particular entre os mais jovens. “Mesmo as pessoas tendo a oportunidade de decidir, o que reina é a militância dos ignorantes”, considerou.

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