Paulo Piedade

…na Madeira. Enquanto profissional de reconhecidos méritos, Paulo Piedade honrou o Desporto que lhe proporcionou os conhecimentos que agora coloca ao serviço da equipa principal do F.C.O.H.Quer acreditar que não há corrupção no futebol, mas… não tem certezas. Messi, na sua opinião, é um verdadeiro artista da bola.

Nasceu em Lisboa, mas o futuro havia de passar por Oliveira do Hospital para onde veio menino, com quinze anos de idade, talvez pela influência da irmã que, entretanto, escolhera este concelho como”porto de abrigo”.

O futebol não aconteceu por acaso na idade jovem, ao contrário do que sucedeu num passado recente, catapultado pela força das circunstâncias para a liderança da equipa sénior do Futebol Clube de Oliveira do Hospital

– “Depois de ter abandonado a carreira como jogador, passei a dedicar-me por inteiro à família e ao trabalho extra futebol, no comércio dos móveis, e, confesso, só aceitei dar a minha colaboração ao “Oliveira” porque o meu amigo Russo fez questão da minha presença para o coadjuvar na missão de treinador principal do clube.

Infelizmente, apesar do excelente trabalho que estava a desenvolver, os resultados nos últimos tempos não eram os melhores e acabou por sair. Fiquei no seu lugar porque ele me pediu, a minha intenção era sair com ele. Daqui para a frente vamos continuar a lutar e tentar sempre o melhor resultado em cada jogo. Dignificar a camisola – é isso que se pede aos atletas do F.C.O.H”. Infelizmente, não vamos conseguir os objectivos iniciais; penso, no entanto, que a manutenção está garantida e para o ano logo se vê…”.

“Dignificar a camisola – é isso que se pede aos atletas do F.C.O.H.”

Sobre o futuro, enquanto treinador, Paulo Piedade reconhece ser difícil conciliar o futebol com o mundo dos negócios em que está inserido: – “Até ao fim da época vou ficar (se essa for a vontade da direcção…), corra bem ou corra mal o campeonato. Estou a ajudar o clube sem pensar no futuro à frente deste clube ou de outro qualquer. Não é fácil conciliar a minha vida particular com o futebol, mas se acontecer alguma coisa que me leve a tomar outra decisão, não será nunca porque estou a correr atrás dela. Tenho o apoio da família, sobretudo da minha esposa, mas não vou sacrificar os meus por causa do futebol, gosto de estar em casa, saio pouco, mas o futuro…é isso mesmo: futuro”!

Do desporto que o tornou conhecido do grande público, ficaram alguns amigos “…poucos mas bons…” e quanto a ao “péde- meia”…

– “Não fiquei rico com o futebol, longe disso. Se fosse agora, era capaz de ter chegado mais longe. Penso que tinha capacidades, mas faltou um empresário à altura; mesmo assim não estou arrependido da minha carreira no futebol, que durou até aos 34 anos de idade, sempre a um nível intenso e exigente”.

Onde se fala de corrupção
Paulo Piedade tem um percurso interessante na modalidade, que abraçou desde muito novo, exactamente no clube onde agora é técnico principal:

– “Comecei nas camadas jovens do “Oliveira” quando tinha 15 anos, subi aos seniores aos 17 e mantive-me no clube até aos 23, quando casei. Depois fui para a tropa, ainda fiz uma época no “Lagares“ (da Beira) e voltei ao “Oliveira; nessa época tínhamos uns quantos jogadores do Varzim, e algumas pessoas de lá, inclusive directores poveiros, vinham ver os nossos jogos, acompanhavam a carreira de alguns atletas, como o Giesteira, guarda-redes, o António Silva e o José Alves. Sabia que apreciavam as minhas qualidades, e um dia falaram comigo, fizeram-me o convite para representar o clube – que na altura estava na 2ª divisão nacional B – arrisquei e fui. Estive no Varzim durante doze épocas – uma vida”!

“Andámos entre a Liga de Honra e a 1ª divisão durante estes 12 anos; a dada altura, o treinador que nos subiu de divisão foi para o União da Madeira e convidoume para ir com ele. Aceitei, estive lá um ano, mas a coisas não correram muito bem para o clube e eu voltei para Oliveira do Hospital. Tinha 34 anos, estava cansado de jogar, e decidi acabar a minha carreira. Ainda fui convidado pelo Nogueirense para ir jogar e treinar o clube, mas declinei o convite…”

Das memórias, ressaltam momentos de glória, algumas frustrações e as amizades que se foram mantendo fiéis

– Alguma vez foi procurado para falsear a verdade do jogo? – pergunto.
– “Não, nunca, comigo isso seria impossível! Se me pergunta se existe corrupção no futebol… quero acreditar que não há, mas dizer que tenho certezas… não tenho”.

Paulo Piedade tem as ideias claras; da experiência acumulada cita exemplos, um, dois… vários. Retenho um que define o modo como o líder deve estimular o espírito de grupo:

– “Em determinada altura perdemos dois jogos seguidos por 5-0 e 6-1, mas o nosso treinador, no meio do desânimo, disse à Comunicação Social: – “…os meus jogadores são uns verdadeiros campeões…”! Essas palavras tiveram um impacto tão grande no grupo de trabalho que, depois de estarmos há mais de dez jogos sem ganhar, a partir daí nunca mais perdemos um jogo… e acabámos por subir à 1ª divisão!

Os artistas da bola
Endeusado pela maioria dos adeptos, Cristiano Ronaldo, depois de Eusébio e Figo, colocou o país na montra do futebol mundial. Ser ou não ser o melhor “artista da bola” no momento, face à concorrência, mereceu de Paulo Piedade opinião curiosa:

– “Para mim, o melhor jogador de momento, artista na acepção da palavra, é Lionel Messi, do Barcelona. Há jogadores excelentes, que não sendo “artistas”, são importantes e fundamentais numa equipa. A grande referência nacional no futebol, como homem e jogador, é Luís Figo; Cristiano Ronaldo é um óptimo jogador, sem dúvida, está no top, mas ainda tem muito que aprender como homem. Ele pensa que o mundo gira à sua volta, mas está enganado; espero não errar, mas o Cristiano, a nível de mentalidade, tem de mudar bastante, de outro modo nunca vai chegar ao nível do Figo, que mantém personalidade forte e ainda é um fantástico atleta”.

Em síntese, numa espécie de balanço, Paulo Piedade, reconhece a importância da família ao longo da sua carreira “… sem a sua ajuda e compreensão tinha sido impossível manter o equilíbrio emocional que é exigido aos profissionais…”, e não deixa de referir Carlos Brito, doutor Fernando Alves e esposa como personalidades a quem está grato pelo apoio nunca negado.

Carlos Alberto

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