Imagem vazia padrãoNão acontece todos os dias, mas ocasionalmente, há conhecimento de alguém que está prestes a virar o século e, por isso, a comemorar o centenário do nascimento.

Pessoas que chegam aos 100

Oliveira do Hospital, não é excepção. Ainda no mês passado, uma idosa da Póvoa de São Cosme engrossou a lista dos centenários, que em Abril do ano passado era liderada por uma senhora chinesa, que contava já com 120 anos de idade.

Não fosse a tristeza da perda de cinco filhos, do marido e de um neto, Maria da Conceição, habitante da localidade da Póvoa de São Cosme, freguesia de Ervedal da Beira, teria motivos para se considerar "uma mulher muito feliz". Passado um século do seu nascimento, a centenária senhora não toma um único comprimido para controlo do colesterol ou tensão arterial. À data do seu aniversário, no passado dia 23 de Outubro, encontrava-se a tomar um antibiótico, mas, para curar um ferimento numa perna. Garante a família que, para além da febre da malta, diagnosticada há mais de 40 anos e, a sinusite, nenhuma outra doença ameaçou Maria da Conceição.

"Tem a tensão melhor do que a minha e que a do filho", contou ao Correio da Beira Serra, a nora Maria Albertina, esposa de Emílio Figueiredo. Desde há 10 anos, que a idosa habita com o filho Emílio e a esposa, mas foi há pouco tempo que, deixou de ir sozinha até à sua casa. Agora, com menos forças, permanece em casa do filho. Mas, enganam-se os que pensam que a centenária senhora – como é comum dizer-se – "só está para dar trabalhos". E, a nora, Emília Figueiredo confirma: "está lúcida, come de tudo e pela mão dela, vai à casa-de-banho, não usa fralda, faz a higiene diária (no banho necessita de ajuda), passa bem as noites, faz a cama e, durante o dia, permanece sentadinha numa cadeira a rezar, porque os problemas de visão já não lhe permitem fazer muito mais do que isso". "O que faço todos os dias é pedir a Deus pelos filhos e netos", contou a aniversariante ao CBS, confessando-se "muito feliz" por atingir os 100 anos de vida. "Não me lembro de ninguém que tenha chegado à minha idade", contou, garantindo, no entanto, que se recorda de tudo aquilo porque passou. Assistiu à morte de cinco filhos, do marido e de um neto, mas enche a boca para falar dos "bons momentos" que passou com o marido que faleceu com 92 anos de idade. "Até aos 20 anos fui muito feliz com os meus pais, mas, durante 66 anos, vivi com o meu querido marido e, nunca ninguém nos ouviu uma voz mais alta", recordou, manifestando-se igualmente "feliz", por no dia do aniversário do centenário do seu nascimento, ter em seu redor os três filhos, alguns netos e bisnetos.

No total, eram mais de três dezenas, as pessoas – familiares e amigos – que ao final da tarde de 23 de Outubro se reuniram para cantar os parabéns a Maria da Conceição. A presença de todos foi importante para a aniversariante, mas a do filho Alberto Figueiredo, assumiu contornos especiais. "Moro em São Paulo, no Brasil e, vim a Portugal, propositadamente, para o aniversário da minha mãe", contou ao CBS, acrescentando que só no Brasil, Maria da Conceição tem sete netos, 15 bisnetos e três tetranetos, sendo que, no total, contabiliza 16 netos, 25 bisnetos e três tetranetos. Já não via a mãe há oito anos, mas garante que fala com ela todos os domingos. E, passados oito anos, a avaliação que faz ao olhar para a já centenária senhora é de que a "mãe está sempre recuperada".

É que, para os filhos, o facto de a mãe ter atingido a bonita idade dos 100 anos, não é novidade. Por nunca ter padecido de grandes maleitas, adivinhava-se uma longa vida para a senhora que, juntamente com o marido e os filhos sempre viveram da agricultura e do rebanho. "Toda a gente sabe: nunca se passou fome na nossa casa", realçou o filho Armando Figueiredo, residente na Trofa, lembrando ainda a altura em que a mãe se dedicava a fazer o queijo. O trabalho do campo e de guardar animais era reservado aos homens da casa. E Emílio Figueiredo confirma: "em casa do meu pai, nunca houve fome, mas também nunca faltou o trabalho".

Ainda que recôndita numa aldeia marcada pela ruralidade, a centenária senhora ainda guarda na memória a passagem pelas duas guerras mundiais, especialmente pelo facto de ver partir os irmãos para a guerra, e um filho para o Ultramar. E se, à data do seu nascimento, as novas tecnologias estavam longe de ser uma realidade, na data em que assinalou os 100 anos de vida, Maria da Conceição pousou para o flash de máquinas fotográficas digitais e chegou até a falar ao telemóvel.

A geração dos centenários
A comemoração do centenário do nascimento não é um feito de que muita gente se possa orgulhar. No entanto, de hora Imagem vazia padrãoem quando, lá vai surgindo a notícia de mais alguém que comemorou 100 anos de vida, ou já ultrapassou essa data. No concelho de Oliveira do Hospital, o CBS tem conhecimento de, pelo menos, mais um caso de uma senhora que está prestes a comemorar 102 anos. Mora na localidade do Parceiro, é conhecida por Maria da Capela e, no ano passado, o CBS encontrou-a num salão de cabeleireiro da cidade, onde se dirigiu auxiliada por uma familiar.

Pelas aldeias do concelho, o CBS também já conversou com alguns idosos a caminho da bonita idade dos 100 anos, como foi, por exemplo, o caso de Inocência da Conceição, de 91 anos, habitante na localidade de Chão Sobral e, de outros institucionalizados em lares e centros de dia do concelho.

Os últimos Censos revelavam que, em 2001, viviam em Portugal, 589 pessoas centenárias, sendo que a proporção era de cinco mulheres por cada homem. E dados do Instituto Nacional de Estatística de 2005, davam conta de que, existiam cerca de 163 mil pessoas com 85 e mais anos, com a particularidade de mais de 110 mil serem mulheres. Em Abril de 2006, vários órgãos de comunicação social referenciavam uma senhora chinesa – Du Pinhua – como a pessoa mais velha do mundo, com 120 anos de idade.

Liliana Lopes

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