Discreta, trabalhadora e empenhada – é assim que a definem alguns colegas que com ela trabalharam na área do ensino –, Maria de Fátima Gonçalves Antunes, uma professora de História, de Avô, nascida em 1966 no seio de uma família modesta, chegou ao poder pela mão do actual líder do PSD, José Carlos Mendes, que no virar do século a convidou para integrar um gabinete de apoio à vereação.

Perfil: O que faz correr Fátima Antunes?

Imagem vazia padrãoFátima, que já tinha trabalhado com Mendes no órgão executivo da EBI da Cordinha, ambientou-se bem nos corredores dos Paços do Concelho e assessorou o antigo compagnon-de-route de Mário Alves até 2005, ano em que José Carlos Mendes bate com a porta e – depois de algumas ameaças de demissão do executivo, graças a algumas incompatibilidades com o presidente – decide não se recandidatar às autárquicas desse ano. Alves ainda insistiu para que o seu antigo vice-presidente voltasse a ocupar o segundo lugar da lista do PSD, mas Mendes manteve-se firme e afastou-se.

Vendo-se com algumas dificuldades na elaboração da lista candidata às autárquicas de 2005, Alves socorreu-se então de Fátima Antunes, que não rejeitou o convite para integrar o terceiro lugar da lista. Hoje, tem sob a sua alçada os pelouros do Ambiente e Qualidade de Vida, Cultura e Educação.

Em 2006, ano em que António Duarte – pessoa com quem Fátima Antunes mantém uma relação conjugal – é demitido de chefe de gabinete de Mário Alves, a vereadora da Educação esteve à beira de um verdadeiro ataque de nervos e terá chegado a temer o seu futuro político. Porém, tal não aconteceu e Fátima manteve-se de pedra e cal no executivo, até porque também dispunha de um grande trunfo: Se Mário Alves ousasse retirar-lhe os pelouros, Fátima poderia transformar-se numa espécie de fiel da balança e contribuir para que o executivo do PSD perdesse a maioria e começasse a balançar ao sabor do seu voto. Mas não foi isso que aconteceu e nem sequer se adivinha que possa vir a acontecer. Fátima Antunes, parecendo ter-se abstraído das quezílias que vêm envolvendo o presidente e o seu companheiro, optou por privilegiar a preservação do lugar de vereadora, criando assim um novo ditado popular: “Entre a política e a mulher, não metas a colher”! Aparentemente, assim tem acontecido: Fátima divide o seu tempo com Mário Alves e um dos principais inimigos políticos do presidente, António Duarte. Não será difícil de imaginar a insónia que tal facto provocará ao chefe do executivo, que ainda por cima se debaterá com questões de eventual quebra de sigilo autárquico.

Mas como o importante é levar o barco até terra e, de preferência, sem mais náufragos, Mário Alves até vai elogiando a capacidade de trabalho da sua vereadora e, ainda recentemente, a comparou a uma formiguinha que fura os caminhos todos. Fátima sorri, mas só Deus sabe o abismo que irá dentro da sua pessoa.

E o futuro? O futuro de Fátima Antunes, uma vereadora que, de forma simpática, declina sempre qualquer contacto formal com o Correio da Beira Serra, deverá estar sempre ligado ao desfecho das eleições internas do PSD – um partido onde nunca militou.

Henrique Barreto

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