Penalva de Alva: Polémica das chaves e dos cheques sem solução à vista…

… continua a não querer entregar as chaves do edifício da junta aos seus dois colegas de executivo que, nas últimas autárquicas de 2005, concorreram consigo na lista do PSD.

Paralelamente a esta insólita situação, a tesoureira daquela autarquia, Ângela Álvaro, recusa-se a assinar cheques, justificando a sua atitude com o facto de não ter acesso à documentação nas horas em que tem disponibilidade para isso, ou seja, em horário pós-laboral.

Como resultado desta crise política que se instalou naquela autarquia que vem sendo governada pelo PSD, há hoje um verdadeiro corrupio de credores a baterem à porta da junta para reclamarem o pagamento de facturas que já se encontram vencidas há vários meses.

O correiodabeiraserra.com acompanhou este sábado à noite, dia 27, os trabalhos da última Assembleia de Freguesia (AF) de Penalva de Alva no ano de 2008.

“Isto é muito fácil, vocês não se entendem a bem, entendem-se a mal…”

“Nunca ouvi falar em pessoas que tivessem o acesso fechado ao seu local de trabalho”, referiu Fernando Espírito Santo, um dos dois eleitos socialistas que o PS detém naquela AF. Referindo-se ao facto de o presidente da JF ter recentemente afirmado a este diário digital que “a lei não diz que eles têm que ter chave, aquele membro da AF sublinhou que “a lei também não diz que a tesoureira e o secretário não têm que ter chaves”. Reconhecendo que neste processo “há falhas de parte a parte”, Espírito Santo lamentou que não houvesse”coragem para resolver” o problema já que – conforme sustentou – a assembleia tem “a faca e o queijo na mão”. “Isto é muito fácil, vocês não se entendem a bem, entendem-se a mal… vota-se contra o Orçamento (para 2009) e vocês vão governar como? Com zero… aqui todos ralham e ninguém tem razão. Votávamos todos contra e a junta ficava entalada”, defendeu aquele eleito do PS.

Dirigindo-se à tesoureira, o autarca local enumerou toda uma série de fornecedores que esperam há meses pelos pagamentos da junta e perguntou: “E agora não se passam cheques, não se paga às pessoas? Isto é uma vergonha”, sentenciou António Brito (veja aqui o vídeo).

Secretário e tesoureira pedem um “cantinho” para trabalhar

 

O secretário e a tesoureira da JF, não desistem contudo da sua pretensão em ter acesso ao edifício fora das horas de expediente – tal como acontecia nas antigas instalações da junta – e disseram que já propuseram uma solução ao presidente da junta. “Nós em particular cedemos que nos fechasse toda a parte da junta, e nos deixasse só trabalhar na recepção, no cantinho onde a empregada da junta trabalha, para termos acesso às pastas e ao arquivo. Ele que feche tudo…. respondeu que dava a resposta a seguir… nunca mais a deu…”, lamentou António Morais.

Para a presidente da Assembleia de Freguesia, Gorete Pereira, o órgão autárquico que dirige “não pode fazer mais nada” sobre o problema das chaves. “É um assunto que não tem solução possível, se as pessoas não se entenderem… este assunto já foi aqui debatido na última assembleia e ninguém está de acordo com isso… é muito triste e acho que isto até merecia um estudo sério”, sustentou a lider da AF de Penalva de Alva.

Eleito socialista fala em “falta de carácter”

 

Chegada a discussão sobre o principal ponto da ordem do dia – a apreciação e votação do Plano de Actividades e Orçamento para 2009 –, os documentos foram aprovados, por maioria, com dois votos contra dos eleitos socialistas e uma abstenção da presidente da AF.

“Como é que eu posso votar a favor de um orçamento, quando na última AF votei uma moção de censura? E acho muito estranho que alguns elementos desta AF não tenham carácter suficiente: votaram favoravelmente uma moção de censura à junta de freguesia e agora votam favoravelmente o Orçamento e o Plano de Actividade”. O que é que mudou desde a última assembleia até hoje? Que eu saiba, nada”, referiu o eleito do PS, António Fernando, numa declaração de voto (veja aqui o vídeo).

Refira-se que na sessão de Setembro da AF, e depois de proposta pela presidente da assembleia, foi votada uma moção de censura ao executivo da junta. Aquela moção foi aprovada por maioria – Gorete Pereira votou a favor – com duas abstenções da bancada do PSD. No entanto, dois dos elementos daquele órgão autárquico que votaram a favor da moção, vieram agora afirmar que o fizeram por terem entendido que a moção era apenas dirigida ao secretário e à tesoureira da junta de freguesia.

Entretanto, e depois de solicitada a dar um parecer, a Associação Nacional de Freguesias já se pronunciou no sentido de que este conflito venha a ser dirimido pelo Tribunal Administrativo de Coimbra.

Henrique Barreto

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