Paulo Portas veio a Oliveira do Hospital defender o “elevador social” e a “reinvenção do made in Portugal”

O peso que a dívida pública pode vir a representar, foi uma das preocupações que o candidato a primeiro-ministro pelo CDS-PP transmitiu esta manhã aos jovens que frequentam a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH).

“Quando o país se endivida demais, a fatura recai sobre a geração seguinte”, afirmou Paulo Portas que, pegando na expressão de “elevador social” proferida pelo diretor daquele estabelecimento de ensino insistiu com a necessidade de os portugueses pautarem a sua atuação com base na “educação, no trabalho e no mérito”.

“Não acho justo que seja mais favorável não trabalhar, viver de subsídios, não pagar impostos e fazer biscates”, referiu o líder dos populares, ao mesmo tempo que defendeu um ensino mais prático e profissionalizante.

“Este país precisa de profissões técnicas como de pão para a boca”, insistiu Paulo Portas entendendo que, em cada escola, deva existir “um índice de emprego dos cursos” como forma de “ultrapassar o desemprego qualificado”.

Inconformado com a realidade – “em cada 100 jovens, 25 não encontram postos de trabalho”, frisou –  o candidato a primeiro-ministro considera “inadmissível que os jovens queiram sair do país, porque Portugal deixou de ser uma sociedade de oportunidades”.

Defensor de uma “aliança” entre o ensino e a área empresarial, o líder dos populares considerou ainda pertinente a aposta no setor da agricultura e, em consequência, na exportação. “Nunca teremos um país desendividado, se não tivermos um país que produza e exporte mais”, referiu.

De visita a uma empresa que “exporta quase 100 por cento daquilo que faz”, Paulo Portas alertou para a necessidade de “reinvenção do made in Portugal”. “Os portugueses têm que saber o que é produzido em Portugal”, vincou, lembrando que na Davion “é manufaturado aquilo que depois se vê com marca de outro país”.

Em matéria de exportação, o líder nacional do CDS-PP alertou para a necessidade de melhor funcionamento dos seguros de crédito, como forma de apoio ao risco inerente às empresas exportadoras.

Quando falta menos de um mês para as eleições legislativas de 5 de junho, o candidato a primeiro-ministro que se prepara para apresentar o manifesto eleitoral no dia 14 de maio, chamou à atenção para o “cuidado” que deve ser tido em conta na questão da falada “reestruturação das taxas do IVA”.

“Tem que ser feita com muito estudo técnico para não por em causa a competitividade do turismo português ou a sobrevivência económica da restauração em Portugal”, sublinhou, avisando ainda que, ao nível dos benefícios fiscais em sede de IRC, é preciso distinguir as entidades que têm ou não propósito lucrativo. Deu o exemplo das IPSS que “são insubstituíveis no trabalho social que está a ser feito”.

Na presença do candidato a primeiro-ministro, o presidente da ESTGOH não perdeu a oportunidade para reivindicar a construção das novas instalações da escola afeta ao Instituto Politécnico de Coimbra. “O investimento é de três milhões de Euros e quase se torna ofensiva a sua não execução imediata”, referiu Jorge Alexandre, entendendo que os alunos, enquanto pagadores de propinas, têm direito “a melhor conforto”.

O cabeça de lista do CDS-PP por Coimbra responsabilizou o governo pela falta de atenção que tem dado a Oliveira do Hospital. Serpa Oliva não deixou, contudo, de elogiar a postura de Jorge Alexandre por continuar a “acreditar em ideais”. “Quando assim é, tudo se consegue”, notou.

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